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Melhor goleiro do mundo foi abandonado por empresário e treinou de graça

Mendy, do Chelsea, foi eleito o melhor goleiro do mundo pela Fifa no prêmio The Best - TOBY MELVILLE/Premier League - Chelsea v Liverpool
Mendy, do Chelsea, foi eleito o melhor goleiro do mundo pela Fifa no prêmio The Best Imagem: TOBY MELVILLE/Premier League - Chelsea v Liverpool

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

23/01/2022 04h00

Eleito melhor goleiro do mundo no prêmio "The Best", da Fifa, no último dia 17, Édouard Mendy tem muito a comemorar atualmente. Mas a caminhada de sucesso, contratos milionários e muitos fãs de uma das armas do Chelsea contrasta com um início difícil, quando foi abandonado por um empresário, ficou um ano desempregado e treinou sem receber qualquer pagamento.

Mendy tem 29 anos e chegou ao Chelsea como goleiro mais caro da Ligue 1 (Campeonato Francês) quando foi vendido pelo Rennes por 25 milhões de libras (R$ 185 milhões na cotação atual), em 2020.

Titular da equipe inglesa, ele desfalca o time que encara o Tottenham, hoje (23), pois está servindo à seleção do Senegal na Copa Africana de Nações. No próximo mês, seu caminho poderá cruzar com o do Palmeiras no Mundial de Clubes.

Todas as glórias que vive atualmente podem ser tratadas como recompensa para Mendy. O início da trajetória dele não foi nada fácil. Os primeiros jogos aconteceram pelo Cherbourg, da terceira divisão francesa. Ainda que tenha se destacado, não conseguiu evitar a queda do time para a quarta divisão no primeiro ano como profissional, e para a quinta divisão no segundo.

Sem contrato, Mendy ouviu de seu empresário que havia propostas para atuar fora da França. Confiou no agente e recusou ofertas de outros clubes nacionais de divisões semelhantes. Foi quando o pior aconteceu. O empresário simplesmente abandonou o goleiro, que ficou desempregado e sem ofertas para seguir atuando.

"Tentei entrar em contato com ele, mas não me respondeu. Ele simplesmente mandou uma mensagem de texto me desejando boa sorte no futuro", contou o goleiro ao jornal LeParisien.

Sem clube nem ofertas, o atual melhor do mundo na posição, então com 22 anos, voltou a morar em Le Havre, sua cidade natal (ele atua pela seleção do Senegal em razão da origem de sua mãe). Por lá, pediu a oportunidade de treinar no principal clube da cidade, que carrega o mesmo nome. Como havia passado por lá ainda criança, foi aceito, mas sem salário. Assim, trabalhou duro por um ano sem receber nada do futebol.

Pensando em desistir, Mendy não encontrou alternativa a não ser um serviço assistencial para desempregados, que busca melhores condições para pessoas nesta situação na França. Ali, conseguia um auxílio inferior ao salário de um trabalhador médio do país.

Foi um ex-colega que recolocou Mendy no futebol. Ted Lavie, ex-companheiro de Cherbourg, descobriu que o Olympique de Marselha estava realizando alguns testes com atletas da região para fazer parte do grupo principal. O time havia perdido dois goleiros reservas recentemente. Lavie indicou Mendy, que foi aprovado logo de cara.

"Conversei com um de meus amigos, Dominique Bernatowicz, responsável pelos goleiros na academia do Marselha, e ele buscava preencher um último posto. Eu disse que joguei com um cara muito bom, grande, inteligente... Acrescentei que ele buscava qualquer chance que pudesse encontrar", contou Lavie à BBC África.

Mendy não jogou no Olympique, apenas treinou eventualmente no time de cima. Ainda assim, a oportunidade abriu caminho para o futuro e o recolocou no esporte. Depois veio um contrato com o Reims, onde atuou por três temporadas, em seguida o Rennes, e o sucesso que o levou ao Chelsea.

E o resto da história você já sabe. Além de ser eleito melhor goleiro da Europa e depois do mundo, Mendy conquistou a Liga dos Campeões e a Supercopa da Europa pelos Blues. Agora, vive a expectativa pelo Mundial de Clubes.

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