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Após polêmicas, Corinthians não veta política a atletas, mas faz ressalva

20/09/2018 06h30

As eleições deste ano no Brasil têm gerado manifestações de atletas e rendido polêmicas às vésperas do pleito para a presidência da República. Diante do momento delicado, o Corinthians opta por deixar seus atletas livres para se manifestarem da forma que quiserem. Com uma ressalva: deixando claro que a opinião de cada jogador não reflete o clube como um todo.

Nesta semana, o volante Gabriel foi perguntado sobre o assunto em entrevista coletiva e respondeu de acordo com o que o Corinthians considera razoável na questão. Ele se posicionou no campo ideológico, mas não tomou partido entre candidatos. Assessores do clube procuram orientar os atletas antes de entrevistas sobre os mais variados temas e, diante do cenário atual, política tem sido abordado. A recomendação é sempre de ficar livre para opinar, mas com o alerta do que pode ocorrer em caso de abertura de voto.

- Cada um tem sua opinião, meu voto é igual o seu. Logico que tem de ser mudado algo no Brasil, a gente é uma potência, tanta coisa para explorar, Amazônia, tanta coisa e a gente está vendendo para fora. Não dá para entender. Tenho pontos de vista, que ainda prefiro guardar para mim, mas acho que precisa de alguém firme, mas também não tão firme, porque a coisa já está borbulhando aí, então acho que quem chegar, tem que ser não tão assim. E também acredito que tudo não está só nas mãos dos políticos, passa pela população, que tem muita força, a voz. E precisa melhorar também, eu me incluo - afirmou Gabriel.

A declaração de Gabriel passou ilesa às polêmicas que têm atingido outros jogadores e instituições no futebol. No último domingo, o volante Felipe Melo, do Palmeiras, virou assunto ao dedicar o gol de empate contra o Bahia a Jair Bolsonaro, candidato do PSL que lidera a corrida presidencial. Nas redes sociais, o jogador recebeu críticas e apoio pelo posicionamento favorável ao controverso candidato.

O mesmo tinha acontecido com o meia Lucas, revelado pelo São Paulo, atualmente no Tottenham (ING). Ele também externou apoio a Bolsonaro e foi criticado em suas redes sociais. Com passagem pela base do Corinthians, o jogador discutiu com alguns seguidores. A situação chegou à Inglaterra e, segundo o portal UOL, fez o clube blindar a questão.

Nesta semana, a questão política chegou às torcidas. Maior organizada do Corinthians, a Gaviões da Fiel teve uma carta publicada pelo seu presidente Rodrigo Gonzalez Tapia, conhecido como Digão, em que se posiciona contra Bolsonaro, considerado de extrema-direita. No texto intitulado "Gavião não vota em Bolsonaro", o líder da torcida elenca razões e cita a história da instituição como argumento para não votar no candidato. Novamente, houve posicionamentos contrários e favoráveis nas redes.

No geral, é incomum jogadores se manifestarem sobre política. No Corinthians, o meia Rodriguinho chegou a abordar o assunto em entrevistas. Atualmente, ele atua no Pyramids, do Egito. Recentemente, o meia Jadson também se mostrou favorável a Bolsonaro, mesmo caso do centroavante Roger, quando ainda não pertencia ao Timão.

No caso do Corinthians, a questão ganha mais força por conta do histórico de envolvimento político, a citar o movimento Democracia Corintiana, encabeçada pelo ex-meia Sócrates, considerado um expoente da militância política no esporte. O próprio presidente Andrés Sanchez tem trajetória política. Ele foi eleito Deputado Federal (PT-SP) nas eleições passadas, mas avisou que não tentará reeleição agora e prometeu, inclusive, se licenciar assim que assumisse a presidência, mas não ocorreu.

Em nota oficial enviada à reportagem, o Corinthians definiu a forma como trata o assunto da política no grupo:

"O Sport Club Corinthians Paulista preza pela liberdade de seus atletas, funcionários e colaboradores, como é de conhecimento geral. Sempre respeitando o lado político-partidário de cada um. Mas ressalta que nenhuma opinião emitida por um destes não reflete a do clube como organização".

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