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Andrés: "O Corinthians faturava R$ 40 mi por mês, e agora são só R$ 9 mi"

Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, durante coletiva - Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians
Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, durante coletiva Imagem: Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

09/07/2020 07h26

O futebol paulista está prestes a voltar a entrar em campo após a paralisação, mas sofre com as consequências que a pandemia trouxe nos últimos quase quatro meses. Um dos clubes que mais foi atingido, sem dúvidas, foi o Corinthians, que já vinha de uma crise. Em entrevista para a CNN, na última quarta-feira, o presidente Andrés Sanchez, revelou que o clube perdeu cerca de 75% de seu faturamento no período e admite perder atletas para o exterior.

Além de indicar a perda significativa de receitas nesses meses de pandemia de coronavírus, Andrés afirmou que caso isso leve ainda mais tempo do que agosto, como está prevista a "normalização", seus efeitos tendem a causar uma tragédia financeira inédita na história do futebol brasileiro.

"O Corinthians faturava mais ou menos R$ 40 milhões por mês e está faturando 9, 8, 10 (milhões), no máximo. Então é praticamente uma queda de 75% na arrecadação dos clubes em maio, junho e julho e vamos aguardar se em agosto voltam todos os campeonatos e volta tudo ao normal. Mas realmente está tudo um caos e se durar muito mais tempo, será uma catástrofe no futebol brasileiro nunca vista", explicou o mandatário corintiano.

Durante o período de paralisação, o Corinthians perdeu um patrocinador, sofreu corte e/ou suspensão nas verbas proporcionadas pelos outros e não recebeu cotas de TVs referentes aos direitos de transmissão das partidas. Sem contar que na ausência dos jogos, não houve o dinheiro de bilheteria que ajuda no pagamento da dívida da Arena e nos custos de manutenção do estádio.

Andrés também disse acreditar que além da pandemia, a desvalorização do real e a explosão dos valores do euro e do dólar, vão fragilizar ainda mais os clubes brasileiros em relação ao mercado externo, o que deve aumentar o número de jogadores deixando o Brasil na próxima janela, até mesmo para times menores do futebol europeu, pois os salários ficarão mais atraentes.

"Não só por causa da pandemia, mas o dólar estando a R$ 5,50, o euro a R$ 6, qualquer 'timinho' da Europa, com todo respeito, paga um milhão de euros por ano, que são R$ 600 mil por mês no Brasil, é óbvio que o jogador se atenta a isso, porque são seres humanos, são atletas, mas são comerciantes. Jogador é o corpo dele, mas ele vai onde tem o dinheiro, que é uma coisa mais lógica. Acho que todo ser humano pensa muito nisso, além de morar na Europa, que diga-se de passagem, em muitos países, é melhor do que morar no Brasil, infelizmente, tem muito mais condições, então óbvio que fragiliza muito mais", argumentou o presidente do Timão antes de completar:

"Nós temos que passar por isso, todos estão passando, cada um com as suas dificuldades, mas você pode ter certeza que os clubes estão muito mais fragilizados, perante os europeus, o leste europeu, os próprios árabes, do que estavam seis meses atrás", concluiu Andrés Sanchez.

Recentemente, o Monza, da Itália, fez uma proposta pelo lateral-esquerdo Carlos Augusto, mas os valores ainda não agradaram os dirigentes corintianos. No entanto, nos bastidores, admite-se a possibilidade de negociar jovens talentos do elenco na próxima janela. Além de Carlos, Mateus Vital, Lucas Piton, Bruno Méndez e Araos são nomes vistos com potencial para o exterior.

Vale lembrar que antes da pandemia de coronavírus, o Corinthians já passava por uma grande crise financeira. Em 2019 o clube fechou seu balanço com um deficit de R$ 177 milhões e viu sua dívida acumulada subir para R$ 665 milhões, sem somar o que ainda é preciso pagar para quitar a Arena em Itaquera.

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