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Comitê diz que Copa América terá '100% de recursos privados' em obras

28/09/2018 08h10

Após 30 anos, o Brasil voltará a ser palco da Copa América, que terá a sua 46ª edição entre os dias 14 de junho e 7 de julho de 2019. Será a quinta vez que ela é disputada no país. A competição dá sequência a uma série de grandes eventos esportivos realizados em território brasileiro, na sequência de Copa do Mundo, em 2014, e Olimpíada, 2016. A disputa terá as dez seleções filiadas à Conmebol, além dos times representantes do Catar e Japão.

Na última semana, a entidade responsável pela organização do torneio divulgou as cidades e estádios que sediarão os confrontos. Com a aprovação da proposta de utilização dos estádios apresentada pelo Comitê Organizador Local, foi definido que a abertura será no estádio Morumbi, do São Paulo, e a final no Maracanã, no Rio de Janeiro. O Mineirão (Belo Horizonte) e a Arena do Grêmio (Porto Alegre) receberão as semifinais, e a lista se encerra com a também paulista Allianz Parque, do Palmeiras, e Arena Fonte Nova (Salvador).

Comandada por Tite, a Seleção Brasileira fará sua estreia no Morumbi, único estádio entre os escolhidos que passará reformas - previstas desde antes do anúncio oficial da Conmebol. De acordo com o blog De Prima, no cronograma de obras estão troca de refletores, instalação da sala de VAR (árbitro de vídeo), reforma dos vestiários, ampliação das tribunas de imprensa e instalação para sala de tradução simultânea.

No momento em que o país tenta sair de uma crise, a expectativa pela chegada da Copa América divide os brasileiros, que se mostram preocupados com a origem dos recursos que serão investidos para a realização de reformas e do espetáculo que reunirá diversas nações. Por se tratar de um evento organizado por uma entidade não-governamental, a tendência é de que não haja repasse de dinheiro público. O fator é confirmado pelo Gerente Geral de Esportes Thiago Jannuzzi, que assegura que "o Comitê Organizador Local não realizará obras e fará uso de recursos 100% privados na organização do evento".

Voltando quatro anos na história do futebol brasileiro, afirmações semelhantes foram feitas por líderes do país antes da Copa do Mundo de 2014, como destacado pela Agência Pública:

- Não haverá um centavo de dinheiro público para os estádios da Copa - disse Orlando Silva Júnior, então ministro dos Esportes do governo Lula, em entrevista concedida em 2007. No entanto, no ano do Mundial o discurso já era diferente. Enfrentando diversas manifestações contrárias à realização da Copa do Mundo durante um período de grande dificuldade econômica, Dilma Rouseff - presidente do país na época - declarou em entrevista ao portal português Público que "quando o governo notou que nem meio estádio sairia do papel, se viu obrigado a canalizar fundos públicos para a construção das infraestruturas".

Aos poucos, os funcionários do alto escalão do Brasil foram revelando as tentativas falhas em mobilizar iniciativas privadas para bancar com os gastos com estádios da Copa do Mundo, planejamento que também deve ser utilizado na Copa América 2019. Em maio de 2014, o Secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho disse em entrevista ao UOL que "Havia uma pretensão, uma expectativa de que pudéssemos mobilizar a iniciativa privada para que ela desse conta [dos investimentos em estádios], (.) [mas] houve uma contradição entre o que se esperava e a realidade".

De acordo com dados obtidos pela Agência Pública, entre o fim de maio e início de junho de 2014, no Portal da Transparência da Copa, supervisionado pela Controladoria-Geral da União, governos estaduais utilizaram pelo menos R$ 4,8 bilhões de dinheiro público na construção ou reforma de dez dos 12 estádios utilizados no Mundial. Os governos do Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro solicitaram, juntos, empréstimo de R$ 2,3 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), valor que será pago entre 2025 e 2027 com recursos arrecadados pelo próprio estado. Um outro empréstimo foi feito ao governo carioca pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), no valor de R$ 250 milhões, além de ter utilizado parte de um empréstimo de R$ 1,2 bilhão com a Caixa Econômica Federal para suprir os gastos com a reforma do Maracanã.

