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Marinho diz que Fla era sua primeira opção antes de acertar com time chinês

Divulgação / Changchun Yatai
Imagem: Divulgação / Changchun Yatai

24/02/2017 07h30

Extrovertido e habilidoso! Assim é conhecido o atacante Marinho, novo reforço do Changchun Yatai para a disputa da temporada. O jogador será mais um brasileiro a atuar no milionário futebol chinês. Por muito pouco, a experiência no exterior não se concretizou, uma vez que ele quase se transferiu para o Flamengo.

O interesse do time rubro-negro carioca surgiu logo após o fim do Campeonato Brasileiro do ano passado, torneio no qual Marinho foi um dos grandes destaques, com gols, lindas jogadas e futebol de primeira linha. Para coroar, ajudou o Vitória a se salvar do rebaixamento.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Marinho fala da proposta do Flamengo, comenta a engraçada entrevista que concedeu após um jogo do Ceará, em 2015, e sobre suas primeiras impressões do futebol chinês.

Você chegou ao Changchun Yatai nesta temporada. Apesar do pouco tempo no clube, o que já pode perceber em termos de estrutura e ambição do time para o Campeonato Chinês?
O clube investiu para fazer uma grande temporada. Nosso objetivo é, sem dúvida, fazer um campeonato regular para terminar em uma boa colocação. Vamos pensar passo a passo para ganhar confiança aos poucos.

Como está o processo de adaptação ao futebol chinês?
O futebol chinês é muito dinâmico. Eles gostam bastante de jogadas em velocidade e isso pode me ajudar, até porque é a minha característica, de partir para cima, sempre em direção ao gol. Não tive nenhum problema de adaptação. Estou muito motivado para fazer um grande ano no clube.

Como está sendo a preparação da equipe para a temporada? Ela já está pronta para o início dos campeonatos?
Fizemos uma pré-temporada muito forte, realizamos amistosos e tivemos bom desempenho durante essas partidas. Acredito muito que o nosso grupo pode fazer uma boa temporada em 2017. Até a estreia (dia 4 de março contra o Shanghai SIPG) estaremos no nível que queremos.

O Guangzhou Evergrande vem dominando o futebol no país. O Changchun Yatai ou alguma outra equipe pode desbancar o time de Felipão na Super Liga Chinesa?
Sem dúvida é um clube que vem fazendo grandes temporadas e montando elencos muito fortes, mas no futebol tudo é possível. Temos que pensar alto do início ao fim da temporada. Se vamos desbancá-los, só o tempo vai dizer. De qualquer forma, o campeonato tem grandes equipes e todas vão buscar seus objetivos.

Como você vê esse boom de contratações multimilionárias do futebol chinês nestas últimas temporadas? Você esperava ser mais um brasileiro atuando no país?
Os chineses estão investindo muito para desenvolver cada vez mais o futebol no país e os estrangeiros têm papel fundamental neste processo. Nós temos essa responsabilidade de ajudar neste sentido. Quando recebi a proposta não pensei muito, até porque era um negócio muito bom para todos.

Você fez um excelente Campeonato Brasileiro pelo Vitória e despertou o interesse de diversos clubes do Brasil e do exterior. O que te levou a acertar a proposta do Changchun Yatai?
Na verdade a gente não pensa somente nos valores. Claro que isso conta muito, mas a evolução do futebol chinês me deixou motivado a aceitar esse desafio. Muitos brasileiros estão no país e isso me deu ainda mais vontade de atuar na China. Estou feliz com tudo que tenho vivenciado aqui nesta pré-temporada.

O que faltou para acertar com o Flamengo, que era o clube brasileiro que mais demonstrou interesse? O Rubro-Negro carioca era, de fato, sua primeira opção se saísse do Vitória?
Naquele momento, se fosse sair do Vitória, a primeira opção seria o Flamengo. Meu pai torce para o Flamengo e tinha esse sonho. Muita coisa iria influenciar. As propostas de outras equipes foram muito bacanas também. Mas acabou o Vitória não aceitando os valores, o que é normal, por isso não acertamos com o Flamengo.

Você começou sua trajetória profissional no Fluminense. O que faltou para ter mais sequência nas Laranjeiras?
Comecei a carreira em Alagoas e depois acabei seguindo para o Santos, onde tive uma rápida passagem, depois fui para o Fluminense. Subi para o profissional e tive bastante oportunidades, principalmente com Renato Gaúcho, que me fez aparecer para o futebol. Nós queríamos renovar por dois anos, o Fluminense por um, e não chegamos a um acordo naquele momento, o que acabou dificultando minha permanência no clube. Na época havia grandes jogadores, como Dodô, Leandro Amaral, Washington. E mesmo com esse grande elenco, tive oportunidades. Foi uma experiência fantástica.

No Internacional, também não jogou muitas partidas. A que você credita essa falta de chances no Colorado?
No Internacional fui contratado após minha passagem pelo Fluminense. Estava muito empolgado com a oportunidade de vestir a camisa de mais um grande clube. Esperava ter mais chances no clube, mas as coisas não aconteceram. A equipe, que era muito forte, já estava formada, o que é normal. Achei que poderia ter mais oportunidades, até porque tinha jogado uma Série A pelo Fluminense. Não seria uma novidade para mim. Mas não podemos culpar ninguém. Acontece no futebol e não podemos lamentar. O futebol é bom por isso: muitas vezes não dá certo em um lugar, vai dar no outro. Tive o prazer imenso de vestir a camisa também.

No Ceará, você voltou ao cenário do futebol com mais destaque. Mas ficou conhecido também por uma entrevista após o jogo, no qual havia levado cartão amarelo e ficado suspenso, mas não lembrar do fato. Até hoje as pessoas brincam com a situação? Como foi e o que passou na sua cabeça na hora?
Muita gente brinca, sim, e acho divertido. Não ligo, de jeito nenhum. Foi um momento em que estava saindo do jogo em que fiz um gol aos 48 minutos do segundo tempo. Me deu um branco na hora e aconteceu isso tudo, mas é muito divertido.

Não pensou que poderia ficar marcado por conta dessa entrevista do que propriamente pelo seu futebol?
Não, até porque consegui provar que não sou o Marinho apenas daquela entrevista. Fiz um grande ano em 2016 com o Vitória e a entrevista já ficou um pouco para trás.

A sua passagem pelo Vitória foi a melhor de sua carreira. Por que o ano de 2016 foi tão bom? O que ele foi diferente dos outros para você ter tanto destaque?
O ano de 2016 foi perfeito para mim em todos os sentidos, dentro e fora de campo, e agradeço ao Vitória por tudo que aconteceu comigo na última temporada. Acredito que o bom ambiente que vivi no clube e com o torcedor fizeram com que tudo ocorresse como planejei.