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De esquecido a herói: Keno reconquistou lugar no Atlético-MG e foi decisivo

Keno tem quatro gols no Brasileirão, dois deles contra o Bahia - Fernando Moreno/AGIF
Keno tem quatro gols no Brasileirão, dois deles contra o Bahia Imagem: Fernando Moreno/AGIF

Victor Martins

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte (MG)

03/12/2021 11h00

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Keno está definitivamente na história do Atlético-MG. O camisa 11 fez dois gols na virada por 3 a 2 sobre o Bahia, na Fonte Nova. Gols do título. Gols que deram ao Galo o Campeonato Brasileiro depois de 50 anos. O atacante termina a temporada 2021 em alta. Mas até algumas semanas atrás a situação era bem diferente.

Jogador mais importante do Atlético no Brasileirão do ano passado, sob o comando de Jorge Sampaoli, Keno perdeu espaço nesta temporada. Lesões e a chegada de reforços de peso fizeram o atacante perder espaço. Titular incontestável na última temporada, em 2021 são apenas 23 partidas no Brasileiro, e em 16 delas como titular.

A fase ruim de Keno chegou a ser comentada por Cuca. O treinador foi questionado sobre a irritação do jogador após ser substituído no empate em 1 a 1 com a Chapecoense, ainda pela quinta rodada do Brasileirão. O camisa 11 deixou o jogo aos 24 minutos, para entrada de Sasha, e demonstrou muita insatisfação quando chegou ao banco de reservas.

"A revolta de um jogador existe por diversos fatores. Quero crer, ter convicção, de que hoje o Keno estava revoltado com ele mesmo, pois sabe que pode dar muito mais. E não fez um brilhante jogo como fazia no passado. Precisa de confiança, de moral, de um gol. As chances apareceram, passaram perto. A todo atleta, quando tem uma atuação assim e é substituído, é natural que saia bravo, principalmente com ele mesmo. Se fosse eu quando jogava, sairia P da vida pela minha atuação", comentou Cuca durante entrevista coletiva concedida em junho.

Autor de 11 gols no Brasileirão passado, Keno marcou apenas quatro nesta edição. Quatro gols importantíssimos, contra o Internacional (1 a 0), contra o Corinthians (3 a 0) e os dois da virada sobre o Bahia (3 a 2). Em comum, todos eles foram marcados no segundo turno. O começo de temporada de Keno foi muito diferente daquele jogador que era protagonista. E a culpa era do esquema utilizado por Cuca.

"Ele manda cada um fazer o seu papel. Então, eu estou fazendo o meu papel, Savarino faz o dele, e o Hulk faz o dele. Se eu chego cansado para fazer o gol, isso acontece. A gente acaba fazendo o gol e descendo muito a linha. Isso dificulta na hora que tem um contra-ataque para sair, fica um pouco abafado. Isso o Cuca vai ter que ver o melhor para a equipe para mudar isso. Mas, dando certo, bola para a frente", disse Keno alguns meses atrás, quando a fase não era boa para ele.

Com as chegadas de Nacho Fernández, Hulk e Diego Costa, parecia que Keno seria um reserva de luxo. De fato, o atacante que já estava na Cidade do Galo foi quem perdeu espaço. Mas Cuca sabia da importância de Keno. Não dava para abrir mão de um jogador com tanta qualidade. Foi então que o treinador ajustou a forma de o time jogar. Keno deixou de ser um ponto muito aberto, que voltava acompanhando o lateral adversário, para atuar um pouco mais centralizado.

"O Keno é um jogador que tem sido bastante criticado, mas a gente sabe do potencial dele. A qualquer momento, ele pode desequilibrar uma partida. É um jogador de um contra um melhor que a gente tem", comentou Cuca, que certamente não está muito satisfeito com o que Keno passou a entregar no segundo turno do Brasileirão.

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