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Dez anos do Hexa: David Braz revela que pacto inicial era para não cair e conta história curiosa pós-título

06/12/2019 11h00

Dia 6 de dezembro de 2009. Bastava uma vitória. Maracanã lotado. O Flamengo entrou em campo para enfrentar o Grêmio, já sem pretensões, em busca do hexacampeonato brasileiro. O Tricolor saiu na frente do placar. Mas, aos 29 minutos da etapa inicial, um zagueiro se aventurou no ataque e acertou um chute que seria eternizado na história do clube. Este atende por David Braz.

O então camisa 40 deu início à vitória por 2 a 1, de virada e da confirmação de um caneco que não ia para a Gávea havia 17 anos. A campanha de recuperação do grupo liderado por Adriano e Petkovic foi épica e, ao LANCE!, David revela o teor de uma conversa essencial, cujo objetivo era o oposto do título: não cair.

- Quando a gente estava em 14º lugar no Brasileiro, muita gente falava que a gente estava perigando no Brasileiro. Assim nós, apenas os jogadores e já com Andrade no comando, fizemos uma reunião interna, lembro até hoje. Procuramos passar as nossas experiências. Os líderes, Léo Moura, Adriano, Maldonado, Bruno, Álvaro e Zé Roberto, começaram a falar. O principal objetivo da conversa era traçar a meta de chegar logos aos 45 pontos para se livrar do rebaixamento. O primeiro jogo da arrancada foi contra o Sport... Pouco depois, conseguimos uma sequência de três, quatro vitórias seguidas. Éramos um time que estava brigando para não cair e fizemos um trato de nos fecharmos e pontuarmos o máximo possível - falou o defensor, completando:

- Depois, quando passamos dos 45 pontos, contra o São Paulo (no Maracanã, pela 29ª rodada), estávamos em quinto e, só a partir dali, começamos a sonhar. A distância era de sete pontos para a liderança (Palmeiras). Felizmente, as vitórias nos confrontos diretos fizeram a diferença, no fim.

Hoje no Grêmio, David chegou ao Flamengo em julho, com o Brasileirão em andamento. E ele aterrissou no meio do furacão, já que, como o mesmo atleta de 32 anos lembrou durante a entrevista por telefone, o seu primeiro dia no clube coincidiu com as quedas em sequência do técnico Cuca e de Kleber Leite, então vice-presidente de futebol.

No entanto, cinco meses depois, David, que não era titular de Andrade e tinha se recuperado de uma lesão recente, foi acionado entre 11 - com a ausência de Álvaro - logo na rodada final, contra o Grêmio, para brilhar no "jogo mais marcante" de sua carreira até aqui.

- É o jogo mais marcante da minha carreira. Quando moleque, eu, criado em São Paulo, sempre sonhei em jogar num estádio lotado. Passava pelo Canindé, Morumbi, Pacaembu e Parque Antártica e pensava em realizar esse sonho. E aí, Deus me deu um jogo num estádio maior ainda, o maior do mundo, num clube que tem a maior torcida e um gol memorável para uma conquista importante, depois de tanto tempo sem o Flamengo conseguir ser campeão brasileiro.

Veja mais respostas de David Braz, campeão pelo Flamengo em 2009:

O que mais recorda com carinho daquela campanha? O grupo, os jogos memoráveis...?

A superação do grupo. Superação não só nos resultados, mas quanto às dúvidas da imprensa sobre a gente, por exemplo. Tínhamos jogadores de qualidade, mas poucos tinham fé no nosso elenco, falando que não nos importávamos com o clube e menosprezando um treinador interino (Andrade). Isso foi o que mais me marcou daquela campanha. Mostramos que não estávamos ali apenas para brigar para não cair. Tinham outros favoritos, como o São Paulo, que era o tricampeão.

A torcida o parava nas ruas antes daquele gol?

?

Eu morava em Ipanema, na Rua Barão da Torre, e, antes daquele jogo contra o Grêmio, todos me conheciam, jogador do Flamengo, mas não era tietado quando saía de casa... Era reserva também, né?

E como foram as primeiras horas pós-Hexa?

Meu irmão, acabou o jogo, depois de muito comemorar no vestiário, fui passar em casa para tomar banho e ir para a festa do Adriano. Quando estava perto, vi que as ruas já estavam lotadas de flamenguistas. Eu não conseguia passar com o carro... Foi aí que o meu porteiro tomou a pior escolha da vida: avisou aos torcedores que eu estava dentro do carro, para pedir passagem, e me explanou (risos). Bastou isso para os torcedores me tirarem do carro, me abraçarem, agradecerem, oferecem e jogarem cerveja... Meu pai teve que entrar com o carro sozinho em casa. Sabia da importância do título, foi prazeroso demais.

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