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Chelsea encerra Era Abramovich com 21 troféus e em novo patamar na Europa

O oligarca russo Roman Abramovich comprou o Chelsea em 2003 - Andrew Winning/Reuters
O oligarca russo Roman Abramovich comprou o Chelsea em 2003 Imagem: Andrew Winning/Reuters

Josué Seixas

Colaboração para o UOL, em Maceió

25/05/2022 04h00

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A vitória sobre o Watford no domingo marcou oficialmente o fim da Era Abramovich no Chelsea. Nos 19 anos sob o comando do oligarca russo, o clube se tornou uma potência na Inglaterra e conquistou a supremacia em Londres, à frente de Arsenal e Tottenham, com 21 troféus no período. Foi um final abrupto e acelerado após a invasão da Rússia à Ucrânia no mês de fevereiro. Após sanções do Reino Unido, o bilionário anunciou que não estaria mais ligado ao clube, já vendido ao empresário americano Todd Boehly e seus associados.

A temporada 2021/2022 não atingiu o patamar esperado, com um terceiro lugar no Campeonato Inglês, uma eliminação nas quartas de final da Champions League e dois vice-campeonatos (Copa da Liga Inglesa e Copa da Inglaterra) contra o Liverpool, nos pênaltis. A saída de nomes importantes também esperada, um caminho já iniciado pelo zagueiro Rüdiger, que está indo para o Real Madrid após o término do seu contrato.

Na cobertura do Chelsea desde 1998, o jornalista Matt Barlow, do Daily Mail, acredita que o período de Abramovich no Chelsea transformou toda a estrutura do futebol inglês, talvez até mesmo da Europa, porque essa foi a primeira compra de um clube envolvendo tanto dinheiro, o que mudou o clube de patamar no futebol europeu, culminando na conquista de duas Champions League.

"O Abramovich chegou e começou a comprar diversos jogadores, gastando dinheiro como nunca havíamos visto. Crespo, Mutu, Makélélé, além da vinda do José Mourinho para o lugar do Ranieri após um 2004, o primeiro ano, sem títulos. O Mourinho trouxe Drogba, Cech, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, por exemplo. Além das duas Champions League, a conquista do Campeonato Inglês em 2005, após 50 anos sem o título, deixaram uma marca muito forte no Chelsea. São as grandes conquistas de Abramovich", explica Barlow.

Chelsea celebra o título da Champions League após vencer o City na temporada 2020/2021 - Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images - Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images
Chelsea celebra o título da Champions League após vencer o City na temporada 2020/2021
Imagem: Alex Caparros - UEFA/UEFA via Getty Images

As coisas já vinham complicadas para Abramovich no Reino Unido desde 2018, acrescenta o jornalista, quando houve o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e de sua filha Yulia, já que as relações com a Rússia passaram a se deteriorar. O governo britânico acusou três russos pelo envenenamento da família. Com a invasão da Rússia à Ucrânia, as coisas escalonaram e a permanência de Abramovich ficou inviável.

"Com o caso dos Skripal, o Abramovich já havia retirado a sua intenção de renovar seu visto britânico e passou a fazer poucas aparições no país. Os fãs não ligaram muito, porque as temporadas do clube continuavam fortes, mas a invasão mudou tudo. De repente, todas aquelas perguntas sem resposta pareciam muito mais importantes. Por que ele comprou o Chelsea? De onde era o dinheiro? Por que ele estava preparado para jogá-lo fora? Abramovich sempre foi muito distante e silencioso, nunca respondendo a perguntas, mas rápido em fazer ameaças legais quando era intimamente ligado a Putin", iniciou.

"Quando foi nomeado pelo Parlamento como associado de Putin e quando o governo do Reino Unido o impôs as sanções, alegando que uma de suas empresas estava fabricando aço para os tanques na Ucrânia, tudo mudou quase da noite para o dia. As pessoas (não os fãs do Chelsea) o queriam fora. Abramovich ainda nega estar próximo de Putin. E os torcedores do Chelsea ainda cantam seu nome. Ele reescreveu a história do futebol inglês e transformou o Chelsea, um clube muito bom, em um dos maiores do mundo. Os torcedores do Chelsea sempre o adorarão por isso", complementou Barlow.

