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Copa do Brasil - 2022

Fábio enfrenta Cruzeiro após saída traumática. Eles já viraram a página?

Goleiro Fábio, do Fluminense, celebra título do Campeonato Carioca - Mailson Santana / Fluminense FC
Goleiro Fábio, do Fluminense, celebra título do Campeonato Carioca Imagem: Mailson Santana / Fluminense FC

Alexandre Araújo e Lohanna Lima

do UOL no Rio de Janeiro (RJ) e em Belo Horizonte (MG)

23/06/2022 04h00

Classificação e Jogos

O duelo entre Cruzeiro e Fluminense, hoje (23), pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, no Maracanã, às 19h (de Brasília) terá como capítulo à parte o reencontro de dois velhos conhecidos. De um lado, um clube que vive seu melhor momento nos últimos três anos após grave crise financeira e institucional. Do outro, um ídolo que teve de se retirar de maneira forçada e deu um novo rumo à carreira aos 41 anos. Fábio e Cruzeiro estarão em lados opostos pela primeira vez após 16 anos de uma história repleta de momentos que ficaram eternizados para ambos. No entanto, a fase vivida pelo clube e pelo jogador vem mostrando que sempre é possível recomeçar.

Após a saída conturbada de Fábio em janeiro deste ano, muitas desconfianças surgiram sobre o futuro do gol celeste. Ronaldo Nazário enfrentou o primeiro —e único até então— grande protesto da torcida, que considerou a decisão de não renovar com o maior ídolo do clube um tiro no pé. Ronaldo se manteve firme na decisão de cortar custos e foi buscar no Reading, da Segunda Divisão Inglesa, o sucessor: Rafael Cabral, que havia deixado o Brasil há oito anos como uma das grandes promessas para o gol, mas que terminou "esquecido" pela falta de espaço no Napoli-ITA, onde foi reserva por três anos antes de se transferir para Sampdoria-ITA e, posteriormente, para o clube inglês.

Fora do Cruzeiro, Fábio chegou a iniciar conversas com o América-MG, mas o Fluminense foi mais ágil e mais atraente. No Tricolor das Laranjeiras, ele chegou como oportunidade de mercado. O Flu enxergou que, diante de um calendário com quatro competições à época, precisaria ter um goleiro com maior experiência para, ao menos, disputar posição, sendo que Marcos Felipe e Muriel eram as opções.

Nova história no gol celeste

No início, Rafael Cabral viveu a sombra de Fábio. O jogador não sofreu em nenhum momento uma alta rejeição, mas constantemente era comparado com o antecessor. O jogo com os pés, preferido por Pezzolano, foi um diferencial para Cabral. No entanto, nas primeiras partidas, o camisa 1 teve dificuldades pelo nervosismo e se atrapalhou no fundamento gerando desconfiança.

A virada de chave definitiva entre Rafael e a torcida foi no jogo da volta contra o Remo, válido pela terceira fase da Copa do Brasil, em que o jogador defendeu quatro cobranças de pênaltis e ajudou o Cruzeiro a se classificar às oitavas da competição.

Chegou e ganhou a vaga

Fábio chegou ainda como opção a Marcos Felipe, que foi mantido na equipe pela comissão técnica, mas ainda sob o comando do técnico Abel Braga se tornou titular. E caiu nas graças da torcida, principalmente após as atuações nos jogos da decisão do Campeonato Carioca —o Flu se tornou campeão e encerrou um jejum que durava desde 2012.

Mesmo com a mudança no comando, quando Abel Braga entregou o cargo e chegou Fernando Diniz, manteve a posição e, inclusive, se tornou um dos homens de confiança do treinador. Recentemente, em uma falha contra o Atlético-MG, ouviu críticas, mas nada que o fizesse perder o status nas Laranjeiras.

Admiração mútua

Recentemente, em entrevista ao UOL Esporte, o goleiro Rafael Cabral contou um pouco sobre sua relação com Fábio, que nunca foi muito próxima, mas sempre de muito respeito, admiração e até mesmo apoio à distância. Quando defendia o Santos, Cabral e Fábio se enfrentaram algumas vezes. Na Europa, ele seguiu acompanhando o então goleiro do Cruzeiro e, eventualmente, mantinha contato pelas redes sociais.

"Tínhamos um relacionamento de quando jogávamos contra. Sempre admirei muito o Fábio. Foi sempre um dos goleiros que eu mais gostava das características. Teve uma vez que fomos convocados juntos para a seleção brasileira, ele se machucou e não se apresentou. Eu fui e fiquei triste por isso. Quando eu vim para o Cruzeiro, nós trocamos uma mensagem no Instagram, ele me desejou boa sorte e eu para ele. O nosso relacionamento sempre foi de troca de mensagens, mesmo quando eu estava na Itália, eu dava parabéns quando ele ia bem. Nossa profissão de goleiro é curiosa porque torcemos um pelo outro. Eu acredito que ele está torcendo muito por mim aqui, como eu estou torcendo muito para ele no Fluminense", contou.

FICHA TÉCNICA

FLUMINENSE X CRUZEIRO

Motivo: oitavas de final da Copa do Brasil (jogo de ida)
Data: 23 de junho de 2022 (quinta-feira)
Local e horário: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), às 19h (de Brasília)
Árbitro: André Luiz Freitas Castro (GO)
Auxiliares: Bruno Raphael Pires (GO)e Fabrício Vilarinho da Silva (FIFA-GO
VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Nino, Manoel, Caio Paulista (Pineida); Nonato, André (Yago), PH Ganso; Luiz Henrique, Jhon Arias e Cano. Técnico: Fernando Diniz

Cruzeiro: Rafael Cabral; Zé Ivaldo, Lucas Oliveira e Eduardo Brock; Geovane Jesus, Willian Oliveira, Adriano, Fernando Canesim e Matheus Bidu; Rafa Silva e Edu. Técnico: Paulo Pezzolano.