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Lucio Flavio vê comando do sub-23 do Botafogo como 'grande oportunidade'

Ex-meia do Botafogo, Lucio Flavio é o técnico do sub-23 do Alvinegro - Vitor Silva / Botafogo
Ex-meia do Botafogo, Lucio Flavio é o técnico do sub-23 do Alvinegro Imagem: Vitor Silva / Botafogo

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

07/07/2022 04h00

A Estrela Solitária no peito é uma velha conhecida de Lucio Flavio, mas o ex-meia vive a expectativa de quem ainda dá os primeiros passos em uma nova caminhada. Com marcantes passagens pelo Botafogo nos tempos de jogador, que o fez conquistar o carinho da torcida, ele aceitou o desafio de comandar o sub-23 no Campeonato Brasileiro de Aspirantes, em meio a mudanças no clube.

Após um momento de dúvidas quanto ao futuro, a competição teve início na semana passada, e o Alvinegro venceu o Sport por 4 a 2, de virada. Logo mais, tem o clássico com o Fluminense pela frente — o Grupo C conta ainda com o Náutico.

Lucio Flavio retornou ao Glorioso em julho de 2020, pouco após a saída de Paulo Autuori, para ocupar cargo de auxiliar permanente e, na atual temporada, depois do adeus de Enderson Moreira, chegou a comandar o time interinamente no Campeonato Carioca. Com a implementação da SAF, houve alterações no departamento e o clube lhe ofereceu o comando do que John Textor vem considerando como Time B.

"Eu tinha parado de jogar em 2017 e entendi que eu tinha de passar por um processo antes de vir para o Botafogo. Já tinha recebido convites anteriormente para a base, mas entendia que tinha de estar em uma condição melhor de preparo. Quando houve o [novo] convite, o clube passava pela saída do Paulo e efetivação do Bruno Lazaroni, e entendi que era o momento porque viria para ser auxiliar. Em relação ao que eu já conhecia do Botafogo, enxerguei como uma boa oportunidade", disse.

"Era natural que, com a vinda de um treinador estrangeiro, pudesse ocorrer uma situação de não fazer parte da comissão. Ao mesmo tempo, houve essa chance na equipe B e não pensei duas vezes. Não era do meu interesse sair do clube neste momento. Enxergava uma oportunidade para fazer parte deste contexto, mesmo em uma categoria diferente da principal, mas que está muito próximo, até pela questão da transição. Enxergo como uma grande oportunidade vivenciar isso", completou.

Pelo Botafogo, conquistou os Cariocas de 2006 e 2010. O currículo extenso, que conta com grandes clubes do futebol brasileiro, fez todo mundo o conhecer nos tempos de jogador, mas qual é o estilo como treinador?

"Talvez, por ter sido um jogador mais técnico, sempre gostei do jogo bonito. O que procuro, dentro daquilo que aprendi tanto na carreira como atleta como neste período como auxiliar, é de tentar fazer um jogo técnico, que possa potencializar os atletas, mas, claro, não deixando de lado a competitividade", apontou.

Ao longo de todo este período no futebol, ele trabalhou, em diferentes fases, com alguns treinadores que, de alguma forma, lhe influenciam nesta nova fase.

"Trabalhei com treinadores que marcaram a minha trajetória, como o Cuca, o Ney Franco... Como parte de comissão, os treinadores que gostei muito de trabalhar foram o Dado Cavalcanti, que hoje é do Vila Nova, o Enderson, que fez uma passagem marcante aqui. São treinadores que acho que encaixam no perfil que eu enxergo de futebol. Às vezes na conduta com o grupo, na conduta no campo, ou na visão do jogo", apontou.

A função de treinador esteve no horizonte dos pensamentos de Lucio Flavio mesmo quando ainda vestia chuteiras. Ele lembra que, por ser uma liderança em campo, acabava por ter uma relação próxima com os técnicos.

"A maioria dos clubes em que passei, se não era o capitão, era um dos capitães. Sempre tive uma relação boa com todos os treinadores e sempre visualizei essa questão do pós-carreira. Cheguei a pensar em gestão, fiz o curso, mas quando fiz o da CBF, para treinador, foi onde me encaixei melhor", recorda.

Lucio Flávio, técnico do sub-23 do Botafogo, conversa com elenco - Vitor Silva / Botafogo - Vitor Silva / Botafogo
Imagem: Vitor Silva / Botafogo

Logo que encerrou a carreira, o hoje treinador teve também uma experiência como comentarista na Rádio Banda B, de Curitiba, mas ressalta que sempre quis mesmo integrar uma comissão técnica.

