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Divisão da medalha de ouro nos Jogos de Tóquio quebra tabu centenário: 'Simboliza o espírito olímpico'

02/08/2021 13h12


A final do salto em altura masculino, no último domingo, proporcionou uma das grandes histórias dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O italiano Gianmarco Tamberi e o catari Mutaz Essa Barshim empataram na decisão e resolveram encerrar a competição, dividindo o lugar mais alto do pódio com a medalha de ouro.

Gianmarco Tamberi e Mutaz Essa Barshim empataram com a marca dos 2m37. Com isso, a organização do evento ofereceu a possibilidade de mais um salto, 2m39, para desempatar a disputa ou ambos poderiam dividir a medalha de ouro. Sendo assim, escolheram a segunda opção.

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Tabu quebrado

O empate encerrou uma marca de 113 anos na história das Olimpíadas. A última vez que dois atletas dividiram a medalha de ouro havia acontecido nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908, quando Edward Cook e Afred Carlton Gilbert, ambos dos EUA, empataram na disputa do salto com vara em 3m71.

Na história do atletismo, existe outro caso semelhante de título compartilhado. Na Olimpíada de Estocolmo em 1912, o americano Jim Thorpe venceu as provas de Pentatlo e Decatlo, mas perdeu as conquistas após o Comitê Olímpico Internacional descobrir que ele violou as regras da época.

Em 1912, só era permitido atletas amadores na Olimpíada. Na ocasião, o COI descobriu que Jim Thorpe recebeu dinheiro para jogar beisebol. Ou seja, ele não era mais considerado amador. Em 1982, o COI revisou a decisão e declarou Thorpe como co-campeão ao lado de Ferdinand Bie e Hugo Wieslander, que herdaram o ouro.

Dividir uma medalha de ouro nas Olimpíadas é raro e pode ser uma decisão difícil, já que se trata de uma competição onde todos os atletas almejam conquistar a glória. Entretanto, o italiano e o catari já possuem uma amizade antiga e que já simboliza o espírito olímpico.

Em 2016, Tamberi sofreu uma grave lesão que o impediu de disputar os Jogos Olímpicos do Rio. Após uma dura reabilitação, o italiano retornou às atividades no ano seguinte, mas sofria com a falta de confiança e fracassou na etapa de Paris. Tamberi ficou frustrado e, foi nessa hora, que Barshim foi essencial.

Barshim procurou Tamberi para uma conversa e se colocou à disposição para ajudá-lo. O italiano desabafou e falou sobre o temor de nunca mais voltar ao nível que tinha antes da contusão. E o papel do catari foi fundamental para a recuperação mental de Tamberi.

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A decisão dos atletas foi aprovada por Evelyn dos Santos, medalhista de bronze pelo Brasil nos 4x100 metros feminino em Pequim-2008. Ao LANCE!, a atleta destacou que a atitude de Tamberi e Barshim simboliza o espírito olímpico.

- Os Jogos Olímpicos são muito mais do que uma competição. Existe a filosofia do Olimpismo, que prega a paz entre os povos e vários conceitos relacionados a superação, coragem e amizade - disse.

A amizade entre os dois pode ter contado na hora de definir o pódio, mas segundo Evelyn, outro fator pode ter pesado também para a escolha dos dois ouros.

- Acredito que eles já estavam cansados, pois foi uma prova longa. Contou a amizade e o Olimpismo. Foi uma atitude bem legal - completou.

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A filosofia do Olimpismo foi herdada dos Jogos da Grécia antiga, e o esporte entra como instrumento para a promoção da paz, da união, e do respeito por regras, e adversários.

A amizade, a compreensão mútua, a igualdade, a solidariedade e o fair play são as premissas do Olimpismo. Mais que uma filosofia esportiva, o Olimpismo é uma filosofia de vida. A ideia é que a prática destes valores ultrapasse as fronteiras das arenas esportivas e influencie a vida de todos.

*Colaborou ao LANCE!

Confira o quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos de Tóquio:

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