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Ao L!, Souza comenta sobre o futebol árabe: 'Nível está subindo bastante'

25/11/2018 08h00

Revelado no Vasco da Gama, o meio-campista Souza, com passagens por Grêmio, São Paulo e Porto, deixou o Fenerbahçe nesta temporada, após três anos, e foi contratado pelo Al-Ahli, da Arábia Saudita, por 12 milhões de euros, cerca de R$56 milhões.

Com 29 anos de idade, o jogador, que já teve passagem pela Seleção Brasileira, chegou com tudo na Arábia Saudita e já se tornou um dos xodós da torcida do Al-Ahli, sendo duas vezes consecutivas o melhor jogador do mês pelos torcedores.

Ao LANCE!, com exclusividade, o jogador falou sobre o motivo de deixar a Turquia, onde era ídolo da torcida, e curiosamente era chamado pelo seu primeiro nome pelos torcedores: Josef.

- O que me fez vir para Arábia foi o numero crescente de brasileiros que vieram pra cá. A liga teve um aumento na qualidade e de número de estrangeiros por equipe. Estava a três anos no Fenerbahçe e eu achei que seria o momento de mudar para tentar ser campeão e marcar história em outro clube. Claro que a parte financeira também ajudou, mas eu vejo o Campeonato Árabe em uma crescente e eu quero fazer parte de tudo isso - disse o jogador.

Outro motivo que o fez desembarcar no futebol árabe foi a internacionalização do campeonato. A competição conta com muitos treinadores de diferentes nacionalidades e continentes. Segundo o brasileiro, esse fator só faz com que o nível da liga cresça, já que cada um traz uma ideia de jogo para seu time.

- Quase todos os times têm técnicos que são sul-americanos ou europeus. Então, eles trazem a cultura, a sua forma de trabalhar para o país, e isso tem ajudado muito as equipes. Isso tem subido o nível do futebol árabe, acho que é importante para que daqui a alguns anos os jogadores árabes evoluam, e que a seleção daqui chegue a lugares maiores - destacou.

Em pouco tempo de Arábia Saudita, Souza já demonstrou seu bom futebol característico. O brasileiro atuou em oito partidas e já deixou um gol. Suas boas atuações lhe renderam o prêmio de melhor jogador do mês por dois meses consecutivos.

- Assim que cheguei achei que não ia me adaptar rápido por conta do calor, mas graças a Deus meu desempenho e minha confiança estão melhores do que na Turquia, tenho conseguido demonstrar isso nos jogos, e os torcedores têm visto isso. Por dois meses consecutivos fui eleito o jogador do mês e espero poder continuar no mesmo nível, já que pagaram muito caro pela minha vinda. Então, tenho que retribuir da melhor forma dentro de campo, dando o meu melhor, respeitando meus companheiros e aqueles que investiram em mim - afirmou.

Mesmo longe, Souza também fez questão de relembrar sua passagem pelo Vasco da Gama, time que o revelou para o futebol. O brasileiro confessou que tem vontade de retornar a São Januário e torce para que o Cruzmaltino tenha dias melhores.

- Minha passagem pelo Vasco foi muito boa, apesar eu ter subido novo como jogador da base. Pretendo voltar para o clube um dia. Espero que o clube possa voltar aos dias de glórias, o Vasco é um clube muito grande, que tem uma torcida imensa, e que merece voltar a sorrir - declarou.

Veja outros trechos da entrevista do LANCE! com Souza:

L!: Quais os principais objetivos do Al-Ahli para esta temporada?

Souza: Estamos na terceira colocação, a três pontos do segundo (Al-Nassr), e a oito pontos do líder (Al-Hilal). Perdemos na última rodada para uma equipe mediana e agora ficou um pouco mais difícil a nossa situação. Temos muitas rodadas pela frente, o campeonato está no início. Foram apenas nove jogos e ainda falta muita coisa, mas sabemos que precisamos tirar essa vantagem do primeiro colocado para poder brigar pelo titulo. Sabemos que não é fácil, o clube é grande, temos condições de reverter essa situação.

L!: Você já marcou um gol e deu duas assistências, além de ser querido pela torcida do clube, mas quais são seus objetivos pessoais?

