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Vídeo mostra ex-presidente do Santos supostamente negociando cocaína; veja

Arthur Sandes, e Thiago Braga

Do UOL, em São Paulo

22/12/2022 14h36Atualizada em 22/12/2022 14h46

Denúncia do Ministério Público de São Paulo mostra Orlando Rollo, ex-presidente do Santos, supostamente negociando venda de drogas no mesmo local em que elas foram apreendidas.

Rollo trocou áudios com o advogado de um traficante, segundo o MP-SP, para tentar vender 790 kg de cocaína que haviam sido apreendidos horas antes, em Santos-SP. Pelo menos uma das mensagens de Rollo teria sido enviada do mesmo local da apreensão. Ele é investigador da Polícia Civil.

No diálogo, Rollo diz ter "interesse total" em se reunir com João Manoel Armoa Junior, que segundo o MP-SP é advogado de Vinicyus Soares da Costa, o Evoque, traficante ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Outros policiais também teriam participado deste encontro.

Orlando Rollo está preso há mais de um mês, agora sob prisão preventiva, portanto sem prazo para soltura.

O que as conversas mostram:

  • Longo diálogo entre Rollo e Armoa Junior, que marcam e remarcam horários para uma reunião horas após a apreensão das drogas. Eles combinam de se encontrar dentro de uma delegacia. "Tem uma porta lateral que é melhor para entrar", diz Rollo.
  • Paralelamente, Armoa Junior combina com o traficante Evoque, para que também estivesse presente na delegacia para o encontro com Rollo. Em uma das mensagens, diz que "o açougueiro tá contando a carne lá ainda, nem acabaram de contar"; em outra, encaminha o áudio de Rollo dizendo ter "interesse total" na reunião.
  • Evoque oferece R$ 3 milhões na reunião, segundo o MP-SP, pela devolução dos 790 quilos de cocaína. No entanto, Orlando Rollo e os demais os policiais teriam exigido R$ 4 milhões.
  • Todos voltam a se reunir na mesma noite, para fechar negócio. Na manhã do dia seguinte, Rollo diz a Armoa Junior que "o número é aquele que te falei depois, corrigido".

Mais detalhes:

  • O caso começou em agosto deste ano. No início da madrugada do dia 6, um caminhão Mercedes Benz foi abordado por Rollo e mais três agentes da Polícia Civil. No teto do veículo, escondidos, foram encontrados 958 quilos de cocaína. O motorista que dirigia o veículo abandonou o local durante a abordagem e não foi preso em flagrante.
  • Os policiais apresentaram apenas 168 quilos da droga como apreendidos, portanto aproximadamente 790 quilos sumiram. E seguem desaparecidos.
  • De acordo com as investigações, Rollo, outros policiais, Armoa e Evoque se reuniram pelo menos uma vez no 3º DP de Santos, na noite de 7 de agosto. Terminado o encontro, no minuto seguinte Armoa escreveu a Rollo. "Por favor, depois veja a matemática final da devolução da cerveja! Abraço." O ex-dirigente do Santos responde: "tá bom. Vamos tentar agilizar esse retorno".

Os próximos passos:

  • Os 790 quilos de cocaína subtraídos de Evoque ainda estão desaparecidos. Segundo apurou o UOL, o Ministério Público entende que este fato só reforça a necessidade de manter os acusados presos. A menos que a Justiça entenda que a prisão deva ser revogada por algum motivo, como a necessidade de algum tratamento médico.
  • Para isso, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), precisa dizer que não tem condições de cuidar de algum dos presos.
  • Do ponto de vista do MP, não há nenhuma dúvida de que o carregamento que sumiu se tratava de droga. Rollo e outros três investigadores da Polícia Civil de Santos devem ficar presos até o julgamento do caso.

Procurado pelo UOL, o advogado Armando de Mattos afirmou que entrou com pedido de habeas corpus para revogar a prisão de Rollo. "Estamos aguardando a manifestação do Desembargador. Isso deve ocorrer após o recesso [do judiciário]", afirmou Mattos.

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