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Robinho foi de craque do Atlético-MG à saída festejada após a 1ª condenação

Victor Martins

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte (MG)

20/01/2022 04h00

Ronaldinho chegou ao Atlético-MG em 2012 e pouco tempo depois já era um ídolo da torcida. O exemplo mais recente é Hulk, que também ganhou um lugar na galeria de ídolos atleticanos muito rapidamente. Quem esteve muito próximo de ocupar o mesmo espaço foi o atacante Robinho, que em curto prazo se tornou o grande craque do time.

Foi, então, que aconteceu a condenação em primeira instância pela justiça italiana. Robinho foi condenado a nove anos de prisão por violência sexual de grupo cometida contra uma mulher albanesa em uma boate em Milão, em 2013.

O que sepultou de vez qualquer chance de o Rei das Pedaladas ser colocado no mesmo patamar de Ronaldinho, Hulk, Reinado, Éder e tantos outros grandes jogadores da história do Atlético. Condenado nessa quarta-feira pela Corte de Cassação de Roma, última instância da justiça italiana, Robinho não pode mais recorrer da punição de nove anos de prisão.

Aos 37 anos, faz 38 na próxima semana, Robinho dificilmente terá uma nova oportunidade na elite do futebol brasileiro. Condenado por estupro e sem jogar profissionalmente desde 2020, após uma tentativa frustrada de retorno ao Santos, o atacante tem problemas maiores para se preocupar neste momento do que procurar um novo clube. O que torna os dois anos de Atlético a última experiência de Robinho no Brasil. O UOL Esporte escutou pessoas que estavam próximas ao jogador em novembro de 2017, data da condenação na primeira instância, para recuperar como foram os últimos dias como atleta do Galo.

O artilheiro do Brasil virou reserva do Pablo

Robinho marcou 25 gols em 2016. Nenhum outro jogador no futebol brasileiro fez mais gols do que ele naquela temporada. No Atlético, ele também liderou o ranking de assistências, com dez passes para gols. Foi um ano espetacular, que rapidamente alçou o camisa 7 ao posto de jogador favorito da torcida. Mas faltaram os títulos, que bateram na trave: vice no Mineiro e na Copa do Brasil, além da quarta colocação no Brasileiro.

Mas 2017 não foi bom para Robinho. Apesar do primeiro e único título com a camisa do Galo, com direito a gol na final do Mineiro diante do Cruzeiro, o atacante não manteve o nível da temporada anterior. A ponto de ficar no banco de reservas para o atacante Pablo, revelado pelo Oeste-SP, e que havia chegado ao clube como uma aposta. Pablo virou lateral-direito depois que saiu do Galo e atualmente defende equipes da Série B do Brasileiro.

Efeito Oswaldo de Oliveira

Oswaldo de Oliveira resgatou a confiança de Robinho - Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro - Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro
Oswaldo de Oliveira resgatou a confiança de Robinho
Imagem: Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

De favorito ao título do Brasileirão no início da competição, o Galo se viu brigando contra o rebaixamento. Quando Oswaldo de Oliveira chegou, para o lugar de Rogério Micale, o Atlético tinha apenas três pontos a mais do que o primeiro time dentro da zona do descenso. Naquele momento, o temor por um novo rebaixamento era real dentro do clube. Mas a troca de treinador fez bem ao time, principalmente a Robinho. O atacante deixou o banco de reservas e voltou a ser protagonista.

Até a chegada de Oswaldo, Robinho tinha seis gols em 41 partidas na temporada 2017. Com Oswaldo foram 13 partidas e cinco gols marcados. O treinador que havia trabalhado com o atacante no Santos, alguns anos antes, era um dos que desejavam a permanência do camisa 7 no Atlético para 2018. Apesar da condenação em primeira instância, Oswaldo trabalhou pela renovação do contrato de Robinho. Mas não conseguiu.

Dois gols no Cruzeiro na última grande exibição

Já campeão da Copa do Brasil, o Cruzeiro estava em paz com a torcida e com a moral elevada. Já o Atlético lutava para salvar a temporada, com o terceiro técnico diferente. Ao mesmo tempo que lutava para ficar livre de qualquer risco de rebaixamento, existia o sonho de jogar a Copa Libertadores do ano seguinte. Foi nesse clima que Raposa e Galo se enfrentaram no Mineirão, pela 30ª rodada do Brasileirão, dia 22 de outubro de 2017, com mando cruzeirense.

