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Lucas Leiva revela conversas com time do Grêmio e quer 'algo inesquecível'

Lucas Leiva vai usar a camisa 15, como em 2005, mas só pode atuar depois de 18 de julho - Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Lucas Leiva vai usar a camisa 15, como em 2005, mas só pode atuar depois de 18 de julho Imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

27/06/2022 15h49

Lucas Leiva conversou com os jogadores do elenco gremista durante as negociações para voltar ao clube. Os papos foram revelados pelo próprio, hoje (27), durante a apresentação oficial no auditório da Arena do Grêmio. Segundo o volante, Geromel, Diego Souza e Roger Machado foram algumas das vozes ouvidas nas últimas semanas. Além das chamadas, a identificação com o time pesou na hora de voltar ao Brasil.

Aos 35 anos, Lucas Leiva assinou com o Grêmio depois de deixar a Lazio, da Itália. O vínculo vai até o final de 2023 e tem valores abaixo das ofertas recebidas por ele para atuar na Turquia e em outro time brasileiro.

"É até difícil falar do Grêmio. Aqui foi o início do meu sonho. Cheguei aqui com 16 anos e como falei em outras ocasiões, morei no Olímpico e vivenciei quando o clube caiu, em 2004, e quando voltou. O que me fez voltar foi realmente o desejo de poder contribuir e talvez encerrar o ciclo da minha carreira onde comecei", comentou o jogador durante apresentação oficial pelo clube.

Grêmio e Lucas Leiva acertaram contrato que prevê aumento salarial após o clube voltar à elite. Durante a Série B, o salário do jogador será de cerca de R$ 400 mil. Com o acesso, o vencimento salta para cerca de R$ 550 mil. Há, também, bônus pelo acesso. Não existe, contudo, gatilho para renovação automática de contrato e nem obrigação de aumento em 2023, caso o time não volte à primeira divisão.

"Desde fevereiro se iniciou uma conversa para o meu possível retorno. No último mês, a coisa se intensificou. O Denis (Abrahão, vice de futebol) falou que em fevereiro a gente teve uma conversa. No último mês, conversei com muita gente do clube. Tive contato com alguns jogadores do elenco, até para saber a situação, como estava. A primeira conversa com o Denis eu lembro bem, ele comentou a situação financeira, mas eu disse que queria entender antes de tudo a situação do time. O futebol é um esporte coletivo. Tive contato com Geromel, Roger, outras pessoas da comissão técnica, outros jogadores, torcedores que estão próximos do clube e me ajudaram", contou Lucas Leiva.

Negociado pelo Grêmio com o Liverpool em 2007, Lucas Leiva assinou com a Lazio em 2017. A chegada dele chegou a gerar dúvida interna na Arena, por não ser uma das prioridades do elenco. Por fim, a identificação, experiência e perfil de liderança fizeram a alta cúpula levar o negócio adiante. A relação entre Lucas Leiva e torcida, aliás, deverá ser bastante explorada pelo clube.

O jogador já iniciou aquilo que foi definido como 'link' com a arquibancada.

"Esse momento é delicado, como todo mundo percebe. Não sei nem se eu poderia pedir algo ao torcedor, ele tem me dado tanto carinho que fico envergonhado para pedir algo. Mas se eu pudesse pedir, pediria para a gente ceder. Ceder em muitas coisas. Talvez a gente não esteja contente com tudo mas vamos ceder pelo objetivo de voltar à Série A. A torcida não tem noção realmente do peso dela. Pedir à torcida para vir ao estádio, que transforme a Arena em um lugar onde os adversários não queiram vir. Tenho certeza com ainda mais apoio dela (torcida), o Grêmio pode ter início de algo inesquecível. Espero ser esse link do grupo, um link positivo, entre time e torcida. Quando os dois se unem, é bem difícil dar errado. Esse é o meu pedido", afirmou Lucas Leiva.

Mesmo contratado ao final do vínculo com a Lazio, Lucas Leiva precisa esperar a reabertura da janela de transferências internacionais no Brasil. Assim, ele só pode fazer a estreia da segunda passagem pelo Grêmio depois de 18 de julho. A primeira partida dele pode ser diante do Brusque-SC, fora de casa, na 19ª rodada da Série B do Brasileirão.

Confira outras respostas do jogador na apresentação

LIDERANÇA E MUDANÇAS DEPOIS DE 15 ANOS

Primeiro, o cabelo. Mudou bastante! Algumas rugas, dois filhos. Isso aí já é bem diferente de quando eu saí. A questão da liderança… Mesmo sendo jovem, eu tinha um perfil de líder. Obviamente isso se intensificou. Eu aprendi muita coisa e acredito que vou conseguir passar isso. Ser um espelho, um exemplo, para os mais jovens. Como os mais experientes na minha época, como Sandro Goiano, Tcheco, Patrício, eram exemplo e espero poder contribuir com isso. Com trabalho, disciplina. E a questão do pensar em grupo. Isso é o mais importante. No futebol, quanto mais unido estiver mais chance tem de dar certo. Falo geral mesmo. Isso é importantíssimo para a gente poder conquistar a volta à Série A.

