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Atual campeão brasileiro, Atlético-MG terá de pagar pelas peças da Adidas

Nova camisa do Atlético-MG feita pela Adidas, que vai fornecer o material do clube mineiro até dezembro de 2025 - Reprodução/Galo TV
Nova camisa do Atlético-MG feita pela Adidas, que vai fornecer o material do clube mineiro até dezembro de 2025 Imagem: Reprodução/Galo TV

Igor Siqueira e Victor Martins

Do UOL, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte

01/07/2022 04h00

Atual campeão brasileiro, o Atlético-MG bateu o seu recorde histórico de venda de camisas. Foram mais 400 mil unidades comercializadas, número que chamou a atenção da Adidas. A gigante de materiais esportivos fechou no fim do ano passado contrato com o Galo por três anos e meio, válido a partir de hoje (1º). No acordo que foi considerado vantajoso pelo Galo, há uma cláusula que chama a atenção: o clube terá de pagar cada peça que utilizar.

A camisa do Atlético será vendida por R$ 299,99 nas lojas, mas o clube não vai pagar para a empresa o mesmo o preço de venda ao consumidor. A diretoria vai desembolsar R$ 50 por cada unidade. Isso vale para todo o enxoval, portanto, será assim também com meião, calção, agasalho e tudo mais que as equipes de futebol utilizarem, seja da base ou do profissional, no masculino e no feminino.

"O enxoval é sim abatido no valor total de receita, porque é um formato de negócio que o mercado está operando hoje. Os formatos mudaram muito. O que cabe ao clube é fazer uma boa gestão de uso do enxoval. Não faz parte do meu departamento, mas hoje o Atlético tem essa parte de auditoria, compliance, que cuida desse tema", explicou Leandro Figueiredo, diretor de negócios do Atlético, ao UOL Esporte.

Mas o Atlético não precisa tirar dinheiro do bolso para comprar os uniformes. O valor é abatido daquilo que o clube tem direito a receber. No caso do Galo, não existe um valor fixo, mas uma participação na venda de cada produto. Adidas e o Atlético vão fazer um balanço no fim de cada temporada para saber quanto o clube terá a receber. Como o Galo vende centenas de milhares de camisas, a expectativa de alguns milhões de reais de lucro a cada temporada.

A troca da Le Coq Sportif, parceira atleticana entre 2019 e 2021, pela Adidas se explica justamente no poder de venda da empresa alemã. No contrato anterior, o Galo também não tinha um valor fixo, dependia da comercialização para faturar, mas pelo menos tinha o enxoval garantido pela marca francesa. Como a Adidas é uma grife dentro do futebol, o Atlético aposta que a venda de produtos oficiais vai crescer.

São alguns fatores que fazem a diretoria alvinegra acreditar numa elevação de receitas com material esportivo de até 40%. A Adidas está de volta ao Atlético após quase 40 anos e era desejo antigo da torcida. A empresa disponibilizará quantidade maior de produtos que serão disponibilizados nas lojas. Serão cerca de 40 itens, o dobro do que era oferecido na época da Le Coq.

De acordo com o contrato entre Adidas e Galo, quanto mais vender, mais o clube vai receber com os royalties (percentual nas vendas de produtos).

"O nosso contrato tem um escalonamento, de acordo com receitas. Quando faço análise de 2021, nós tivemos um recorde histórico com 400 mil camisas vendidas. Então, a Adidas olha para a gente com um olhar bem diferente. Quanto mais eu produzir, mais eu vou ganhar. O contrato que temos com a Adidas já nos coloca numa prateleira mais alta de receita. A gente está com uma expectativa muito grande com os resultados deste ano", completou Leandro Figueiredo.

Os novos uniformes 1 e 2 do Atlético serão lançados nesta sexta-feira, sendo que mais dois lançamentos estão programados até dezembro, o que indica que o Galo terá quatro camisas confeccionadas pela Adidas. Os modelos que serão divulgados nas próximas horas já vazaram nas redes sociais e foram aprovados por boa parte dos torcedores.

Como funciona no Brasil

Camisa reserva do Atlético-MG feita pela Adidas - Reprodução/Galo TV - Reprodução/Galo TV
Camisa reserva do Atlético-MG feita pela Adidas
Imagem: Reprodução/Galo TV

O Atlético será o quinto clube com material esportivo fornecido pela Adidas no futebol brasileiro. Atualmente, a empresa alemã também faz os uniformes de Flamengo, São Paulo, Internacional e Cruzeiro. Existem variações nos contratos, de acordo com a quantidade de peças que cada equipe é capaz de vender. No caso, o dono da maior torcida do país, o Flamengo é quem tem a maior remuneração, além de ter o enxoval garantido.

Entre valor fixo, royalties e enxoval, o Rubro-Negro é capaz de faturar mais de R$ 70 milhões. Quem também não paga pelas peças que utiliza é o São Paulo, mas os números são bem inferiores ao do clube carioca. O Tricolor também tem o conjunto de uniformes garantido, recebe uma quantia mínima em dinheiro e tem participação nas vendas dos produtos.

Já os contratos do Cruzeiro e do Internacional são semelhantes ao do Atlético. Mineiros e gaúchos também pagam pelo material que utilizam e não têm um valor mínimo assegurado. O faturamento com material esportivo depende da venda de produtos e os royalties crescem de acordo com a quantidade de camisas comercializadas. Quanto mais vender, maior a percentual a receber.

Novo tecido em 2023

Flamengo e Inter usam camisas da Adidas, mas com materiais diferentes - MIGUEL NORONHA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - MIGUEL NORONHA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Flamengo e Inter usam camisas da Adidas, mas com materiais diferentes
Imagem: MIGUEL NORONHA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em comparação com São Paulo, Cruzeiro e Internacional, o contrato do Atlético-MG tem uma vantagem. A partir de 2023 os jogadores do Galo vão utilizar a camisa Authentic da Adidas, que é de melhor qualidade. É um tecido mais leve e é utilizado nas camisas do Real Madrid, Bayern de Munique, Arsenal, Juventus e Manchester United, além de grandes seleções, como Alemanha, Argentina e Espanha. Na América do Sul, apenas Boca Juniors, Flamengo e River Plate contam com essa tecnologia. No Brasil, por exemplo, a camisa de jogo do Fla custa R$ 399,99. O torcedor tem a opção de comprar um modelo alternativo por R$ 299,99.

Os demais clubes, europeus, brasileiros ou de qualquer outro lugar do planeta contam com a camisa Aeroready. É um tecido mais barato e o preço de venda ao consumidor de cada camisa é de R$ 299,99. Esse também será o material atleticano nos primeiros meses de contrato.

A explicação está no tempo de confecção dos uniformes. Por se tratar de uma empresa global e com clubes espalhados no mundo inteiro, a Adidas fecha as coleções das equipes com pelo menos um ano de antecedência. No caso do Galo, o contrato foi assinado somente no fim de 2021, o que inviabilizou a produção dos uniformes com o tecido de maior tecnologia.

Mas, para 2023, ano de inauguração da Arena MRV, as camisas do Atlético-MG já serão da linha Authentic.

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