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Fábio Carille rebate rótulo de retranqueiro: "Vai depender do elenco"

Fábio Carille posa ao ser apresentado no Al-Ittihad em fevereiro - Divulgação
Fábio Carille posa ao ser apresentado no Al-Ittihad em fevereiro Imagem: Divulgação

27/05/2020 07h51

Retranqueiro. Conservador. Teimoso. Foram muitos adjetivos pejorativos usados para julgar a segunda passagem de Fábio Carille pelo Corinthians, em 2019. Abaixo da expectativa de repetir o sucesso de seu primeiro ciclo no comando do clube, no qual conquistou o título brasileiro em 2017, o comandante acabou dispensado em novembro. Poucos meses depois, aceitou convite para assumir o Al-Ittihad.

Em entrevista ao LANCE!, o treinador rebateu o rótulo de "retranqueiro" que por vezes lhe é dado. Carille não se considera um treinador defensivo e disse que apenas seguiu a fórmula que fez sucesso no clube sob o comando de Mano Menezes e Tite.

"Não me considero um treinador mais defensivo. Como eu tenho falado sempre, o Corinthians tinha um DNA e um modelo de jogo que foi muito vitorioso por muitos anos, e eu apenas dei seguimento à uma ideia implantada pelo Mano Menezes em 2009, seguida pelo Tite. Fomos vitoriosos dessa forma. A questão de ser defensivo ou ofensivo sempre vai depender da característica do seu elenco", afirmou.

O técnico também ficou marcado pelo tom sincero de suas entrevistas coletivas. Carille afirma que é muito honesto e que este é o seu jeito, mas acabou tirando a experiência como aprendizado.

"Foi tranquilo, foi um aprendizado para mim também. Eu sou assim, sou muito sincero e às vezes acabo me expressando mal, não sendo claro em algumas coisas que disse ali naquele ano, mas como eu disse, ainda estou no início da carreira, aprendendo sempre, evoluindo", explicou.

O treinador acredita que seu maior erro no comando do Corinthians foi a falta de uma formação fixa. Por tentar encontrar um sistema que se encaixasse da melhor maneira possível ao elenco, acabou prejudicando o entrosamento do time. Entretanto, Carille também entende que a falta de opções foi relevante para os problemas da equipe.

"Sim [faltaram opções], eu já disse isso em algumas entrevistas. Creio que eu tenha errado em não dar sequência a uma formação em 2019, mexi muito no time tentando encontrar uma melhor formação, e isso tira um pouco a confiança, a sequência do time. Mas faltavam algumas características, sim, sempre deixei isso claro. Nunca se tratou de falta de qualidade, mas sim características diferentes para um equilíbrio maior", completou.

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Depois de sair do Corinthians, Carille chegou a ser procurado pelo Atlético Mineiro. O técnico afirma que não recebeu propostas de clubes brasileiros, mas revelou que aceitaria trabalhar em outra equipe do país sem maiores problemas.

"Não recebi propostas, tudo que soube de interesse foi por vocês [imprensa], mas não houve nenhum contato de fato, não. Apenas sondagens. Aceitaria trabalhar, claro. Sou profissional, ainda estou no início da minha carreira, então não vejo problema nenhum nisso. Tenho muito carinho por minha história no Corinthians, mas sou profissional", declarou.

Confira outras respostas de Carille

A influência de Tite em sua carreira

"Muito importante mesmo, todos que passaram pelo Corinthians enquanto estive lá foram importantes para a minha formação como treinador, desde o Mano, Cristóvão, Adilson, Oswaldo, Tite, enfim. Claro que fiquei mais tempo com uns e pude observar mais características, mas todos tiveram a sua parcela de importância".

O insucesso de Osmar Loss ao substitui-lo em 2018

"São muitos fatores, né? Desde a formação do elenco, a perda de alguns jogadores por lesão, uma sequência positiva que dá confiança, não dá para você cravar um motivo. O Osmar Loss é um grande profissional, que vai com certeza ajudar muito o Corinthians nesse retorno dele ao clube e tenho certeza que ainda terá um caminho muito vitorioso na sua carreira".

A saída do Corinthians em 2018 para o Al-Wehda

"Não me arrependo, foi um aprendizado. Fui para a Arábia Saudita por um projeto muito ambicioso do futebol no país, o ministro dos esportes investiu mesmo para fazer com que o futebol por lá evoluísse e, por questões de saúde, teve de se ausentar um período e isso acabou atrasando um pouco esse processo. Por isso, quando veio o convite de voltar ao Corinthians, eu aceitei".

Sobre rumores de problemas de relacionamento com o elenco em 2019

"Isso não é verdade, sempre tive um bom relacionamento com os jogadores com quem trabalhei. O diálogo era muito aberto com todos, sempre foi assim".

Sobre sua primeira experiência fora do país e o retorno para a Arábia Saudita

"Fizemos uma boa campanha, montagem de elenco de uma equipe que havia subido para a primeira divisão naquele ano, e quando eu saí, estávamos próximos da briga pelo G4 da competição, o que era acima até da expectativa do clube naquele primeiro ano. A volta foi muito tranquila, me sinto muito prestigiado na Arábia Saudita".

Críticas aos treinadores brasileiros e a chegada de treinadores estrangeiros

"Acho que é comum até esse tipo de questionamento quando profissionais muito qualificados estrangeiros veem ao Brasil e fazem trabalhos neste nível. Mas eu sempre disse isso: bons profissionais sempre vão ter espaço e vão ser bem-vindos, sejam eles de outro país, brasileiros mais novos, mais experientes. Nunca houve entre estes profissionais uma 'disputa' de nós contra eles. Bons profissionais são sempre bem-vindos".

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