"Quando parei, comecei já o curso e recebi o convite de uma rádio de Curitiba. Comecei a trabalhar e gostei, porque, normalmente, fazia do estádio, tendo a perspectiva de enxergar o jogo, e, em cima daquilo, analisar. Acho que isso me ajudou. Quando fui fazer um dos cursos de observação, o Paraná me abriu as portas. Neste período, fizeram um convite e, quando eu comecei a finalizar o que tinha para entregar à CBF, aceitei ser auxiliar".

Mais da entrevista com Lucio Flavio:

Como tem sido a experiência?

"Essa era uma ideia do Textor, de trazer essa categoria. Tanto no contexto de potencializar os jogadores que já eram do clube, como trazer jogadores que a equipe de mercado entendeu que poderiam ser observados. Primeiramente, tivemos um momento de treinamento, até pela competição ter sido adiada. Acredito que a grande questão para esta categoria é, justamente, trabalhar visando o projeto da equipe principal."

O que busca passar?

"Procuro passar muito a questão da oportunidade que estão tendo de trabalhar em um clube com uma história fantástica. Estão fazendo parte deste momento. Essa categoria vem oportunizar o atleta para que ele tenha a consciência de que está muito próximo da principal. Temos batido nisso, para que possam trabalhar forte para que demonstrem uma capacidade boa quando forem requisitados."

Intercâmbio com o profissional

"O clube passa por este momento de mudança, especialmente, para a equipe principal, que é o carro-chefe. Existe a questão de melhorar uma estrutura. Neste primeiro momento, o Luís [Castro] e a comissão se voltam mais para isso. Ainda não conseguimos desenvolver uma aproximação dentro, talvez, do que o próprio clube gostaria. Mas dentro do que é hoje, o [André] Mazzuco [diretor de futebol] e o Alessandro Brito [head scout] são esse laço, para estarmos sempre em conexão. Alguns atletas foram para a equipe principal e alguns que estavam lá treinando vieram para cá."

Brasileiro de Aspirantes

"Houve a estreia, que é sempre um jogo mais difícil pela questão de estarem um pouco mais tensos. Mesmo assim, o comportamento foi bom. Sair de 0 a 2 para 4 a 2 é um sinal de recuperação e de maturidade. Em relação à competição, sabemos que tem boas equipes, e o Fluminense, que vamos enfrentar, é uma delas. A cada jogo, buscamos fazer eles entenderem que é uma oportunidade."

Lucio Flavio, técnico do sub-23 do Botafogo, durante jogo contra o Sport, pelo Brasileiro de Aspirantes -  Satiro Sodré/Botafogo. -  Satiro Sodré/Botafogo.
Imagem: Satiro Sodré/Botafogo.

Mescla entre 'crias' e reforços

"Tem sido de forma natural. Até porque, por mais que os atletas estivessem aqui, a partir do momento que chega um atleta contratado, eles sabem que esse é o processo de uma equipe profissional. O que, para eles, tem tido um valor especial por estarem em um clube que hoje abre portas para este tipo de atleta. Por vezes, é uma faixa etária em que se perde muito jogador de potencial porque determinados clubes investem no mercado e esses atletas, praticamente, batem na equipe principal e não têm muita chance."

Vivenciou o Botafogo em diversas fases

"O clube fez o convite para esta categoria e, para mim, tem sido bom pelo fato de conhecer o Botafogo. Procuro passar aos atletas para entenderem a responsabilidade, fazer com que as coisas tenham conotação diferente a partir do momento que eles começam a jogar pelo clube. É uma relação de alguém que passou por diversas situações, tanto de vitórias quanto de derrotas, de momentos bons e ruins. Tiro exemplos, não apenas do que passei, mas de momentos do clube em si."

Planos para o futuro

"Você termina de estudar e tem o processo da preparação. Foi o que enxerguei para mim. Quando vim para o Botafogo, tinha a ideia de ficar como auxiliar por uns três a quatro anos. Não sei o que vai acontecer agora. O clube tem, hoje, essa nova linha. Por enquanto, estou como treinador do sub-23, mas, de repente, em cima de um trabalho possa ter novas possibilidades. Mas a minha ideia é permanecer no clube um pouco mais de tempo."

Você foi um bom cobrador de falta. Como vê a carência de gols assim?

"Acho que os treinadores trabalham muito e sabem que a bola parada faz diferença. O que percebo é que houve uma melhora grande dos goleiros, uma preparação muito forte. Os goleiros são maiores, mais ágeis e isso dificulta para os cobradores. Mas acho importante continuarmos mantendo esse nível de treinamento, fazer com que acreditem na relação do treino e repetição. Hoje o jogo mudou um pouco, os árbitros estão deixando o jogo andar mais e também muitos treinadores pedem para não fazer falta perto da área."

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