O discurso de idolatria a Abramovich casa com o relato do torcedor Jordan Brightman-Charles, que compra os ingressos de temporada do Chelsea e se identifica com as arquibancadas de Stamford Bridge desde sempre, como ele próprio define. Aos 22 anos, ele acompanhou todo o período de glórias dos Blues e se sente grato pelo período em que o oligarca russo os elevou.

"Provavelmente nunca haverá outro Roman Abramovich no futebol inglês, e por isso estou triste que tenha terminado do jeito que terminou, mas também estou ansioso por uma nova era para o clube que amo. Não fiquei muito surpreso ao ver nossa temporada desmoronar após a sanção de Abramovich. Os torcedores ficaram com medo pela segurança do clube, os funcionários ficaram com medo de seus meios de subsistência e os próprios jogadores ficaram incertos sobre seu próprio futuro. Um golpe como esse quase certamente afetaria a cabeça de treinadores e jogadores", analisa.

O russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, também participou das comemorações pelo título da Liga dos Campeões - AFP PHOTO/CARL COURT - AFP PHOTO/CARL COURT
O russo Roman Abramovich, ex-dono do Chelsea, participou das comemorações pelo título da Liga dos Campeões em 2012
Imagem: AFP PHOTO/CARL COURT

Para Jordan, os títulos mais importantes do Chelsea foram o Campeonato Inglês de 2005 e a Champions League de 2012, quando, nas palavras dele, 'o clube se solidificou como uma potência em toda a Europa'. O título mundial, porém, só viria nesta temporada, contra o Palmeiras.

"19 de maio de 2012 é um dia que será sempre especial para todos nós. Infelizmente, momentos como o atual acontecem no futebol, independentemente de questões de propriedade. Ainda estou orgulhoso da nossa equipe para esta temporada. Às vezes, alguns de nossos jogadores mostraram que podem chegar mais longe, com e potencial para os próximos anos", disse.

Agora, chegam novos desafios para o clube. Barlow acrescenta que 'Abramovich tinha fundos inacabáveis de dinheiro e estava preparado para perder centenas de milhões', o que pode ser difícil para os compradores, que herdam um clube maior e uma marca global com poder aquisitivo, mas precisam ser rápidos em se adaptar. Rüdiger e Christensen estão em final de contrato e deixam o clube, enquanto existem rumores da saída de Azpilicueta e Kanté, assim como Thiago e Jorginho só têm um ano de contrato cada.

"O futebol anda rápido. O Chelsea já está um pouco atrás do City e do Liverpool. Sem título do Inglês desde 2017. Ninguém sabe ao certo quanto dinheiro os novos proprietários norte-americanos estarão dispostos a investir em recrutamento. City e Liverpool são excelentes. O Manchester United será melhor no próximo ano. O Tottenham vem melhorando com Conte. O Chelsea tem que manter o ritmo. Eles (os donos) têm que convencer os torcedores de que são sérios e sabem o que é preciso para ter sucesso no futebol. Pelo menos eles têm um treinador de ponta (Tuchel), que pode ser o maior trunfo", explicou o jornalista.

Títulos do Chelsea com Abramovich

  • Premier League - 5 (2004/05, 2005/06, 2009/10, 2014/15 e 2016/17)
  • Copa da Inglaterra - 5 (2006/07, 2008/09, 2009/10, 2011/12, 2017/18)
  • Copa da Liga - 3 (2004/05, 2006/07, 2014/15)
  • Champions League - 2 (2011/12 e 2020/21)
  • Europa League - 2 (2012/13 e 2018/19)
  • Supercopa da Inglaterra - 2 (2005 e 2009)
  • Supercopa da UEFA - 1 (2021)
  • Mundial de Clubes da Fifa - 1 (2021)

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