Os altos valores de verbas pública direcionados à Copa de 2014 deixaram um legado de frustração nos brasileiros, além de estádios que se ficaram como "elefantes brancos", como o Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena da Amazônia.

A fim de esclarecer os investimentos que serão feitos em possíveis obras para a realização da Copa América no Brasil, o LANCE! conversou com o gerente geral de Esportes, Thiago Jannuzzi, membro do Comitê Organizador Local. Confira a entrevista!

Como foi o processo da escolha dos estádios?

O processo de escolha dos estádios da Conmebol Copa América Brasil 2019 foi iniciado em fevereiro deste ano. Desde então, foram realizadas inúmeras vistorias e análises técnicas com o objetivo de tirar dúvidas e aprimorar o entendimento sobre a operação de cada instalação.

Além dos aspectos operacionais foram avaliadas também questões como capacidade de público e o entorno do estádio, assim como aspectos financeiros e técnicos de cada cidade, como oferta de hotéis e locais de treinamento com qualidade.

Ao final do processo, selecionamos estádios modernos, com grande capacidade de público e que tenham operação regular em partidas de futebol e shows internacionais. Combinamos estádios usados na Copa do Mundo da FIFA 2014 com outros que ainda não participaram dos grandes eventos realizados no Brasil.

Por que o Mané Garrincha, terceiro estádio mais caro do mundo de acordo com a Pluri Consultoria, não está entre os escolhidos? É apenas pela distância?

Além da premissa de não termos o atleta viajando mais do que 3 horas entre as sedes, como forma de preservar sua recuperação física e a qualidade do espetáculo, levamos em conta, principalmente, o fato de o estádio ter ou não uma equipe com operação regular para partidas de futebol e outros eventos, como shows.

No caso específico de Brasília, o estádio local não tem um modelo operacional regular. Em muitos casos, é o próprio promotor que faz a operação do seu evento. O custo de se montar uma equipe para apenas um mês de operação sairia mais caro do que utilizar uma equipe que está instalada em um estádio. Trabalhamos com o uso eficiente dos nossos recursos.

Há a necessidade de que sejam realizadas obras nos estádios escolhidos para receber partidas da Copa América, mesmo após as reformas para a Copa do Mundo de 2014?

O Comitê Organizador Local pretende utilizar o máximo possível da infraestrutura existente nos estádios. Caso haja a necessidade de estrutura temporária esse custo será de responsabilidade do Comitê.

O que precisa mudar nos estádios em questão de infraestrutura para receber a Copa América?

Não existem demandas estruturais nos estádios para o evento. Algumas estruturas complementares serão instaladas para atender necessidades específicas da competição, como por exemplo, uma área de mídia compatível com a quantidade de profissionais que trabalharão na CONMEBOL Copa América Brasil 2019.

A interferência é mínima do Comitê Organizador Local. Os estádios manterão suas atividades rotineiras. Trinta dias antes da competição, o gramado do estádio entrará num período de preparação final para a competição, logo ele será resguardado e não haverá atividades em cima dele até o início do torneio. Durante a competição, o Comitê Organizador terá 100% de controle sobre os estádios nos dias de jogo e véspera de jogo. Nos demais dias, haverá um uso compartilhado.

As reformas nos estádios brasileiros para a Copa do Mundo de 2014 foram ligadas à diversos escândalos de encarecimento no valor, principalmente relacionados à Lava-Jato. De que forma o Comitê poderá apresentar os gastos com obras ao público para que não haja desconfiança?

O Comitê Organizador Local não realizará obras e fará uso de recursos 100% privados na organização do evento.

Já existe um orçamento do valor que será gasto com reformas? Haverá investimento público?

A premissa básica do Comitê Organizador Local é não receber recursos públicos. Nossos recursos são 100% privados, vindos da venda de ingressos e de parte da receita dos patrocínios e dos direitos de TV que receberemos da Conmebol. Como já respondido acima, não haverá gastos com reformas.

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