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Coaracy defende CBDA e empresa acusada, e vê perseguição de rival

21/09/2016 15h35

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, defendeu a entidade das acusações do Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo sobre desvio de recursos e fraude na contratação de materiais esportivos, e afirmou que ele e os responsáveis pela fornecedora irão processar seus opositores políticos.

O dirigente atribuiu as acusações a uma perseguição de Miguel Carlos Cagnoni, que preside a Federação Aquática Paulista (FAP) e é candidato de oposição nas próximas eleições, previstas para o segundo semestre de 2017.

A chapa adversária à atual gestão estaria tentando impugnar a candidatura de Ricardo de Moura, atual diretor executivo e sucessor de Coaracy, na Assembléia Geral Extraordinária, marcada para a próxima quarta-feira.

A reunião tem o objetivo de adequar uma série de práticas da CBDA às novas exigências da legislação sobre entidades que recebem recursos públicos.

O esquema foi descoberto pela Operação Águas Claras. De acordo com o MPF, o dinheiro desviado destinava-se à compra de equipamentos e materiais para a preparação dos atletas de maratona aquática, nado sincronizado e polo aquático na Olimpíada do Rio de Janeiro. O órgão afirma que os danos chegam a R$ 1,5 milhão, e quer o afastamento imediato de Coaracy.

- É tudo mentira. Irei processar todas as pessoas que promoveram estas notícias na mídia. É o Miguel quem está liderando este movimento. O que ocorre é que, daqui a uma semana, terá assembleia na CBDA. Vamos regularizar o estatuto. Se eles estiverem regulares, não terá problema nenhum na eleição. Temos 20 votos, e meu adversário tem 7 - disse Coaracy ao LANCE!.

O repasse foi feito por meio de convênio com o Ministério do Esporte. Do total de R$ 1,56 milhão, 79% teriam sido pagos a uma empresa de fachada, a Natação Comércio de Artigos Esportivos, principal beneficiária das fraudes. Até a publicação desta reportagem, a pasta não havia se pronunciado.

O MPF também pediu o bloqueio de bens do presidente e de outros três dirigentes da entidade: o diretor financeiro Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, Ricardo de Moura e o coordenador do polo aquático, Ricardo Cabral.

- A empresa também vai processar os que estão acusando. Essas pessoas receberão um monte de processo. A fornecedora está conosco há anos e é idônea. Tenho a fiscalização dos Correios, minha maior patrocinadora. É a mais rígida que existe - disse o cartola, que preside a CBDA desde 1988.

Miguel Carlos Cagnoni foi procurado por meio de sua assessoria para comentar as declarações, mas não foi encontrado até a publicação da reportagem.

O desempenho dos esportes aquáticos na Rio-2016 foi abaixo da expectativa. A natação ficou fora do pódio após 12 anos, e a confederação só não saiu de mãos vazias graças ao bronze de Poliana Okimoto na maratona aquática.

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