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Santo André tem atacante que já fez parte de torcida organizada

29/01/2020 08h00

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Imagine você torcer para o seu time na arquibancada e, anos depois, estar jogando na equipe, colocando toda aquela emoção de tempos de torcedor no campo. Esse é o caso do atacante Ronaldo, do Santo André. Integrante da torcida organizada Fúria Andreense no começo da década de 2000. O hoje atacante do Ramalhão tocava surdo durante os jogos da equipe nas arquibancadas do Estádio Bruno José Daniel.

Ele, inclusive, havia comprado ingresso para ver a final da Copa do Brasil contra o Flamengo, em 2004, quando o clube da região do ABC conquistou o título inédito ao vencer o Rubro-Negro por 2 a 0, com gols de Sandro Gaúcho e Elvis.

"Eu ia em muitos jogos, em casa e fora. Cheguei a reservar meu lugar para assistir ao segundo jogo da final no Rio, porém um treino me impossibilitou de viajar. Tenho alguns amigos que continuam acompanhando o time", afirmou o agora camisa nove do clube azul e branco.

Em papo exclusivo com o LANCE!, Ronaldo comentou sobre a sua experiência na Fúria, seu sentimento dentro de campo e seus planos para o futuro.

Confira a entrevista completa.

LANCE! - Você foi membro da torcida organizada Fúria Andreense e hoje pode representar o Santo André dentro de campo. O que você sentiu quando teve esta oportunidade?
Ronaldo: Foi uma mistura de prazer e responsabilidade. Afinal, eu torcia junto com alguns que estão nas arquibancadas, e hoje preciso dar o sangue para representar aqueles que viajam e incentivam o time onde quer que vá.

Conte um pouco sobre essa relação com a Fúria. Você costumava a ir em muitos jogos? Ainda tem amigos lá dentro da torcida?
Eu ia em muitos jogos, em casa e fora. Cheguei a reservar meu lugar para assistir ao segundo jogo da final no Rio, contra o Flamengo, pela final da Copa do Brasil, porém um treino me impossibilitou de viajar. Tenho alguns amigos que continuam acompanhando o time.

Qual é a sensação de olhar as arquibancadas do Bruno José Daniel e estar 'do outro lado', sentindo o apoio das arquibancadas?
Sensação única. Estou acostumado a ter amigos e familiares torcendo por mim, mas aqui está sendo diferente. Parece que tem algo a mais, uma força maior me apoiando. Pego essa força e uso como incentivo para dar o meu melhor vestindo a camisa do Santo André.

Em 2019, você marcou seis gols em 16 partidas do Paulista da Série A2, sendo um dos destaques. Agora, você terá a chance de disputar a Série A-1. Qual sua expectativa?
Não é novidade para mim. Já disputei sete Campeonatos Paulistas, sendo vice campeão em 2012 pelo Guarani e Campeão do Interior em 2017, pelo Ituano. Minha expectativa é fazer gols e ajudar o Santo André a vencer e conseguirmos realizar uma boa campanha.

Poderia contar alguma história curiosa de tempos da arquibancada? Jogos fora de casa, experiências inusitadas...
As melhores histórias lá são de quando íamos ao jogo no baú do caminhão do meu tio. Um monte de cara lá dentro, as vezes precisando abrir a porta para entrar um ar, ligeiro com a polícia para não enquadrar, depois que chegávamos no estádio para assistir ao jogo era só festa.

Você foi revelado pela Portuguesa, e jogou no Japão e na Malásia. Como foi esta experiência fora do país? Pretende voltar ao exterior algum dia?
Como profissional e pessoa, minhas experiências fora do país me acrescentaram muito positivamente. Eu cresci como ser humano, em educação, respeitar mais o próximo, aprender culturas novas. E como jogador, na parte tática, de poder me adaptar a diferentes estilos do jogo e outras coisas mais. Se tiver algo bom fora do país, com certeza irei.

Um título que ficou marcado na sua carreira é a Série B de 2015 com o Botafogo, quando você marcou o gol do título. Como foi esta experiência em um clube grande do Brasil?
Momento ímpar da minha carreira. Foi o primeiro time grande que joguei, graças a Deus fui muito bem, e pude participar efetivamente de um momento que vai ficar na história gigante do Botafogo. Na verdade, como eu já disse, estará mais marcado para mim, do que para o clube. Mas agradeço muito a Deus por ter vivido tudo aquilo.

Para finalizar, tem algum recado para os torcedores do Santo André, que está de volta à elite do Paulistão?
Aos torcedores eu posso falar que vontade e dedicação nunca irão faltar. Irei me entregar nos 90 minutos para ajudar o Santo André a vencer. Espero que os gols possam sair e que juntos podemos comemorar um grande estadual.

Procurada pela reportagem, a Fúria Andreense relembrou alguns momentos de Ronaldo em sua passagem pela torcida. Veja o texto da organização.
"Poucos da atual gestão da Fúria Andreense pegaram a época do Ronaldo , pois foi há muito tempo. Mas os que pegaram essa época lembram de bons momentos. Lembramos que ele vinha pro jogo de caminhão, estava em quase todos os jogos. Era um moleque apaixonado pelo Ramalhão, ia com a camisa do time, cantava e pulava o tempo todo na arquibancada e chegou a tocar surdo na bateria da torcida.

Por isso e também pelo futebol apresentado, o Ronaldo é um sonho antigo da torcida. Em todas as reuniões com a diretoria sempre falávamos dele, pedíamos que fosse feito um esforço para trazê-lo.

Outra prova do carinho que sempre tivemos por ele é que a Fúria Andreense é a torcida do Santo André que possui a tradição de saudar cada jogador antes do jogo, cantando o nome de cada um.

E nós cantamos o nome do Ronaldo todas as vezes que jogou contra o clube, como adversário. Assim como todos que passam pela Fúria Andreense e mostram amor ao Ramalhão, sempre teremos boas lembranças do Ronaldo, esteja aqui ou em outro clube."

O Santo André volta a campo para enfrentar o Água Santa, em clássico regional, hoje, às 16h30, no Bruno José Daniel, para tentar manter os 100% de aproveitamento no Paulistão.

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