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'Perde-pressiona' e saída curta: veja como pode ser o São Paulo de Crespo

Hernán Crespo começou como técnico na Itália - ALEJANDRO PAGNI / AFP
Hernán Crespo começou como técnico na Itália Imagem: ALEJANDRO PAGNI / AFP

07/02/2021 07h00

O São Paulo iniciou conversas para contratar o técnico Hernán Crespo, que atualmente comanda o Defensa y Justicia-ARG. Atual campeão da Copa Sul-Americana, o técnico é conhecido por gostar do famoso "perde-pressiona" e costuma usar as saídas de bola desde os seus zagueiros.

Foi assim que ele comandou os italianos Parma Sub-19 e Modena, além dos argentinos Banfield e Defensa y Justicia. Veja alguns aspectos do estilo de jogo do ex-atacante de 45 anos.

Experiência na Itália foi regular

Logo depois de sua aposentadoria, no Parma, Crespo começou sua trajetória como treinador da equipe Sub-19 do clube italiano. Ele ficou de julho de 2014 a junho de 2015, totalizando 31 jogos, com 14 vitórias, sete empates e dez derrotas.

Logo após deixar a base do clube, Crespo chegou no Modena, equipe da segunda divisão do Campeonato Italiano. Nos 35 jogos ao comando do time, Crespo venceu 11 partidas, empatou cinco, e perdeu em 19 oportunidades.

Banfield e Defensa: ofensividade marca estratégia

Depois de ser demitido do Modena, Crespo foi contratado pelo Banfield, da Arrgentina. Logo em sua chegada, o ex-atacante disse a seguinte frase:

"Sempre gostei da tática, da estratégia. Deus não me deu a elasticidade do Ibrahimovic, a força do Adriano ou a velocidade do Caniggia. Por isso, precisei desenvolver minha interpretação e leitura de jogo", afirmou. Era o presságio de uma passagem com características ofensivas, mas que deixou a desejar na defesa.

No Banfield, ficou de janeiro a setembro de 2019, com 18 jogos, sendo quatro vitórias, seis empates e oito derrotas. O último jogo foi justamente contra o Defensa y Justicia, no empate por 1 a 1.

Crespo costuma trabalhar suas equipes em dois sistemas: o 3-1-4-2 e o 3-2-4-1. Gosta de ofensividade e intensidade, seja com ou sem a bola. Tem ideias ousadas e corre certos riscos, o que arrepia a torcida do São Paulo, acostumada com os lances arriscados com Fernando Diniz.

É no tiro de meta que suas equipes começam a correr riscos. No Defensa, a saída de bola costumava ser curta, com os zagueiros vindo buscar a bola e começando a construção ofensiva, assim como o São Paulo atuava. Geralmente, o primeiro volante vem na entrada da área para buscar a bola, sem usar os lançamentos longos e a ligação direta para o ataque.

Na construção ofensiva, aparece a amplitude. Assim que a bola passa do sistema defensivo, os times de Crespo costumam usar as inversões de jogo, buscando sempre os pontas nos lados do campo. Os alas costumam apoiar bastante o ataque, sem muitas preocupações defensivas.

Porém, é na defesa que Crespo costuma falhar. Segundo o jornalista argentino Dino Villalba, setorista do Defensa no site "Defensa Pasión", especializado na cobertura do dia a dia do time argentino, Crespo é um técnico muito intenso, mas que peca nas questões defensivas.

"Crespo é um técnico muito ofensivo e ás vezes peca por não cuidar muito da defesa. Tem tudo para ser um bom treinador, aliás já é, mas para crescer ainda mais tem que ser mais equilibrado nos esquemas", afirmou o jornalista ao LANCE!.

As equipes que Crespo dirigiu costumar ter bons ataques, mas defesas ruins. O Defensa y Justicia campeão da Sul-Americana deste ano terminou a competição com o segundo melhor ataque, com 16 gols e a sexta pior defesa, com sete gols sofridos. Na Libertadores, o time terminou em terceiro no Grupo G, o mesmo do Santos, com seis pontos, sendo oito gols marcados e fez sofridos.

"Gosto de ter um volante que saia para o jogo e quebre as linhas da marcação. Ordem, disciplina e talento. Também gosto do drible, mas prefiro que o atacante o faça na direção da área do adversário", disse Crespo quando comandava o Defensa.

Crespo está no Defensa desde janeiro de 2020, onde comandou a equipe em 32 jogos, com 13 vitórias, dez empates e nove derrotas. Foi campeão da última Sul-Americana vencendo o Lanús.

Caso Crespo venha, como o São Paulo pode jogar?

Com as informações descritas acima, dá para ter uma ideia que o estilo de jogo do ex-atacante é parecido com o de Fernando Diniz. Ambos priorizam a saída com os zagueiros e costumam fazer muitos gols, mas pecam na parte defensiva.

Como construção de equipe, caso Crespo venha, ele deve pedir mais jogadores de beirada de campo. A amplitude é a maneira preferida de atacar do técnico argentino. Na defesa, Crespo ás vezes costuma jogar com três zagueiros, como fez na final da Sul-Americana diante do Lanús. Sendo assim, Arboleda, Bruno Alves e Diego Costa podem ser o trio defensivo. No seu 4-2-3-1, sempre há um volante mais marcador, como o caso de Fernandéz. Luan pode desempenhar esse papel.

No ataque, Daniel Alves pode ser usado como um ala pela direita, assim como Reinaldo na esquerda. Igor Gomes e Gabriel Sara podem formar a linha de quatro no meio-campo. Crespo gosta de usar dois atacantes móveis. Chance para Luciano e quem sabe Toró, que dos jogadores de ataque do Tricolor é um dos que mais se mexem em campo.

O São Paulo segue em busca do novo técnico. Crespo foi um dos entrevistados e surge como bom nome para comandar a equipe. Resta saber os próximos passos da negociação.

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