Thiago Neves abriu o placar para o Cruzeiro, que estava melhor no jogo. Mas Robinho deu outro rumo para o clássico no segundo tempo. Depois do empate com Otero, o camisa 7 marcou duas vezes. Dois belos gols, no que foi a última grande exibição do Rei das Pedaladas em solo brasileiro. No fim da temporada, o Galo não caiu, mas também não conseguiu uma vaga na Libertadores.

Nome do clássico, mal sabia Robinho que um mês depois tudo mudaria.

A primeira condenação

Faixa cobra postura da diretoria do Atlético-MG sobre Robinho - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Faixa cobra postura da diretoria do Atlético-MG sobre Robinho
Imagem: Reprodução/Twitter

No dia 23 de novembro de 2017 foi condenado em primeira instância pela justiça italiana. Um crime gravíssimo e que gerou reações diferentes na torcida do Atlético. Faixas foram colocadas na entrada sede administrativa do clube, em Lourdes, bairro do Centro-Sul de Belo Horizonte. A cobrança era por atitude imediata da diretoria.

"Um condenado por estupro jogando no Galo é uma violência contra todas as mulheres", estava escrito em uma das faixas. Em outra, a cobrança era ainda mais direta aos dirigentes atleticanos. "Galo, seu silêncio é violento! Não aceitaremos estupradores".

Porém, havia entre atleticanos quem defendia Robinho. Dias depois do protesto pela saída do atacante, uma nova faixa foi colocada no mesmo local, mas em apoio ao jogador. "Acreditamos que fatos particulares de jogadores são de responsabilidade apenas dos mesmos. Respeitamos a história do Robinho".

Atlético deu voto de confiança a Robinho

Faltavam duas rodadas para o término do Campeonato Brasileiro e a diretoria do Atlético tinha um abacaxi nas mãos para descascar. Ao mesmo tempo que o time se recuperou e entrou na briga por uma vaga na Copa Libertadores, um importante titular foi condenado por estupro. Robinho era dono do segundo maior salário do elenco, atrás apenas de Fred. O que fazer? Manter no time? Afastar? Rescindir o contrato? O assunto foi debatido internamente e o atacante ganhou um voto de confiança.

Robinho conversou com a direção do clube e também com o técnico Oswaldo de Oliveira. Como a condenação foi em primeira instância e naquele momento cabia recurso, ao contrário da condenação dessa quarta-feira, o Atlético decidiu por manter Robinho no time e não se posicionar sobre o assunto. O camisa 7 jogou mais duas vezes pelo Galo após a condenação, no empate em 2 a 2 com o Corinthians e na vitória por 4 a 3 sobre o Grêmio. O Rei das Pedaladas não fez gol e deu apenas uma assistência, para o gol de Fred diante da equipe gaúcha.

Os demais jogadores do elenco também se posicionaram a favor de Robinho naquele momento e dentro do clube não havia nenhum incômodo com a presença dele nas rodadas finais.

Uma proposta de renovação para ser recusada

Apesar de todos os problemas que poderiam acarretar uma permanência de Robinho na Cidade do Galo, a diretoria do clube negociou a renovação de contrato do atacante. Porém, as condições colocadas pelo clube não foram bem recebidas pelo staff do atleta. "Foi uma afronta", confidenciou ao UOL Esporte uma pessoa próxima ao jogador.

Robinho recebia cerca de R$ 800 mil por mês no Atlético. Apesar de se mostrar disposto a reduzir o valor para seguir em Belo Horizonte, o atacante ficou bastante incomodado com a oferta feita pelo clube mineiro. No entendimento do jogador, foi uma proposta feita para que a resposta fosse mesmo negativa.

No fim, a questão financeira foi o que pesou para a não renovação. E assim terminou a passagem de Robinho pelo Atlético, para o alívio de muitos atleticanos e a insatisfação de outros tantos.

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