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Caminhada para o acesso e projeto nos EUA: Ney Franco abre jogo ao L!

27/11/2018 07h30

Após três temporadas bem complicadas na Série B, o Goiás confirmou a sua volta para elite do futebol nacional em 2019. O Esmeraldino teve um início de temporada duvidoso e chegou a ocupar a zona de rebaixamento na Segunda Divisão do Brasileiro, mas imprimiu uma arrancada na competição, que foi essencial para a principal conquista da temporada. Além disso, teve um herói, de certa maneira, improvável.

Ney Franco chegou ao Goiás na quinta rodada da Série B e encontrou um contexto difícil. Para ajustar, se envolveu com partes fora de campo para conseguir o objetivo final. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o treinador revelou que se concentrará em seus projetos nos Estados Unidos. Por isso, sua permanência no Goiás ficou comprometida.

O técnico foi contratado em maio para substituir Hélio dos Anjos e deixa o Goiás na Série A do Campeonato Brasileiro. No total, ele comandou o time em 34 jogos, com 18 vitórias, 5 empates, 11 derrotas. Com Ney Franco foram 51 gols feitos e 42 sofridos.

- Em 2019, logicamente, é está trabalhando no meio do futebol. Paralelo a isso, tenho um trabalho nos Estados Unidos: a Ney Franco Soccer Academy. Além da gente oferecer aulas para os garotos, de quatro a 16 anos, esse ano, nós teremos uma competição para veteranos, que vai acontecer paralelamente a Florida Cup. A gente fez uma Associação com os organizadores da Florida Cup, que irão o São Paulo e o Flamengo. Também estamos organizando uma competição de equipes veteranos, com jogadores acima de 38, e outra com atletas acima de 50 anos - disse.

- Além disso, também estamos estudando uma academia, que também terá o meu nome, em Florianópolis. Então, junto ao futebol tenho esses projetos e espero que em 2019 seja totalmente positivo com relação ao trabalho - complementou.

O comandante do Goiás relembrou de sua chegada e como encontrou o time. Ele ressaltou que a equipe teve um movimento natural de união para assimilar o novo esquema que seria adotado por ele.

- No início, eu peguei uma equipe com um esquema de jogo, com mais marcação, um forte sistema defensivo. Aos poucos, eu fui alterando as característica do time, ao colocar um 4-3-3, o que fez diferença. Depois disso, a equipe teve um poderio ofensivo e que fez muitos gols na competição, sendo uma proposta para que o time, na ocasião, saísse da zona de rebaixamento. Nós estávamos na 19ª posição e o envolvimento dos atletas foi fundamental para que o esquema fosse aplicado - disse.

Ele ainda afirmou que já esperava o acesso, pelo que o grupo apresentou nas semanas em que chegou. Além disso, ressaltou que terá reunião com a diretoria na próxima semana para decidir se fica no clube em 2019. Nas atuais circunstâncias, o provável é que o comandante permaneça.

- O acesso eu sempre esperei. Eu vim por isso e tinha certeza que se fizesse um trabalho bom, poderíamos garantir. Com relação a renovação, na próxima semana, vamos definir a nossa situação à frente do Goiás.

LANCE!: Como chegou a proposta do Goiás para você. Qual foi sua sensação e onde estava?

Ney Franco: Eu recebi a proposta do Goiás e estava em casa. Aliás, o clube já tinha acabado de jogar um clássico contra o Vila Nova logo na quarta rodada do Campeonato Brasileiro, da Série B. Eu recebi um telefonema do Túlio Lustosa, que é diretor de futebol, após o jogo no início da noite, perguntando da minha situação. Eu estava em Orlando. E depois houve toda negociação. O Goiás é um clube que já tinha feito oferta duas vezes. A primeira aconteceu em 2010, quando eu estava na liderança da Série B dirigindo o Coritiba, e eu não poderia deixar o trabalho. E no final de 2015 e começo de 2016, eu tinha me mudado para os Estados Unidos, e uma semana antes eles me telefonaram e também não pude aceitar o convite. Agora, desta vez foi diferente, porque eu já queria voltar. No momento que recebi o convite, tive que estudar o elenco do Goiás, a estrutura do clube eu já conhecia, vi que estava no início da Série B e para mim seria mais um difícil na carreira pela grandeza do clube.

