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Mancha Verde: nome de maior torcida palmeirense veio de HQ e de corintiano

Adriano Wilkson e Daniel Lisboa

Do UOL, em São Paulo

29/11/2021 04h00

Um acessório que hoje seria peça de museu fazia sucesso no final dos anos 70. Quem tinha carro queria equipá-lo com um equalizador de som da marca Tojo. Quem vivia de furtos, queria roubá-lo.

Era o caso de "Galinha", um especialista na arte de extirpar equalizadores alheios pelas ruas da Zona Oeste de São Paulo. Corintiano, ele ajudou a inspirar o nome da maior torcida organizada do Palmeiras.

Quem conta essa história é José Luiz Muoio, fundador da torcida Acadêmicos da Savóia que participou da criação da primeira Mancha Verde em 1978. Sim: houve uma outra organizada de mesmo nome que não decolou, mas inspirou a homônima famosa, criada em 1983, com sua fama de aguerrida.

Mesmo o palmeirense pouco informado já ouviu falar que "Mancha" é uma referência ao Mancha Negra, vilão das histórias em quadrinhos da Disney que fazia sucesso na época. O que nem todos sabem é que "Galinha", ao menos em parte, também tem sua contribuição.

Mancha Negra e Madame Min Imagem: Reprodução

"Tinha um cara chamado Galinha que era gambá (apelido jocoso para corintiano) e ladrão de som de carro. Na época, vendiam um equalizador chamado Tojo. Ele roubava muito Tojo", conta Zé Luiz.

Segundo ele, a história é a seguinte: nos gibis, o personagem Mancha Negra também era ladrão. E tinha uma admiradora: a bruxa Madame Min, que viva tentando agarrá-lo e beijá-lo. A torcida do Palmeiras tinha uma senhora com esse apelido, Madame Min, que gostava adivinha de quem? Do "Galinha", que então ganhou o apelido de "Mancha Negra".

Quando foram fundar a torcida, os palmeirenses precisavam de um nome. Como tinha um Mancha Negra corintiano, resolveram fazer a Mancha Verde.

"A Mancha Verde de 78 nasceu de uma turma chamada turma da 29. Era uma casa aqui na rua Guaicurus (no bairro da Lapa, próxima ao clube do Palmeiras) que tinha um pessoal que frequentava uma escola chamada Experimental. Durou só dois anos, mas era boa de cerveja e drogas", lembra Zé Luiz, um dos entrevistados em "Sobre Meninos e Porcos", terceira temporada do podcast UOL Esporte Histórias. Você pode ouvir o primeiro episódio no player acima e nas principais plataformas de áudio.

Questionado sobre a história do corintiano, Nelson Ferraz, que esteve na criação das duas versões da Mancha Verde, é enfático: "Nada a ver. Imagine, um corintiano! Essa raça do c... Era só o personagem mesmo, tanto que o desenho dele (Mancha Negra) é igual ao da Mancha Verde".

"Tal personagem passava uma imagem de irreverência e rebeldia, mas sempre aliada ao humor e a uma inegável simpatia, fatores estes preponderantes nesta escolha. Portanto não existe maldade na expressão 'MANCHA' no nome da torcida, sendo que sua colocação no sentido pejorativo sempre foi feita por aqueles que procuram atingi-la e difamá-la até nestes pequenos detalhes", diz a Mancha Verde em seu site oficial.

Sobre Meninos e Porcos

Esse é um conteúdo extra de "Sobre Meninos e Porcos", a terceira temporada do premiado podcast UOL Esporte Histórias, que conta a história de como as torcidas organizadas saíram da festa e chegaram à violência. O relato é centrado no assassinato de Cleo Sóstenes nos anos 1980, considerado o marco da chegada das armas de fogo às brigas de torcida. Você pode conhecer essa história, que os repórteres Adriano Wilkson e Daniel Lisboa investigam há um ano, em um podcast de seis episódios:

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição. Você pode ouvir UOL Esporte Histórias, por exemplo, no Spotify, na Apple Podcasts e no Youtube.

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