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Análise: Botafogo sente falta de meia de origem em empate com o Ceará

09/12/2019 08h30

Alberto Valentim inovou para o último jogo do Botafogo da temporada. Sem contar com Alex Santana, o treinador optou pela presença de Marcos Vinícius, que voltou a iniciar uma partida pela primeira vez desde a 38ª rodada do Brasileirão do ano passado, contra o Atlético-MG, tendo um meio-campista mais avançado na escalação diante do Ceará, no Estádio Nilton Santos.

A equipe, que vinha atuando com três volantes na grande parte do retorno de Alberto Valentim, sentiu uma clara diferença com a nova formação. Em um primeiro momento, Marcos Vinícius e João Paulo, tradicionalmente o atleta responsável por organizar as jogadas, bateram a cabeça e ocuparam os mesmos lugares, mas, com o tempo, o sistema foi se encaixando.

Defensivamente, o Botafogo era incomodado. O Ceará, talvez pelo desespero da necessidade de um resultado para fugir do rebaixamento, frequentemente buscou as pontas para realizar suas jogadas. No miolo, Gabriel e Benevenuto anularam grande parte das jogadas, mas o Vozão assustava em oportunidades pelas beiradas. Era um jogo de aceleração, mas que não conseguia chegar ao alvo principal: algum jogador localizado na área.

Com Marcos Vinícius, o Botafogo ganhou um jogador com a movimentação de chegar na entrada da área para finalizar. Foi deste jeito, inclusive, que o meia abriu o placar: se jogando entre os zagueiros do Ceará e aproveitando um cruzamento de Luís Henrique com um toque na pequena área. Foi uma adição ofensiva considerável, portanto. O camisa 36, contudo, se machucou durante a comemoração e teve que ser substituído.

Forçado a realizar uma alteração, Valentim coloca Lucas Campos, uma ponta, no lugar de Marcos Vinícius. As características eram totalmente diferentes: saía um jogador de cadência no meio-campo para a entrada de um velocista. Em tese, seria um Botafogo ainda mais ofensivo, mas a equipe encontrou pedras no caminho para tal.

Equipe se desorganiza

Com Lucas Campos, Rhuan, originalmente na direita, foi deslocado para a faixa central do meio-campo, estando mais atrás de Vinícius Tanque. O meia-atacante teve dificuldade para se criar na marcação do Ceará atuando nesta faixa do campo, muito por conta das dificuldades físicas que possui - o camisa 28, arisco, é marcado pela capacidade de um contra um.

O Botafogo, portanto, perdeu toda a capacidade associativa. Se o primeiro já não havia sido algo marcado por um destaque positivo - com exceção do lance do gol -, a etapa complementar foi pior ainda. O Alvinegro trocava poucos passes e desperdiçou muitos lances por afobação ou pelo fato dos atletas estarem longe uns dos outros, o que dificultava a troca de passes.

As substituições de Alberto Valentim não foram boas. O treinador optou por tirar João Paulo e colocar Wenderson na metade final do segundo tempo, o que ainda não resolveu o problema de meio-campo, já que a equipe continuara espaçada sem uma referência mais avançada.

O Alvinegro sentiu falta da presença de um meia-campista de origem para atuar ao lado de João Paulo e organizar as jogadas. A entrada de Lucas Campos, por mais que o garoto não tenha comprometido, não era o que a equipe necessitava diante de uma equipe com forte marcação física na parte central do gramado. A equipe de Alberto Valentim, portanto, se despediu da temporada com uma atuação abaixo.

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