Corinthians: Volante valoriza apoio de Cássio e Giuliano para superar crise

Roni, volante emprestado pelo Corinthians ao Atlético-GO, passou por períodos de crises ao longo da vida: a perda do irmão mais velho quando ainda tinha 16 anos, que morreu devido a uma parada cardíaca jogando futebol, e as críticas ao longo da passagem pelo Timão. Mas o jogador encarou as dificuldades como algo passageiro.

Luto por essas pessoas que eu amo, eu luto pelas pessoas que me veem como um exemplo, luto por essas crianças, porque o maior exemplo que a gente dá não é falar, é fazer. Eu tive que passar essas dificuldades na minha vida, tive que sofrer um pouquinho. Tinha dia que eu chegava, sem sacanagem, a paz não estava boa, e falava para minha esposa que eu não conseguia dormir. As coisas no meu trabalho não estavam boas, não sei se era depressão, não procurei ajuda, a minha ajuda foi a mulher que estava do meu lado, por isso eu sou grato a ela. Eu ajoelhava e dizia para Deus que queria mudar minha vida. Roni, em entrevista ao UOL

No Corinthians, Roni teve apoio. Cássio e Giuliano serviram de 'guias' para o volante, que se apegou à dupla para superar momentos de dificuldade e se reerguer.

"Peguei uma amizade sensacional com o Giuliano, que está no Santos. Eu nem conversava muito com ele, mas um dia a gente se sentou na mesa e ele foi me ajudando, parece que foi coisa de Deus. Daí pensei: 'Vou andar com esse cara, vou ver o que ele vai me ensinar'. Outro cara também foi o Cássio. Ele chegava em mim, sabia que não sido um bom jogo, mas falava para eu não parar. Foram dois caras que eu fui me apegando."

Emprestado ao Atlético-GO até o final do ano, Roni vive um novo momento. O volante conquistou seu primeiro título profissional ao vencer o Campeonato Goiano e diz que se surpreendeu com a tranquilidade de Goiânia comparada a São Paulo, onde morou sua vida toda.

"O pessoal aqui em Goiânia é muito receptivo. Todas as pessoas me tratam muito bem. No clube então nem se fala, os profissionais são sensacionais. A gente estranha porque Goiânia é um pouquinho mais tranquilo que São Paulo, que é uma loucura, né? O clube até me impressionou quando eu cheguei. A estrutura é muito boa. Eu estou feliz, não vou mentir. Consegui meu primeiro título como profissional. É o objetivo que eu queria. Agora, a gente tem mais objetivos ao longo da temporada."

Logo nas suas primeiras semanas no novo clube, Roni escreveu uma bela história com o jovem torcedor Rafael, que tem Síndrome de Down. Em partida no estádio Antônio Accioly, pelo Campeonato Goiano, o jogador abraçou o garoto de 8 anos durante a forte chuva que caía durante o hino nacional. O volante diz que, a partir daquele momento, fez um grande amigo.

"A verdade é que tinha que ser eu, né? O Rafael tinha que me escolher e na hora que entrou no campo foi natural. Ele estava com um pouco de frio, abracei ele e começamos a conversar. Costumo falar que eu fiz um amigo aqui, grande amigo que me ensinou muito. Depois disso, procurei aprender um pouquinho mais sobre a síndrome de Down. Conversei com os pais e a gente sabe como a vida no dia a dia é difícil e a gente começa a entender um pouquinho mais e cria um amor, um sentimento."

Roni, do Atlético-GO, abraçado com Rafael, torcedor que tem síndrome de Down
Roni, do Atlético-GO, abraçado com Rafael, torcedor que tem síndrome de Down Imagem: Reprodução/Instagram/@ronimoura_
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Na verdade, eu até falei para os pais dele, não fui eu que mudei a vida do Rafael, o Rafael mudou a minha vida. É um absurdo o que eu aprendi sobre. Recebi um vídeo dele me desejando aniversário e, cara, eu quase chorei. Não estou brincando, eu quase chorei. Criei um amigo e vai para o resto da vida. Isso é mais importante do que qualquer título.

Confira outros trechos da entrevista do UOL com Roni, volante do Atlético-GO

Empréstimo para o Atlético-GO em 2024

"Comecei o ano de 2023 muito bem. Lembro que eu fiz um Campeonato Paulista muito bom, depois o começo do Campeonato Brasileiro, aí teve aquelas mudanças e eu acabei ficando um pouco esquecido naquele momento. Daí em 2024 eu vim para o Atlético. Eu nunca tinha saído do Corinthians, é bom para pegar uma casquinha também, por mais que eu já tenha pegado uma casca muito grossa já no Corinthians. Passei 19 anos lá, quatro na equipe profissional, aprendi muito, e daí você vem para o Atlético e é outra coisa, você aprende mais ainda. Acho que o importante da vida é sempre estar aprendendo, evoluindo, e acredito que foi muito importante para mim."

Pensa em voltar ao Corinthians?

"O que eu posso fazer é dar minha vida aqui no Atlético, fazer tudo possível que tiver o meu alcance pelo clube. Depois disso, a gente vê o que vai acontecer, se volto para o Corinthians ou se fico no Atlético. Eu sou grato ao Corinthians, sempre serei, independentemente se voltar ou não."

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Apelido 'El Tranquilo'

"Teve um jogo contra o Boca Juniors. Antes, ele [Vítor Pereira] já estava me colocando um pouquinho nos jogos, era finalzinho de jogo e ele me colocava, e nessa eu levava amarelo. Todo jogo era um amarelinho, sabe? E daí teve esse jogo, que machucou o volante, machucou todo mundo. E ele falou: 'Tu estás pronto, pá, tu vai jogar'. E eu joguei muito bem aquele jogo da Libertadores. No jogo na La Bombonera, dos pênaltis, eu entrei no finalzinho e aí pediram para eu bater. O auxiliar perguntou se eu queria bater e eu disse que sim, não tinha medo. O pênalti é muito emocional, se o cara vai com medo, o cara vai errar. Fui lá, bati e fiz. Como eu levava muito amarelo, a torcida pedia tranquilidade. Daí eu fui para Bombonera, bati o sexto pênalti e pegou o El Tranquilo. Foi um momento bom para mim, eu peguei e abracei."

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