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E(L!)eições-RJ - Benedita da Silva: 'Meu sonho é que o Rio seja um celeiro de Rafaelas Silvas'

26/10/2020 08h00

Elevação da pasta de Esportes e Lazer novamente a uma secretaria, criação de um novo Bolsa Atleta municipal, reativação do plano de legado olímpico elaborado no governo Dilma Rousseff... Estes são alguns dos planos traçados por Benedita da Silva, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), para a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Atual deputada federal pela capital fluminense, ela define o Rio como "uma cidade que respira e transpira esporte". Contudo, não poupa críticas a medidas do atual prefeito Marcelo Crivella, inclusive em relação ao que vem sendo feito nas instalações olímpicas.

O LANCE! inicia nesta segunda-feira sua série especial de eleições municipais do Rio de Janeiro. Foram enviadas dez perguntas - iguais, para todos os 14 concorrentes que vêm fazendo campanha - a respeito dos seus projetos e desafios com os quais se depararão na Cidade Maravilhosa. A publicação será diária e em ordem alfabética.

Nesta terça-feira, o L! divulgará o que a candidata Clarissa Garotinho (PROS) tem a dizer sobre seus projetos para o esporte no Rio de Janeiro.

LANCE!: Por que deseja se candidatar à Prefeitura do Rio de Janeiro?

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Benedita da Silva: Eu tenho 78 anos. Podia a essa altura da vida estar em casa cuidando dos meus bisnetos. Mas nossa cidade vive um momento muito difícil. E nessa situação eu não poderia me recusar a enfrentar essa missão. Eu amo muito o Rio de Janeiro. Eu devo tudo que eu tenho a essa cidade e o que eu puder fazer para tirá-la dessa situação difícil, eu vou fazer. Fui a primeira vereadora negra do Rio. A única deputada mulher e negra da Constituinte Brasileira. A primeira negra senadora do Brasil. Fui governadora. Fui ministra. A ONU me colocou como uma das dez maiores lideranças negras do mundo.

E eu vou ser a primeira prefeita do Rio, porque, vocês me desculpem, mas os homens estão fazendo bobagem demais por aqui. A gestão Crivella (Marcelo Crivella, atual prefeito do Rio de Janeiro) é um desastre econômico e social. Agora é a nossa vez de consertar essa bagunça. Quero ver o Rio ser feliz de novo, com mais emprego, saúde, transporte, creches, cultura e esporte para os nossos jovens. E farei tudo que estiver ao meu alcance para isso.

L!: Qual será a relevância do esporte em seu plano de governo? Haverá alguma preocupação com o desenvolvimento do setor nas categorias de base e de alto rendimento?

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O Rio de Janeiro é uma cidade que respira e transpira esporte. Poucos lugares do mundo têm tanta vocação para a prática esportiva como a nossa cidade. Aqui temos praias, parques, montanhas, lagos, lagoas. E mais do que isso. Temos uma das melhores infraestruturas esportivas do mundo. Há quatro anos recebemos o maior evento do planeta, os Jogos Olímpicos. Temos aqui equipamentos de primeiro mundo que hoje estão subutilizados.

Vamos reativar o plano de legado olímpico que havia sido criado pelo governo Dilma (Rousseff, presidente da República entre 2011 e 2016). Queremos também devolver o status da secretaria de Esportes e Lazer, rebaixada a subsecretaria na Casa Civil. A pasta será responsável pela gestão dos programas da área, como o novo Bolsa Atleta Municipal, que irá garantir recursos para formação de atletas de alta e média performance das comunidades. Na minha gestão, o Rio se tornará uma potência esportiva.

L!: Qual será o critério para a escolha do seu secretário de esportes, se houver?

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Mais importante do que ser ou não ser ex-atleta é que o indicado tenha capacidade de diálogo com todos os setores, conhecimento do assunto e, acima de tudo, sensibilidade para entender a importância do esporte como instrumento de inclusão social, especialmente para os jovens das comunidades e territórios mais carentes. Meu sonho é que o Rio seja um celeiro de Rafaelas Silvas, a menina pobre e negra da Cidade de Deus que foi a primeira brasileira campeã mundial e olímpica de judô.

L!: Caso eleita, a senhora lidará com os impactos da pandemia de Covid-19. Qual é o seu planejamento para assegurar que a população possa gradativamente retomar suas atividades físicas com segurança em relação aos índices do vírus?

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A ciência será a nossa grande parceira nessa retomada. Vamos seguir a orientação de cientistas e infectologistas para que os cariocas que amam esporte possam praticá-lo com toda a segurança possível. E nisso temos um grande aliado: a própria cidade, que oferece uma infinidade de áreas ao ar livre para que os moradores possam correr, pedalar, nadar, velejar e se exercitar. Tudo feito com segurança e o distanciamento social correto.

L!: Pensa em promover campanhas de incentivo para que as pessoas do "grupo de risco" façam exercícios físicos em suas residências?

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Sem dúvida. Eu mesma sou um exemplo disso. Agora com a campanha, diminuí um pouco meu ritmo, mas sempre que posso, faço minha ginástica. Movimentar o corpo é fundamental para pessoas como eu, que tenho 78 anos, e para todos que não têm restrição médica para fazer exercícios. E é função do poder público estimular que as pessoas pratiquem atividade esportiva.

