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Uma manhã com Mauro Shampoo, ex-camisa 10 do 'Pior Time do Mundo', em sua barbearia no Recife

24/01/2022 13h32


"Mauro Shampoo, jogador, cabelereiro, artista de cinema, celebridade famoso, camisa 10 do Pior (Time do Mundo), cabelereiro macho e famoso liso". Foi assim que o ex-jogador do Íbis e agora artista com a tesoura e a máquina de cortar cabelo se definiu ao atender um telefonema enquanto batia um papo com o LANCE!, em sua barbearia, em uma galeria nas proximidades da praia de Boa Viagem, em Recife, Pernambuco.

Cheguei no salão de Mauro no fim da manhã do último sábado, 22 de janeiro. Para minha surpresa, a icônica figura estava vestindo uma camisa metade Íbis, metade Náutico, time que seria o adversário do Pássaro Preto naquela tarde em que a equipe da cidade de Paulista retornava à elite após 21 anos.

Mauro com sua camisa homenageando os dois times, durante o trabalho (Foto: Ricardo Guimarães/Lancenet)

De imediato, a pergunta: o que significa para ele aquela camisa dividida?

- Eu sou (torcedor do) Náutico, né? Minha base foi no Náutico. Ai depois que eu sai no Náutico eu me consagrei na 'marca do Pior'. Mas no time 'de verdade' que eu jogava era no Náutico. Quando eu jogava no Íbis era com a marca do Pior (Time do Mundo) - disse ele, explicando que ficou mundialmente famoso por jogar em um time que não vencia ninguém, na década de 1980.

Mauro ainda se orgulha de um gol que jura ter feito e que seria seu único como profissional. Enquanto conversávamos, o ex-jogador cortava o cabelo do menino João Gabriel, que estava acompanhado do pai, Frederico Barroso, ambos com a camisa do Santa Cruz.

E o pequeno levantou o questionamento de bate e pronto, como se tivesse sido uma pergunta ensaiada:

- Mauro Shampoo, toda carreira um gol? Um gol só? - provocou.

- E ainda falam que foi contra. O gol da minha vida, ainda perdi de 8 a 1 - completou o cabelereiro.

Mauro nunca conseguiu comprovar a veracidade desse gol. O relato que ele sustenta é que teria sido em um jogo contra o Ferroviário do Recife, na Ilha do Retiro, durante um contra-ataque onde ele teria pego um rebote do goleiro e estufado o gol escancarado.

Ao fim do corte, o cabelereiro ainda mostrou um pouco de habilidade com a bola e com as câmeras, fazendo questão de posar com o menino para uma foto. O pai, orgulhoso, reforçava a importância de levar o pequeno João para cortar o cabelo com essa grande figura do futebol brasileiro.

- Todo mundo que mora em Recife e gosta de futebol vem cortar o cabelo com o Mauro Shampoo, o cabelereiro de Ricardo Rocha - disse Frederico, citando tetracampeão que jogou com Shampoo no inicio da carreira. O torcedor do Santa Cruz ainda fez questão de posar para foto com o filho para a reportagem.

Frederico, o filho João e Mauro Shampoo (Foto: Ricardo Guimarães/Lancenet)

Apesar dessa badalação, Mauro afirmou que passa por momentos de dificuldades financeiras, que foi agravada desde o inicio da pandemia. Além do trabalho, o ex-jogador é ligado ao Íbis institucionalmente, como ídolo, e consegue ter alguma ajuda financeira do clube.

- Esse foi o meu primeiro corte de cabelo do dia - disse o ex-jogador, em tom melancólico, no momento que nos despedíamos.

Apesar das dificuldades, Mauro não perdeu sua marca registrada que o tornou tão intrinsicamente ligado ao Íbis. Sua idolatria não passa pelos seus feitos em campo, como podem imaginar somente pelo fato de ele ter marcado apenas um gol na carreira - segundo ele mesmo - pelo Pássaro Preto.

Sua idolatria passa pela simpatia e facilidade de achar graça nas dificuldades, assim como o clube faz nas redes sociais para seus milhões de seguidores em todo o mundo.

*O jornalista viajou a convite da empresa Betsson.

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