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SAF é o que pode salvar clubes em falência esportiva, diz executivo

Do UOL, em São Paulo

17/12/2021 12h00

A realidade financeira dos clubes brasileiros hoje tem casos delicados, com endividamento alto e alguns agora miram o modelo de clube-empresa, a partir da aprovação da Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), alternativa que clubes como Botafogo e Cruzeiro buscam para a recuperação financeira.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do Canal UOL, o executivo Pedro Daniel, da Ernst & Young, explica a necessidade de os clubes brasileiros aproveitarem para o que considera como um momento de virada de chave, já que o modelo associativo dificulta a recuperação devido a diversos fatores.

"A gente fala até de falência esportiva, porque como os clubes aqui em sua grande maioria a gente está falando em modelo associativo, cria-se uma situação no qual ninguém é responsável como pessoa física, ou seja, ninguém é responsabilizado, você tem uma situação de poder no sentido não só de visibilidade, mas até no sentido indireto da carreira de cada um deles, então a gente pode ver que é muito comum políticos que saíram do futebol, então começa a criar uma situação muito propícia para você não criar esse tipo de evolução", afirma o executivo.

"Quando a gente muda para o modelo empresarial, você tem uma questão tributária diferenciada, até a aprovação agora do clube-empresa, então você paga mais imposto, disputa a mesma competição, mas já tem uma desvantagem competitiva. Segundo, você tem uma responsabilidade do dirigente pessoa física, como qualquer empresa, a pessoa física responde pela empresa, então você entra em um mercado no qual paga mais imposto, tem que manter seus salários em dia, se não você tem problemas muito mais complexos do que os outros e você não tem uma regulação, ou seja, ele pode gastar mais do que ele arrecada", completa.

Pedro Daniel cita co caso do Red Bull Bragantino, que funciona como uma empresa, e já consegue 'furar a fila' em relação a clubes mais tradicionais, que tiveram grande perda esportiva devido aos problemas administrativos.

"O Red Bull, por exemplo, furou fila, isso está muito claro, ele já está disputando as primeiras posições nas competições. Se a gente perceber, o Cuiabá é uma empresa, a partir do momento em que o seu principal acionista aportar um volume maior, fura a fila. Quando eu falo fura a fila é Botafogo, Vasco, Cruzeiro, todos esses clubes que têm um endividamento muito elevado, eles não conseguem investir na operação, porque afinal de contas eles têm que pagar o passado, diferente desses clubes que eu estou citando", explica.

"O América-MG, que está em um processo de transformação, também de ordem pública, então quando a gente começa a ver, o Athletico-PR, que tem uma estrutura de governança pronta para receber capital, Só que eu citei quatro, cinco clubes. Em um âmbito aqui de 20 clubes, a gente já começa a perceber que a gente está neste momento de virada de chave, quem não acompanhar, de fato a performance vai cair e como consequência, a gente citou alguns com falência esportivo", completa.

Cruzeiro pode levar uma década em recuperação 'orgânica'

Um caso que simboliza a situação de grandes clubes do futebol brasileiro que se complicam devido a problemas administrativos é o Cruzeiro, que pelo terceiro ano disputará a Série B em 2022, com um endividamento elevado e um longo caminho para se recuperar depois de problemas, que culminaram em investigação policial e afastamento de dirigentes.

Para Pedro Daniel, a recuperação chamada 'orgânica' do Cruzeiro, sem nenhum aporte financeiro externo, forma como o Flamengo trabalhou sua recuperação, poderia levar uma década.

"No Cruzeiro, o prazo tem que ser muito maior, se é que vai ocorrer, o prazo tem que ser muito maior. A não ser que ele receba um aporte, porque em um crescimento orgânico, que a gente fala, ou seja, sem aporte de fora, que foi o que aconteceu com o Flamengo, com o próprio Flamengo demorou 6, 7 anos para ele de fato converter em título. Um clube na Série B como o Cruzeiro, com um passivo de mais de R$ 1 bilhão e uma receita que não chega a R$ 200 milhões, o caminho é muito mais longo", explica.

"Para o Cruzeiro, em um crescimento orgânico, nós estamos falando aí tranquilamente de 10 anos para ele poder voltar para uma linha que ele estava. Acho que a única maneira para o Cruzeiro e pela história dele é um crescimento inorgânico, é um aporte que é o que o Cruzeiro, a gestão do Cruzeiro tem feito, a SAF, que é a única maneira de receber um aporte em uma visão atual, esse é o único caminho do Cruzeiro no meu entendimento", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

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