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Dirigente do Santo André fala sobre futuro do Paulistão: 'O mais justo é sermos declarados campeões'

26/03/2020 14h53

Antes da paralisação do Campeonato Paulista por conta do coronavírus, o Santo André estava na liderança do Estadual. Em razão da pandemia, a Federação Paulista de Futebol decidiu interromper o torneio, ainda sem definição de quando e se voltará.

De olho nesta situação, o executivo de futebol do clube, Edgar Montemor, comentou que o clube pedirá o título caso o torneio não tenha continuidade.

- Caso a competição não retorne, a ideia do EC Santo André, é que o título seja dado para o clube, que nós sejamos considerados campeão do estadual. Mesmo porque hoje ele é o líder da competição, mas não conquistou a liderança nessa décima rodada, vem sendo o líder da competição desde quase seu início. Talvez não seja o mais justo, o mais justo seria o término da competição, mas o problema do coronavírus é mais importante. Não podendo continuar o torneio, o mais justo é sermos declarados campeões.

O dirigente também comentou sobre a ideia da equipe em relação aos rebaixados e acessos da segunda divisão para a elite do estadual.

- Não termos rebaixados, os clubes da Série A2, os dois primeiros subirem, os clubes da Série A3 também subirem. Acho que seja o mais correto. O regulamento não prevê o término da competição, não vi nenhum dispositivo regulamentando a eventual paralisação do campeonato e a não retomada. Mas, se formos usar por analogia um dispositivo que regula o término antecipado de uma partida de futebol, ali fica claro que, passado um determinado percentual de tempo de jogo e o jogo não tiver como ser retomado, a equipe que estiver vencendo, ganha a partida. Por analogia, temos uma competição, que, se não voltar, temos uma competição que já passou dos 70%, quase 80% dos jogos, e tem hoje o Santo André como campeão - declarou.

Vale lembrar que atualmente o Ramalhão lidera o Paulista com 19 pontos, mesma pontuação do Palmeiras. Porém, a equipe do ABC leva a melhor no número de vitórias: 6 a 5.

Veja outros trechos da entrevista

Como estão as conversas com a Federação Paulista sobre a sequência da competição? Há alguma definição se o torneio vai continuar?

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As conversas com a Federação Paulista, e as conversas dela com a CBF e os órgão de saúde governamentais são quase diárias. Todo mundo tentando entender até quando esse problema de saúde pública pode se prolongar e se prolongando, qual o nível, como vai afetar a continuidade dos campeonatos e o início dos torneios que virão. Em relação a definição do Paulistão, não temos uma previsão. Continua com a primeira informação que o torneio está suspenso por prazo indeterminado, sem que esse prazo seja realmente estabelecido.

Como estão as situações dos contratos dos jogadores?

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O Santo André hoje tem 26 atletas inscritos e desses 26, 22 atletas tem os contratos terminados no mês de abril. No dia sete terminam dez contratos, no dia nove mais um, no dia dez, mais seis. A sua maioria se acabam antes do dia quinze. Hoje não há uma conversa relacionada a renovação, pois não temos uma ideia de quando a competição irá voltar se caso ela volte. Então fica inviável qualquer tipo de negociação, seja dos atletas, comissão técnica e até mesmo da diretória de futebol.

Caso o campeonato continue e o Santo André precise entrar em campo, como será formada a equipe?

É difícil falar em planejamento quando você não tem um prazo estabelecido. Ah, o campeonato vai ser retomado em novembro, em agosto, em maio, você consegue se planejar. É óbvio que uma retomada da competição pós-término de contrato dos atletas sem que o Santo André consiga fazer uma conversa, torna a participação do Santo André e de outros clubes pequenos, tanto do Paulistão, quanto de outros estados, inviável, pelo menos de uma maneira competitiva. Caso a competição volte, mas demore a acontecer, nós ficaremos praticamente impossibilitados de continuar na briga pelo título.

Como o Santo André vem lidando com a crise do coronavírus?

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Em relação ao coronavírus, estamos seguindo as orientações determinadas pelo governo, pelo Ministério da Saúde. A comissão técnica e os atletas estão em suas residências, os jogadores receberam uma planilha de treinamentos para manterem a forma física caso a competição volte. Estamos resguardados nas nossas residências e esperando as coisas voltarem a normalidade. Inclusive, o Estádio Bruno José Daniel, onde mandamos os jogos, tem no seu gramado um hospital de campanha, que está sendo erguido pela Prefeitura e procurando dar mais estrutura no combate ao coronavírus.

Parte da imprensa deu a notícia de que o atacante Ronaldo, artilheiro do estadual, tem um pré-contrato com o Sport. Essa situação é real?

Em relação ao Ronaldo, o que sabemos é o que saiu na imprensa. Do acerto dele com o Sport, até com uma fala do próprio jogador, dizendo que tem um pré-contrato para que, quando terminasse aqui, ele já começasse lá. Como 95% dos atletas não tem contratos longos, essas negociações entre os futuros clubes e eles acontecem sem o Santo André participar, pois não há respaldo contratual em relação aos jogadores.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini

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