Souza: Conversei com o treinador e ele pediu para jogar mais ofensivamente, porque ele sabe das minhas qualidades, e quer que eu marque mais gols, creio que meus números vão aumentar por isso. Quero sempre ser o melhor, tanto como foi na Turquia, independentemente do desempenho da equipe. Claro que eu quero que o time esteja bem para eu poder estar bem, mas eu tenho que estar bem sempre, no meu melhor nível para ajudar o time. Quero ser campeão, mas se não acontecer, quero ser um dos melhores da minha posição.

L!: Você teve propostas de outros clubes antes de ir para o Ah-Ahli?

Souza: Oficialmente, não tive outras propostas. A única proposta que recebi foi do Al-Ahli. Ano passado teve a do West Bromwich, que acabou não fechando por detalhes. Fechei com o Ahli com poucos dias para encerrar a janela e resolvemos tudo muito rápido. Foi o desejo meu, da minha família e o Ahli queria muito que eu viesse, estou muito feliz aqui, e estou em adaptando ainda mais todos os dias.

L!: No Fenerbahce foram mais de 100 partidas, com 16 gols marcados e status de ídolo. Como você avalia sua passagem no clube turco?

Souza: Foi positiva, e percebi que os torcedores sentem muito minha falta, assim como a equipe, que caiu de rendimento quando eu saí. Eu fui na Turquia alguns dias atrás, estive com o treinador, com o presidente, com torcedores, com alguns jogadores e pude perceber isso, que eles sentem falta do espírito que sempre deixei dentro de campo. Individualmente, posso dizer que minha passagem pelo Fenerbahçe foi muito boa. Espero fazer o mesmo no Al-Ahli.

L!: Você tem usado o Instagram para dar conselhos para os mais jovens e compartilhar sua experiência. O que te motivou a fazer esse trabalho? Qual a importância dele?

Souza: Queria ajudar aqueles que estão passando por momentos difíceis. O jogador de futebol tem uma prisão dentro de si que normalmente não conta para ninguém. A gente acaba vivendo isso no dia a dia e não colocamos para fora, isso acaba fazendo mal. Com esses vídeos, eu quis poder despertar um pouco mais nos jogadores a ajuda em Deus, para que possam superar os momentos difíceis como todo mundo. Fiquei muito feliz com o retorno que tive de muitos jogadores, de todas as idades, dizendo que estão passando por um momento complicado e que o vídeo ajudou. O jogador de futebol tem que entender que qualidade e físico são essenciais, porém se você não tiver uma cabeça boa para assimilar os momentos ruins e dar a volta por cima, de nada vale a qualidade que você tem.

L!: Você foi muito novo para Portugal, para vestir a camisa do Porto. Acha que a falta de experiência pesou para não ter ficado mais tempo nos Dragões?

Souza: O Porto foi uma experiência muito bacana. Fui muito novo, onde eu cheguei e me deparei com uma equipe com jogadores que despontaram para o mundo como o Otamendi, João Moutinho, James Rodríguez, Hulk, Falcao García... Tinham muitos jogadores de qualidade. Eu cheguei novo lá e demorei um pouco para me adaptar, mas cheguei, fui feliz, passei um ano e meio lá, ganhei cinco títulos, fiquei contente por contribuir, mas claro, a inexperiência contou bastante e fez com que eu voltasse para o Brasil.

L!: Tem um carinho especial maior por algum dos times que vestiu a camisa no Brasil, além do Vasco da Gama? Afinal, você jogou por Grêmio e São Paulo...

Souza: Difícil falar de ter um carinho maior por um ou por outro. São dois grandes clubes, conhecidos mundialmente, dois gigantes da América Latina, campeões de tudo. Então, são dois clubes de diferentes culturas. O Grêmio foi o clube que me deu a oportunidade de voltar ao Brasil, a torcida e a diretoria me acolheram muito bem. A única coisa que faltou foi um título, mas agradeço pelo carinho que a torcida ainda tem comigo. Já o São Paulo foi o clube que me levou até a Seleção Brasileira, por isso sou muito grato. Recebo pedidos de torcedores para eu voltar, recebo o carinho da diretoria quando visito o clube... Eu acho que deixei um boa história apesar de não conquistar títulos nos clubes, mas as torcidas sempre reconheceram que eu sempre quis dar o meu melhor. Sou grato por ter jogado nestes dois grandes clubes e não tenho uma preferência.

* Sob supervisão de Hugo Mirandela.

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