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A saída de Diego Costa do Atlético: casamento que não tinha lado satisfeito

Diego Costa comemora gol do Atlético-MG sobre o Ceará - Divulgação/Mineirão
Diego Costa comemora gol do Atlético-MG sobre o Ceará Imagem: Divulgação/Mineirão

Victor Martins

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte (MG)

08/01/2022 04h00

Pouco mais de um mês atrás o Atlético-MG levantou o troféu do Campeonato Brasileiro, após 50 anos de espera. Ainda no gramado do Mineirão, durante a comemoração dos jogadores e a festa da torcida, o atacante Diego Costa avisou que não sabia se continuaria na Cidade do Galo em 2022. "Pode ser que eu fique, pode ser que eu saia", disse à Rede 98. A declaração do jogador gerou uma série de especulações, algumas negativas do clube e até mesmo do atacante. Mas ali já parecia decidido que Diego não seguiria no Atlético —e por um desejo mútuo.

A iniciativa de demonstrar insatisfação partiu do camisa 19, que ainda no fim do ano passado procurou a diretoria do clube e pediu para sair. Maior salário do elenco, ao lado de Hulk, o Atlético colocou tudo na balança antes de tomar uma decisão final: liberar ou não Diego Costa?

Com o desejo do atacante em deixar a Cidade do Galo, a diretoria alvinegra colocou todos os prós E contras no papel, para saber se valia tentar manter Diego Costa até dezembro de 2022, quando terminaria o contrato assinado por ele em agosto. Ao decidir chamar o atacante para rescindir, está claro que os pontos negativos pesaram mais do que os pontos positivos.

Hulk abraça Diego Costa na comemoração de um dos gols do Atlético-MG sobre o Sport - Pedro Souza/Atlético-MG - Pedro Souza/Atlético-MG
Hulk abraça Diego Costa na comemoração de um dos gols do Atlético-MG sobre o Sport
Imagem: Pedro Souza/Atlético-MG

Foram vários os fatores analisados pelo Atlético. É inegável que Diego Costa acrescentou tecnicamente. Um centroavante completo, que briga por cada bola com os zagueiros, sabe driblar, faz muito bem o pivô, finaliza bem com as duas pernas e tem ótimo cabeceio. Além de se tratar de um jogador que fez muito sucesso na Europa, especialmente no Atlético de Madri e no Chelsea, e que deu muita projeção ao clube nesta curta passagem por Belo Horizonte.

Mas e os contras? Diego Costa deixa o Galo com dois títulos no currículo, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, mas longe de ser um dos protagonistas como se esperava. Algo compreensível pelo longo tempo parado, pois foram quase nove meses entre o último jogo no futebol espanhol e a estreia pelo Atlético, no empate com o Bragantino, com gol dele. Um começo animador, mas não passou disso. Diego Costa até terminou a temporada como titular, mas fez menos do que se esperava.

Na avaliação interna, o salário de R$ 1,4 milhão por mês era alto demais para um atleta que jogou somente 19 vezes e fez cinco gols. Uma das explicações está na falta de uma sintonia fina dentro de campo com Hulk. Quando Diego desembarcou no Brasil, o camisa 7 já era o dono do time, atuando como centroavante. O técnico Cuca precisou alterar a equipe para encaixar os dois nomes de peso e, apesar dos títulos, ficou nítido que a dupla não funcionou tão bem quanto se imaginava.

Diego Costa se machucou durante partida entre Atlético-MG e Palmeiras - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Diego Costa, durante partida entre Atlético-MG e Palmeiras
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Também pesou contra Diego o número de lesões. Ele ficou fora do jogo decisivo com o Palmeiras, na semifinal da Copa Libertadores, por causa de um estiramento na coxa esquerda. Foi também por problema muscular que o atacante jogou apenas 11 minutos na final da Copa do Brasil, diante do Athletico-PR. Além dos casos com maior destaque, Diego Costa também sofreu outras duas pequenas lesões musculares no período em que defendeu o Atlético. Pela idade, com 33 anos, a avaliação no Atlético é de que os problemas físicos do atleta não vão diminuir.

Por fim, o comportamento de Diego Costa também fez diferença. Um jogador que gosta de ditar suas próprias regras e não respeita algumas normas. Não há relato de problemas com o elenco, mas o entendimento de que os atos do jogador poderiam influenciar outros atletas. A chegada de um novo treinador talvez pudesse mudar o panorama, mas como isso ainda não aconteceu, o Galo optou por liberar Diego de uma vez.

Foi com um sentimento de frustração, mas com a sensação de alívio, que o Atlético ligou para Diego Costa e negociou a rescisão de contrato. Um casamento de que o Galo esperava mais e até que poderia render novos frutos, mas com riscos demais para correr.

Diego foi surpreendido com ligação

Depois de alguns dias no Nordeste, Diego Costa seguiu para Madri. Ele tem residência fixa na capital espanhola e foi lá que ele recebeu a ligação do Atlético para ser comunicado sobre a rescisão de contrato. Apesar do pedido para deixar o clube, o atacante revelou para amigos que foi surpreendido com o telefonema. Diego já cogitava a possibilidade de seguir na Cidade do Galo. Principalmente pelo lado financeiro.

Apesar de realmente ter ofertas de clubes europeus e da desvalorização do Real, até agora nenhuma das ofertas superou o que ele recebia no Atlético. Mas é fato que o jogador jamais entrou de cabeça no projeto alvinegro. Durante o período em Belo Horizonte ele jamais fixou residência, enquanto a família permaneceu na Espanha.

Diego Costa vai assinar a rescisão em breve e voltará a ser um jogador livre, como era no início de agosto do ano passado. Na negociação para romper com o Galo, o atleta abriu mão de dinheiro. Ele ainda tinha a receber as luvas pela assinatura do contrato. Já o Galo fará uma economia de aproximadamente R$ 22 milhões.

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