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Como mudança de mentalidade fez Dudu deixar de ser "fominha" no Palmeiras

Dudu em ação pelo Palmeiras contra a Inter de Limeira - Thiago Calil/AGIF
Dudu em ação pelo Palmeiras contra a Inter de Limeira Imagem: Thiago Calil/AGIF

28/05/2020 08h00

Treino todo dia e cobrança para melhorar. Dudu diz que é assim que tem lidado com sua quarentena. Em entrevista ao LANCE!, o atacante afirmou que não descansou nem mesmo durante as férias coletivas do elenco do Palmeiras, no mês passado, e afirmou que sai irritado de campo até se faz gol. Além disso, explicou a nova mentalidade que o fez deixar de ser chamado de "fominha".

Levantamento recente feito pelo jornalista Tomás Rosolino apontou o camisa 7 como quem mais deu assistências no clube no século, com 78 passes que viraram gol. O astro é também o artilheiro do time desde 2001, balançando as redes 70 vezes em 305 jogos. Assim, sua média é bem próxima de participação direta em um gol a cada duas partidas. Mas, segundo Dudu, dá para fazer mais.

Confira a entrevista completa com Dudu

O levantamento aponta que você tem 78 assistências, cerca de 60% a mais em relação às 49 dos segundos colocados no século, que são Cleiton Xavier e Valdivia, armadores de origem. Tem explicação para uma diferença tão grande?

Difícil eu falar algo ou me comparar a eles. São caras que foram muito importantes para o Palmeiras, dois grandes jogadores, mas cada um tem a sua função dentro de campo. O que posso dizer é que sempre me cobro muito e fico feliz em estar ajudando o clube a conquistar títulos.

Para um passe virar assistência, precisa que quem recebe faça o gol. Para você, que é um especialista em assistência e gol, quanto do lance é responsabilidade de quem passa e quanto é de quem finaliza?

É claro que fazer gol sempre é mais importante e fica mais marcado, mas o último passe também é fundamental. Às vezes, esse passe é até mais difícil do que o próprio gol, mas o que vale é bola na rede. Então, vamos dizer que o gol é mais importante.

Você sempre foi líder de assistências no Palmeiras desde 2015, mas o técnico Vanderlei Luxemburgo já falou que te cobra para ser mais artilheiro neste ano. O que muda no seu jogo ou na sua mentalidade com essa cobrança dele por mais gols seus?

Eu sempre fui um jogador mais vertical, mais de correria, de partir para o um contra um. Muita gente até brincava e me chamava de fominha. Com o amadurecimento em campo, fui tentando melhorar o meu jogo, e acho que essa visão mais ampla tem a ver com isso. Hoje, consigo enxergar melhor o jogo como um todo, pensar um pouco mais antes de realizar a jogada.

Somando gols e assistências, você participou diretamente de 148 gols em 305 jogos, mantendo já há algum tempo uma média bem próxima de participação direta em um gol a cada dois jogos. Você se cobra para manter isso? Fica chateado se passa dois jogos seguidos sem fazer gol ou dar assistência?

Quem acompanha o futebol atual sabe como é difícil você manter uma média de participação direta em gol. Fico muito feliz em saber que estou no caminho certo e que o trabalho está sendo recompensado em campo. Eu sempre me cobro. Muitas vezes, a gente ganha, eu faço gol ou dou assistência e, mesmo assim, saio bem bravo do jogo. Acho que serei sempre assim, um cara que se cobra demais e sempre busca o melhor para o time.

Como tem sido a sua rotina nessa quarentena? Conseguiu curtir um pouco as férias de algum jeito no mês passado?

Férias nada. Treinei todos os dias. Muitas vezes, até mais de uma vez no dia. Trabalhamos com o nosso corpo e não podemos bobear. O pessoal do clube sabe que me cuido demais. Quando estamos trabalhando normal, sempre chego uma hora antes dos treinos para fazer meus exercícios. Quando a atividade é pela tarde, às vezes vou ao CT pela manhã para fazer meus exercícios e, também, costumo ficar fazendo mais alguns trabalhos depois dos treinos. Por isso, não posso ficar esse tempo todo parado, sem treinar. Quando o futebol voltar, teremos muitas partidas para fazer, e tenho que estar bem preparado.

Todos os jogadores falam da ansiedade de voltar a jogar, mas alguns falam ainda da insegurança que sentem de serem contagiados. Vocês conversam disso entre si?

Sim, sim. Sempre estamos conversando e também estamos acompanhando o que está acontecendo nas ligas dos outros países. É muito bom ver a Bundesliga voltando, isso nos dá uma esperança, mas temos que saber que são países diferentes, culturas diferentes, e os problemas não são os mesmos. Espero que o Brasil passe logo por isso e que as autoridades de saúde nos deixem retornar aos trabalhos, mas sempre priorizando a saúde.

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