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Inconsistência, mobilidade e participações em gols: o que esperar de Raúl Bobadilla no Fluminense

19/04/2021 07h00


Perto da estreia da Libertadores, o Fluminense anunciou seu último reforço do "pacotão" de contratações, no último sábado. Trata-se do atacante Raúl Bobadilla, argentino naturalizado paraguaio que estava no Guaraní (PAR). Com bastante rodagem internacional e atuações nas competições Sul-Americanas, o jogador se junta a David Braz, Cazares, Abel Hernández e Manoel, como os novos atletas do Flu para a temporada. A seguir, o LANCE! traça um raio-x do novo reforço do Tricolor Carioca.

> Veja os grupos da Libertadores

Dos sete contratados até o momento - os quatro do "pacotão", mais Wellington e Samuel Xavier - , o único que não jogou o torneio Sul-Americano é o lateral Samuel Xavier. Assim, por mais que Bobadilla tenha passado 12 anos na Europa, desde que voltou ao continente, disputou duas edições da Libertadores: a de 2020, quando atuou em 10 partidas e fez três gols, e na fase pré da atual edição, onde entrou em campo nas quatro partidas do Guaraní (PAR), até ser eliminado pelo Atlético Nacional (COL), ainda na segunda fase.

Com isso, a experiência do atleta vai agregar ao elenco Tricolor, em que mais de 60% dos titulares serão estreantes na competição.
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Logo, com a camisa do clube paraguaio, o jogador viveu um bom momento na primeira temporada - em 2020 -, porém, em 2021, caiu de produção. E os números comprovam isto. Veja as estatísticas de "Boba" em um comparativo da temporada e meia em que o atleta esteve no Guaraní (PAR):

2020

Jogos:
34
Minutos: 2.190'
Cartões: 11 amarelos
Assistências: seis assistências
Gols: 14 gols

2021

Jogos:
oito
Minutos: 404'
Cartões: três amarelos
Assistências: nenhuma
Gols: nenhum

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INCONSISTÊNCIA

A qualidade técnica de Bobadilla é indiscutível. No entanto, a irregularidade apresentada nas últimas temporadas, é, talvez, o maior desafio que o atacante terá que superar no Fluminense. Fator este, que o jornalista e analista de desempenho, Felipe Barros alerta para o futuro desempenho do atacante no Tricolor.

- Por mais que ele tenha feito um ótimo 2020, preocupa um pouco a sua inconstância recente. Na passagem pelo Argentino Juniors (ARG) (clube que defendeu quando voltou da Europa, antes de ir para o Paraguai), em 2019, e pelo Borussia Mönchengladbach (ALE), na temporada de 18/19, ele não fez nenhum gol, ou seja, passou duas temporadas inteiras sem balançar as redes.

- É um jogador, portanto, que tem muitos recursos técnicos, mas ainda sofre um pouco com essa irregularidade. Ele vive de alguns altos e baixos: teve bons momentos no Augsburg (ALE), mas outros bem abaixo da expectativa - completou Felipe Barros.

Logo, de fato a carreira de Bobadilla se mostrou uma verdadeira montanha russa, no que diz respeito ao auge e ao anonimato. Isso porque, ao sair da base do River Plate (ARG) sem nenhuma partida no profissional, o atacante foi se aventurar na Suíça, país em que acumulou boas partidas, mas sempre sem conseguir mantes o mesmo nível por muito tempo. Veja os números do atleta pelos clubes em que atuou na Europa:

2006/2007 - FC Concordia Basel (SUI) - 28 jogos e 18 gols
2007/2008 - Grasshoppers (SUI) - 36 jogos e 23 gols
2008/2009 - Grasshoppers (SUI) - 21 jogos e 10 gols
2009/2010 - Borussia Mönchengladbach (ALE) - 46 jogos e sete gols
2010/2011 - Borussia Mönchengladbach (ALE) -15 jogos e um gol
2010/2011 (empréstimo) - Aris (GRE) - nove jogos e dois gols
2011/2012 - Young Boys (SUI) - 35 jogos e 21 gols
2012/2013 - FC Basel (SUI) - 15 jogos e dois gols
?2013/2014 - FC Augsburg (ALE) - 18 jogos e três gols
2014/2015 - FC Augsburg (ALE) - 32 jogos e 10 gols
2015/2016 - FC Augsburg (ALE) - 36 jogos e 11 gols
2016/2017 - FC Augsburg (ALE) - 19 jogos e cinco gols
?2017/2018 - Borussia Mönchengladbach (ALE) - 14 jogos nenhum gol

Bobadilla atuando pelo FC Augsburg (ALE). Foto: AFP

CARACTERÍSTICAS

Mesmo com a oscilação citada acima, Bobadilla acumula predicados interessantes para um atacante com bons ofícios ofensivos. Diferente de atletas considerados como homens de área que somente empurram a bola para a rede, o jogador tem bastante recurso técnico, polivalência para finalizar com as duas - embora seja destro -, e pode se juntar a Nenê como mais um bom cobrador de falta, sendo essa uma de suas especialidades.

Para Felipe Barros, o jogador pode ser definido como um centroavante de área, que possui a seu favor o recurso de ser um atleta com mobilidade. Assim, pela união das características, Barros destaca que Bobadilla pode atuar, tanto na beirada do campo, como ao lado de Fred na referência do ataque. Além disso, como comparativo para as qualidades do atacante, o jornalista e analista de desempenho relembra a forma que Yony González, ex-Flu, atuava em 2019.

- Eu definiria ele como um centroavante, mas como um camisa 9 de bastante mobilidade. Com isso, ele conseguiria, por exemplo, jogar ao lado do Fred em um esquema de 4-4-2, mal comparando, poderia fazer a nível de posicionamento o que o Yony González, pelo Fluminense, no Brasileirão de 2019.

- Entretanto, ele também pode ser deslocado pelas beiradas para jogar na linha de três atacantes, embora não seja sua forma preferencial de atuar. Isso porque, ele não tem uma grande explosão física ou condição de superar os marcadores com uma jogada individual.

Assim, como Bobadilla poderia ser aproveitado, também, com Abel Hernández, reforço uruguaio vindo do Internacional? Para o técnico Roger Machado, da mesma forma que seria utilizado com Fred. Em coletiva após a vitória por 1 a 0, em cima do Botafogo, o treinador ratificou as qualidades já citadas do paraguaio e fez um esboço de como os estrangeiros podem jogar juntos.

- O Abel e um jogador mais centralizado, mas também já fez lado. Já o Bobadilla joga por dentro e joga pelos lados com força, com velocidade, podendo me dar alternativas, até para jogar com dois atacantes na frente, pelo Raúl (Bobadilla) ter mais mobilidade e velocidade - disse Roger.

Além disso, vale ressaltar a preferência pelo jogo rasteiro do atacante. Isso porque, com 1.81m, Bobadilla não costuma a marcar tantos gols de cabeça. Por outro lado, a mobilidade já contextualizada acima permite que o atleta realize os chamados "facões" - corrida em diagonal por trás da defesa - com mais facilidade, algo que pode casar bem com a visão de meio campistas como Cazares, Paulo Henrique Ganso e Nenê.
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- O Bobadilla consegue exercer mais funções no ataque do que o Abel Hernández, por exemplo. Assim, ele consegue fazer aquele famoso movimento do "facão" nas costas do zagueiro, e se o Ganso, Cazares e Nenê estiverem em uma jornada feliz, podem ter facilidade em encontrar o Raúl em uma bola por baixo.

Assim, com todos os reforços já no Rio de Janeiro, o Tricolor retorna a campo na próxima quinta-feira, às 19h (de Brasília), contra o River Plate (ARG). Logo, o jogo que será no Maracanã, marca o retorno do Fluminense a Libertadores após oito anos, em jogo válido pela primeira rodada da fase de grupos.

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