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Mauro: Atlético-MG é campeão legítimo, mas fabricado de forma artificial

Do UOL, em São Paulo

03/12/2021 13h51

Classificação e Jogos

O título brasileiro conquistado depois de uma espera de 50 anos voltou a emocionar o torcedor do Atlético-MG, que lotou as ruas em Belo Horizonte para festejar, mas também teve um aspecto decisivo, que foi o investimento feito por um grupo de quatro empresários ligados ao clube, o que proporcionou a contratação e a manutenção de um elenco caro mesmo com o clube endividado.

No podcast Posse de Bola #183, Mauro Cezar Pereira afirma que o título do Atlético-MG é legítimo, teve Hulk superando a desconfiança em sua chegada ao clube, mas também foi construído de forma artificial com a ajuda do mecenato.

"O Hulk foi o melhor em campo, foi o mais importante em campo, também me surpreendi com o seu desempenho, porque sua passagem final pela China não era nada brilhante, mas ele veio muito bem, o que diz um pouco do nosso futebol, um jogador que na China não brilhava e aqui consegue voar, como o Hulk voou. Que ele é um ótimo jogador, sempre foi. Por que dúvidas existiam naquele momento? Pelo retrospecto recente e por ser já um veterano", diz Mauro Cezar.

"Fora de campo, é claro que são aquelas pessoas que colocam dinheiro e o Atlético-MG tem um time que ele não pode pagar, o Atlético-MG tem hoje uma dívida que é nove ou dez vezes mais do que ele faturou em 2020. Ou seja, é absolutamente irreal a situação do clube do ponto de vista financeiro e pensando no time de futebol. Isso muitos chamam de doping financeiro e é permitido no Brasil porque não existe o fair play financeiro, então o Atlético-MG está fazendo aquilo que é permitido. Quanto vai durar, depende de quem banca, porque isso não é autossustentável", completa.

O jornalista cita o fato de o clube não ter condições de bancar todo o investimento feito por conta própria, o que o leva a uma dependência de seus mecenas, aponta o título como indiscutível pelos resultados obtidos pela equipe treinada por Cuca, pontuando que a taça chega de uma construção artificial.

"O título, eu não discuto, mas a maneira como tudo isso é construído evidentemente não pode ser ignorada, eu não vou ignorar isso, não tem como. O Atlético-MG é campeão, é óbvio que é legítimo, mas é um título meio que artificial, ele é fabricado a partir de uma receita que não é do clube e isso aí quem mostra são os próprios documentos do clube, uma dívida que está em torno de R$ 1,2 bilhões e R$ 1,3 bilhões, um faturamento que é muito inferior, ainda tem a construção do estádio e jogadores caríssimos", diz Mauro.

"Com jogadores caríssimos o Cuca levou a melhor especialmente porque o Abel Ferreira não foi capaz de fazer o Palmeiras andar como poderia durante o Brasileirão e o Flamengo fez tudo para entregar o título, além do absurdo do calendário, que não pode ser ignorado. O único rival na prática do Atlético-MG no campeonato foi o Flamengo e o Flamengo foi extremamente prejudicado por um calendário bizarro", completa.

Mauro Cezar também analisa o trabalho de Cuca e diz que ainda considera que o que o treinador fez no Santos na temporada anterior, quando levou o time à final da Libertadores enquanto o clube passara por vários problemas, ainda é superior ao feito no Galo, onde teve todas as condições para vencer.

"Para mim, o trabalho do Cuca no Santos foi melhor porque trabalhou com muito menos material humano, com muitas dificuldades que hoje não existem porque no Santos faltava dinheiro, falta dinheiro, falta muita coisa. No Atlético-MG hoje não falta nada, tudo está sendo colocado lá dentro. Então eu acho que o grande trabalho dele recente, que eu até chamei de Cucabol 2.0, foi o da temporada passada na minha opinião", diz Mauro.

"Desta vez ele teve um adversário mais importante, já que o Palmeiras não entrou na briga para valer, muito prejudicado por um calendário bizarro, com muitos desfalques, sem contar erros de arbitragem e foi pavimentando o seu caminho para o título", conclui.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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