Esporte é questão de saúde pública. Quem se exercita tem menos doenças e menos problemas de saúde. E isso também ajuda a desafogar o nosso sistema de saúde, tão sucateado pela gestão Crivella.

L!: A pandemia afetou sensivelmente a rotina dos grandes clubes cariocas. Acredita que a Prefeitura possa contribuir de alguma forma para que as agremiações se recuperem economicamente? Como?

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A pandemia gerou uma grave crise econômica e com os clubes não poderia ser diferente. Mas a melhor forma da Prefeitura ajudar na recuperação é garantir a vacinação em massa da população para que os estádios e ginásios encham novamente e com isso aumentem a receita dos clubes. Acredito que os grandes clubes tenham patrocínios e outras maneiras próprias de buscar receitas.

L!: Como pretende traçar o planejamento para a volta de público aos estádios e ginásios na cidade?

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Reforço o que já disse anteriormente. Vamos contar com o auxílio da ciência para determinar a forma mais segura para que todos possam frequentar estádios e ginásios sem correr riscos. Mas enquanto não houver vacina vamos vetar aglomerações e grandes públicos. Não podemos colocar em risco nossa população e sobrecarregar o nosso debilitado sistema de saúde.

L!: Qual é a opinião da senhora sobre a construção de um autódromo na Floresta do Camboatá, considerada o último remanescente de Mata Atlântica em terras planas na cidade, para receber grandes eventos do automobilismo, como a Fórmula 1?

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A área onde se pretende construir o autódromo é uma propriedade federal. Então não temos poder de decisão em relação a ela. E pelo que sabemos, os recursos viriam do setor privado. Acredito que para o Rio seria melhor que essa pista fosse construída em outra área, para as árvores e os animais do Camboatá fossem preservados.

Sei que na Rússia há uma corrida realizada no Parque Olímpico do Söchi. Vamos fazer estudos para verificar a viabilidade de fazer o mesmo aqui no nosso na Barra, onde ficava o antigo Autódromo de Jacarepaguá. E isso ainda traria a Fórmula 1 de volta ao mesmo lugar onde fez história nos anos 1970 e 1980, época dos nossos grandes ídolos Ayrton Senna e Nelson Piquet.

L!: Como a senhora avalia a gestão do legado olímpico? Se eleita, quais os planos para uso das instalações olímpicas que estão sob gestão da Prefeitura, como a Arena Carioca 3 e o Parque Radical de Deodoro?

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Não há gestão do legado olímpico. O que há é um "largado olímpico". Tanto o Governo Federal de (Jair) Bolsonaro quanto o Municipal de Crivella jogaram no lixo os planos de legado do governo da presidenta Dilma para uso dos equipamentos pós-Rio-2016. O Crivella criou recentemente uma secretaria de Turismo e Legado Olímpico. Até o momento não vimos um projeto consistente sequer dessa pasta para as instalações olímpicas.

A secretaria foi criada para dar abrigo a uma aliada do presidente Bolsonaro. Mas chegou a hora de mudar isso. Vamos usar esses equipamentos para formar atletas de alto rendimento com parcerias e recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, que irão subsidiar projetos de treinamentos e formação de talentos olímpicos. Ao mesmo tempo, vamos aumentar as opções de lazer esportivo para o nosso povo.

L!: Qual deve ser o modelo de gestão do Maracanã e dos equipamentos esportivos no seu entorno?

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O Complexo do Maracanã é um equipamento do governo do estado. Hoje, o estádio está cedido para Flamengo e Fluminense. O que pretendemos é fazer parcerias e projetos esportivos para que o local possa ser mais utilizado pela população da cidade. Pretendemos fazer o mesmo em relação ao Célio de Barros, Júlio Delamare e ao Maracanãzinho. A comunidade precisa ter mais acesso a essas instalações com tanta história e importância para o esporte do Rio de Janeiro e do Brasil.

BATE-BOLA

Pratica ou praticou algum esporte?

Sou de origem humilde, de favela. Então, não tinha condições de frequentar clubes ou times. Mas isso não me impedia de jogar minha bolinha na praia ou apostar corrida com a garotada da comunidade.

Time de coração: Botafogo

Ídolo no esporte: Garrincha

Qual é a sua lembrança mais forte ligada ao esporte?

As Seleções Brasileiras campeãs do mundo com jogadores do meu Botafogo, como Garrincha, Didi, Nílton Santos e Amarildo.

Qual legado pretende deixar à cidade do Rio de Janeiro na área do esporte?

Fazer do Rio a capital brasileira do esporte. Temos tudo para isso.

QUEM É ELA

Nome completo: Benedita Souza da Silva (PT)

Data e local de nascimento: 26/04/1942 - Rio de Janeiro (RJ)

?Vice: Enfermeira Rejane (PC do B)

Coligação: É A Vez do Povo (PT / PC do B)

Ocupação declarada: Deputada

Valor total em bens declarados: R$ 941.762,92

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