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Por que Brasil x Chile é um jogo útil para Tite pensando na Copa do Mundo

Tite durante treino da seleção brasileira na Granja Comary - Pedro Martins/CBF
Tite durante treino da seleção brasileira na Granja Comary Imagem: Pedro Martins/CBF

Gabriel Carneiro e Igor Siqueira

Do UOL, em São Paulo e Rio de Janeiro

24/03/2022 04h00

O fato de o Brasil já estar classificado à Copa do Mundo e em contagem regressiva para o Qatar pode até passar uma falsa impressão de inutilidade ao jogo de hoje (24), às 20h30, contra o Chile, no Maracanã. Mas ao mesmo tempo em que a partida pode representar a eliminação dos chilenos, ela passa longe de ser uma oportunidade descartável para a seleção brasileira — principalmente no que diz respeito ao aprimoramento do time pensando na busca pelo hexa.

Tite colocará em prática, de forma mais estruturada, mais uma variação ofensiva que pode ser valiosa no Mundial — os adversários do Brasil serão conhecidos na sexta-feira (1).

O desenho não tem um centroavante de ofício. Caberá a Neymar e Paquetá a responsabilidade de produzir ofensivamente na faixa central do campo, com a contribuição e volume de jogo de Vini Jr. e Antony pelas pontas.

A formação de hoje não representa uma mudança definitiva do modelo de jogo do Brasil. Mas é um capítulo a mais na busca por soluções criativas, algo que faltou especialmente após o título da Copa América 2019.

No jogo passado, contra o Paraguai, por exemplo, o Brasil teve um meio-campo diferente, com apenas um volante mais fixo e a participação de Paquetá e Coutinho na armação, tendo ainda Matheus Cunha de centroavante, além de Vini Jr e Raphinha nas pontas.

A lesão de Cunha ajudou na execução do plano sem 9 de ofício no momento atual. Ele estava nos planos da comissão técnica, mas um problema no joelho o tirou de combate. Além disso, Raphinha não veio por conta da covid-19, o que traz também uma ligeira adaptação à característica de Antony e a chance da primeira titularidade dele na seleção.

A proposta de Tite é uma movimentação intensa, um diálogo entre Neymar e Paquetá, municiando também os ponteiros. Além desse entendimento, outro ponto a ser verificado é o comportamento do time sem um atacante que dê comprimento ao campo. Ou seja, que force os zagueiros adversários a irem mais para trás, ampliando a área para atuação dos articuladores. Paquetá e Neymar vão se alternar nesse trabalho.

Quanto a Antony, a diferença em relação a Raphinha é menos nítida, embora ambos sejam canhotos e sejam bons nos duelos 1 x 1. O jogador do Leeds, na visão da comissão técnica, tem mais facilidade para jogadas de fundo, verticais. Antony, por sua vez, busca mais combinações, mas tem valor pelo drible e a jogada de cortar para o meio e bater de canhota.

Antony durante treino da seleção na Granja Comary - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Antony durante treino da seleção na Granja Comary
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

O planejamento, até o momento, envolve o jogo contra o Chile. A comissão técnica ainda não definiu se repetirá a escalação para o duelo posterior, contra a Bolívia, na altitude de La Paz.

Certo é que considera o grupo atual o melhor para o momento, com exceção aos que estão fora por lesão ou questão médica — além de Raphinha e Matheus Cunha, isso vale para o lateral-esquerdo Alex Sandro, da Juventus.

Para a hora mais importante do ano, que é a Copa do Mundo, a seleção vai ter uma cara que considere cada adversário — o jeito que ataca, mas também a maneira com a qual se defende.

A comissão técnica adota intencionalmente uma estratégia de preparação do time diferente da que usou no ciclo para a Copa de 2018. Ali, em menos de dois anos, Tite achou o time ideal logo no começo do trabalho e usou a formação à exaustão.

Agora, quem trabalha na seleção até observa os movimentos das seleções europeias e pondera que as principais concorrentes têm dado rodagem aos jogadores, sem se fixarem em uma formação única.

A proposta é que, depois de tudo isso, o Brasil atinja o ápice do desempenho na hora mais importante, em novembro. Além das duas partidas neste mês, a diretoria de seleções planeja mais cinco amistosos antes da Copa, três em junho e dois em setembro.

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