Corinthians: Diretor traça prazo para quitar arena em novo acordo com Caixa

Wesley Melo, diretor financeiro do Corinthians, estipulou um prazo para quitar toda a dívida referente ao financiamento da Neo Química Arena, caso o novo acordo com a Caixa Econômica Federal seja oficializado.

O Corinthians quer quitar sua pendência com a instituição financeira com o seguinte método: compra de títulos de dívidas, semelhantes a precatórios (dívidas do banco que são pagas em muitos anos), e utilização dos valores referentes ao Naming Rights, que hoje giram em torno de R$ 400 milhões, podendo cair para R$ 350 milhões se forem utilizados imediatamente.

Comprando os títulos de dívidas da Caixa, o Corinthians assumirá um compromisso da instituição financeira e, assim, passará a ter um débito com a empresa que tem dinheiro a receber do banco. A questão é que esses títulos perderam valor por conta do deságio, um desconto que se aplica a um título em relação ao seu valor inicial devido à alteração das taxas em relação ao tempo.

O Corinthians, com um desconto de até 90% por conta do deságio, pode pagar cerca de R$ 90 milhões pelos títulos do banco, valor visto como muito vantajoso e, principalmente, viável. Wesley Melo estipulou um prazo para resolver essa pendência com a empresa em questão caso tudo dê certo e, assim, quitar toda o débito restante em relação ao pagamento do estádio.

"Vamos pagar diretamente à empresa, em cinco ou oito anos, provavelmente em cinco anos. E só com correção da IGP-M, sem juros. E nessas condições, a gente consegue pagar de uma maneira relativamente tranquila. Uma vez que minha pendência com a Caixa está liquidada, tenho outros nós que são desamarrados. A receita de bilheteria hoje, que é para pagar a Caixa, vem para mim. Alimentos e bebidas vêm para mim. Todas as garantias, venda de jogador... Também tenho um fundo que preciso reservar para dar de garantia à Caixa, não vou precisar mais. Muito da receita da própria Arena, que hoje não estou contando pois está sendo reservada para pagar a Caixa, vem para mim. Assim, esse fluxo para pagar esse residual é bem mais tranquilo", comentou Wesley em entrevista ao portal Meu Timão.

O diretor ainda explicou por que o acordo é vantajoso para a Caixa, já que muito tem se falado que o governo estaria "abrindo mão" de valores a receber do Corinthians.

"Quando entramos em litígio com a Caixa, todas 'contas a receber' que a Caixa tinha que receber do Corinthians foi para perdas. O auditor pediu para jogar para perdas porque o Corinthians não demonstrava capacidade de pagar esse valor. Nessa nova operação, a Caixa pode falar que tinha o 'contas a pagar', um título para uma empresa, mas agora este 'contas a pagar' foi passado ao Corinthians, e tem 'contas a receber' do Corinthians que está no valor 0. Agora posso voltar ao valor inicial e faço o encontro de 'contas a pagar' e 'contas a receber'. Ao invés de, no futuro, o banco pagar o valor de volta para o detentor do título, ele não paga e não recebe. A Caixa liquida o risco e ainda apresenta um ganho. É uma operação em que todo mundo se dá bem nessa história, o governo não está abrindo mão de um valor a receber, quem está abrindo mão é o cedente do título, não o governo", complementou.

Wesley está otimista para acertar o novo acordo com a Caixa em breve. Na visão do diretor, Corinthians e banco devem oficializar o novo trato em "questão de dias, semanas". O homem das finanças do Timão afirmou que tudo "está muito bem encaminhado".

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