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Da presidência ao vestiário, Flamengo se divide e vive crise de ambiente

Marcos Braz (vice de futebol), Paulo Sousa, Rodolfo Landim (presidente do Fla) e Bruno Spindel (gerente de futebol) - Divulgação / Flamengo
Marcos Braz (vice de futebol), Paulo Sousa, Rodolfo Landim (presidente do Fla) e Bruno Spindel (gerente de futebol) Imagem: Divulgação / Flamengo

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

03/04/2022 04h00

Mais uma decisão, novo fracasso. Após enfileirar títulos de 2019 até o primeiro semestre de 2021, o Flamengo convive com uma nova realidade de fiascos em campo e um ambiente agitado que os triunfos muitas vezes escondem. A queda na final do Campeonato Carioca para o Fluminense, de todo modo, joga luz sobre os bastidores rubro-negros.

No vestiário, a relação entre Paulo Sousa e os jogadores não é das mais próximas, conforme noticiou o UOL Esporte. Grande parte do grupo não está satisfeita com a filosofia do treinador, que impõe suas ideias acima de outras possibilidades que a equipe poderia apresentar.

Em um trabalho que está apenas no início, há uma insatisfação quase que generalizada com um rodízio que, ao final do Campeonato Carioca, não tem demonstrado sinais de recompensa

O clima entre os atletas em si não pode ser considerado ruim, mas é um fato também que já não há mais o elo de outrora. Não existe uma guerra interna entre os jogadores, porém alguns pequenos grupos vão se formando. Há uma ala grande de jogadores capitaneada por David Luiz, que inclui Pedro, Andreas, Rodinei e outros, e outras turmas menores, caso do trio formado por Diego, Diego Alves e Filipe Luís.

Ídolo máximo da torcida, Gabigol já não é abraçado incondicionalmente pelas lideranças mais velhas do elenco e tem um trânsito maior entre os mais jovens do grupo, mas segue sendo uma liderança técnica fundamental no Rubro-Negro.

Contratado no início da temporada, Sousa chegou com a missão de reformular o elenco, porém sua tarefa é ingrata. O português recebeu um elenco no qual em que muitos jogadores renomados tinham acabado de renovar contrato para, agora, ficar sem espaço em campo. Diego Alves e Diego são dois exemplos.

A tarefa de mexer em um grupo que venceu praticamente tudo é difícil. O português encara resistências e vê sintomas de desmotivação. Após pedidos insistentes, recebeu os reforços desejados, e a lupa sob seu trabalho vai aumentar.

"Acredito muito que os jogadores que chegaram, seja o Pablo, o Ayrton Lucas, o Santos, o Marinho e o Fabrício Bruno, são jogadores que vão remodelando e ajustando esse grupo. Tenho certeza que a gente vai encontrar os caminhos das vitórias e teremos um final de ano melhor que o começo. Está bem entregue para a comissão técnica, temos de dar apoio, e a gente precisa ajudar e ajustar. Eles estão conhecendo o clube, mas a gente não tem tempo no futebol brasileiro", disse Marcos Braz, vice-presidente de futebol.

Gávea ferve

Entusiastas da contratação do Mister, Braz e o diretor Bruno Spindel tentam se equilibrar, porém convivem com um chumbo grosso que vem da Gávea. Caciques da política rubro-negra clamam por mudanças e pressionam Rodolfo Landim, que evita ampliar o desgaste.

O mandatário, por sua vez, também está na linha de tiro. Indicado à presidência do Conselho de Administração da Petrobras, ele recebe pressão interna, demonstrava estar inclinado a aceitar o desafio. Depois da perda da taça, Landim sucumbiu e desistiu. Em nota oficial publicada pelo clube, justificou:

"Em relação ao Flamengo, os últimos acontecimentos me demonstraram a necessidade de termos todos nós o compromisso de um grau ainda maior de dedicação e foco ao Clube".

Havia rumores de que ele pretendia levar consigo para a estatal Reinaldo Belotti, CEO do Fla e profissional de sua mais extrema confiança. Enquanto a política ferve na sede social, os rumores tomam conta do clube e fazem as divisões se ampliarem.

Braz, que tem ciência de que seu cargo é para lá de visado, ainda convive com uma questão pessoal que pode ditar os rumos do futebol do Fla em breve. O dirigente ainda não tomou uma decisão final, mas há um movimento para que ele seja candidato a deputado federal. Atualmente vereador no Rio de Janeiro, o movimento de candidatura implicaria em uma nova campanha eleitoral —a possibilidade agita os corredores do clube. Os interesses divididos mergulham o Rubro-Negro no caldeirão da política e fazem aumentar o tom do discurso sobre a falta de comando.

"Essa retórica de falta de comando vem sempre quando os resultados não acontecem. O Paulo tem todo nosso apoio, a gente confia. Temos de aprender a conviver, só os resultados positivos fazem essa retórica ir embora. Não adianta dar desculpa, temos de enfrentar os resultados que não foram bons nas finais. Todo o departamento está empenhado e sabendo que tem de reverter o quadro", acrescentou o dirigente.

Após ver o sonho do tetracampeonato ir por água abaixo, o Rubro-negro não tem muito tempo para ajustes e mira as atenções para os grandes objetivos do ano. Na terça (5), a equipe encara o Sporting Cristal, 21h30, em jogo válido pela estreia da Libertadores. Na bagagem para Lima (PER), o Fla carrega dúvidas e muitas questões para resolver.

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