LANCE!: O que representa, financeiramente, o acesso do Goiás para elite do futebol?

Ney Franco: O Goiás passava por um problema e se não subisse para Série A teria uma quebra da receita enorme. Hoje, o Goiás tem uma verba de televisão de R$ 34 milhões, se o time não garantisse o acesso, essa verba se reduziria para R$ 6 milhões. Eu me envolvi com esses problemas, criando um afeto pelo clube.

LANCE!: Após conquista do acesso, qual seria o time ideal, que fez diferença dentro de campo, para você?

Ney Franco: A equipe se recuperou com o 4-3-3 com: o goleiro Marcos, Alex na lateral-direita, o Deivid, que é um jovem atleta, o Victor Ramos e o Ernandes, lateral-esquerdo. Formando um meio-campo com apenas um volante, o Gilberto, em seguida o Geovânio, o Renato Cajá. No ataque, tivemos a grata surpresa do Michael, o Lucão, que também recuperamos e na ponta esquerda o Carlos Eduardo, que acabou sendo negociado pelo alto rendimento com clube Pyramids, do Egito.

LANCE!: Logo depois de sua chegada o time conseguiu uma arrancada, que foi essencial para a conquista do acesso. O que fez para implementar seu estilo de jogo tão rápido?

Ney Franco: Essa arrancada foi devido ao bom relacionamento do grupo. Além disso, propus um treinamento com intensidade alta, definimos uma forma de jogar e que os atletas entenderam. Então, foi uma série de fatores junto com o suporte que o clube nos deu. O primeiro objetivo era sair da zona de rebaixamento para tentar se aproximar do G4 ao término do primeiro turno. E conseguimos. No segundo turno, tínhamos o objetivo de ser campeão na segunda metade do campeonato, e consequentemente, nos levaria para a Série A. Além disso, conseguimos essa arrancada histórica.

LANCE!: Ao longo da temporada, o Atlético Nacional (COL) fez uma proposta para comandar o time. Por que preferiu a permanência no Goiás?

Ney Franco: Foi muito interessante receber essa proposta, que mostrou a valorização do meu trabalho. Eu fiquei impressionado como o Atlético Nacional de Medellín, que é um dos clubes mais tradicionais da América do Sul, como eles conheciam meu currículo. E optei ficar por aqui, porque eu já estava no meio do projeto, já tinha afinidade com o clube, com o elenco. E recusei, porque achei que minha ausência seria prejudicial no projeto do Goiás e não fiquei confortável para sair.

LANCE!: Depois da arrancada, teve uma sequência de três jogos sem vitória e a torcida já esboçava uma crise. Como passou situação para os jogadores?

Ney Franco: No momento da reta final do Campeonato tivemos uma queda. Com três tropeços dentro de casa: empate com Londrina, que cresceu muito no segundo turno, logo depois empatamos com a Ponte Preta e era um momento que a gente poderia se aproximar do líder, mas vacilamos. E o outro foi contra o Criciúma, que o time catarinense conseguiu empatar o duelo em 2 a 2, nos acréscimos. Depois disso, houve uma pressão por todas as circunstâncias, mas soubemos controlar e garantir o acesso com uma rodada de antecedência.

LANCE!: A estrutura do Goiás também foi um diferencial para ida à Série A?

Ney Franco: Em termos de estrutura, o Goiás tem uma das melhores do país. É um time de Primeira Divisão, sem dúvida. Além de estrutura física, com dois Centros de Treinamento, as pessoas que trabalham no dia a dia foram essenciais para conquista do acesso.

LANCE!: Para aliviar a pressão, houve pessoas que fizeram manter o sonho do seu objetivo vivo até o fim?

Ney Franco: Sem dúvida. A família sempre está por trás. Para vir de Orlando, eu conversei muito com minha esposa, que é uma incentivadora da minha carreira. Além dela, tenho os dois meus outros filhos, que estão morando nos Estados Unidos, e que me dão suporte necessário. E com eles por perto, trabalho com mais vigor e que auxiliam em nossa caminhada.

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