ONDE LUCAS LEIVA VAI JOGAR

Meus últimos anos foram como primeiro volante. Desde quando eu cheguei à Europa. Joguei como primeiro volante, mas depende também do sistema tático. Primeiro volante quando se joga com três. Quando são dois, não tem primeiro volante. Depende da posição, do lado, e aí a gente vira um pouco mais ofensivo. Depende do sistema tático. Depende da ideia do Roger. Fiz alguns jogos como zagueiro, mas foi mais na emergencia. O meio-campo seria a minha posição ideal.

COMPARAÇÃO COM VOLTA DE DOUGLAS COSTA

Quem sou eu para julgar qualquer companheiro ou ex-companheiro. A minha carreira fala por si. Joguei em poucos clubes e isso aí já dá uma boa ideia do meu comprometimento, profissionalismo, dedicação. Sempre fui um cara de entrega e é isso que o torcedor pode esperar. Não vou tentar nada além do que eu consigo. Quando a gente quer dar demais, a gente esquece de fazer o que é bom. Vou tentar trazer o meu melhor na técnica, tática, liderança e disciplina também. Prometo isso, dedicação e disciplina. Que eu possa ser um exemplo mesmo para os jovens.

MAIS FÁCIL QUE 2005

Fácil nunca é, né? Tem grandes times neste ano na Série B. Times com grande história. E mostra como está competitivo. Não acredito que vai ser como a Batalha porque tem o VAR, não é possível hoje em dia. Mas se a gente tiver que sofrer como foi, terminando da mesma forma, a gente pode suportar, aguentar, para ver o sucesso ao final da temporada.

APOSENTADORIA

Eu não penso. Se eu pensasse, nem estaria aqui. Obviamente que o futebol chega a um momento em que você não consegue jogar para sempre. Mas nÀo é o momento. Eu tinha uma ideia com relação aos anos de contrato, o Grêmio tinha outra e tivemos que encontrar um acordo para fazer ser possível. Eu vou buscar, sem dúvida, os anos que não tenho agora. Vou atrás disso, para que isso se estenda o máximo possível.

CAMISA 15 E A FAMÍLIA

O número 15… Eu não tinha me dado conta com tantas coisas em comum, foi o pessoal do Grêmio que me alertou e comecei a gostar ainda mais do número. Foi um número especial, o número que usei no primeiro ano como profissional. Não sou muito de superstição, sou um cara mais concreto, mas se tiver algo para ajudar a gente aceita. Minha família sabe a minha alegria de poder retornar. Eles estão comigo sempre, sempre me apoiando. E com certeza é uma motivação a mais. Representar o Grêmio e eles me assistindo. Eles fazem parte. Minha esposa está comigo desde quando eu saí e meus filhos nasceram em Liverpool, mas são brasileiros. Ela perguntava porque a gente não vinha para o Brasil se a gente é brasileiro. O Pedro tem o papel de decorar o nome dos jogadores. Sem eles, não poderia ter feito uma carreira como fiz até hoje.

QUANDO IMAGINA A ESTREIA

Meu último jogo foi em 22 de maio, quando terminou a temporada na Europa. Tenho treinado, obviamente sozinho, e treino de manutenção. Treinar com o time é diferente. Vamos saber melhor nas próximas semanas, mas acredito ter grandes chances de eu estar disponível quando a janela abrir. Mas vamos buscar a melhor forma já para o dia 19.

AMBIENTE E TIME

O ambiente… Só elogios ao ambiente, tranquilidade de trabalho. Qualidade do nosso treinador, isso eles ressaltaram bastante. Foi um início difícil, o Grêmio ficou um tempo buscando o G4, entrou e agora é consolidar essa posição. O Grêmio toma poucos gols e isso é fundamental. Eu vim de cinco anos da Itália e lá é assim, primeiro não levar e depois fazer. O Grêmio leva poucos gols e isso é importantíssimo. Agra, obviamente encontrando um caminho para marcar mais gols. Mas agora é consolidar o lugar no G4. Isso é o mais importante. Ganhando do Londrina isso ajuda, dá confiança maior para seguir esse caminho.

O QUE FALTA PARA O TIME DAR A VOLTA POR CIMA

É muito difícil. Seria até injusto fazer qualquer tipo de julgamento. Eu poderia falar qualquer coisa, mas não seria justo. O grupo de jogadores está tentando de todas as formas. O Grêmio é quarto colocado hoje, se a Série B terminasse hoje o Grêmio já estaria na Série A. Não é um desastre. Claro que pode melhorar e consolidando o lugar entre os quatro primeiros, vamos ter espaço para todos crescerem. E o grupo estar ainda mais forte. Aí, o individual começa a aparecer.

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