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Heróis históricos do Palmeiras, uruguaios são quase anônimos em seu país

Palmeirenses com a taça da Copa Rio de 1951 - Acervo/SE Palmeiras
Palmeirenses com a taça da Copa Rio de 1951 Imagem: Acervo/SE Palmeiras

Diego Iwata Lima e Léo Burlá

De Montevidéu, no Uruguai

26/11/2021 04h00

Alguns dos nomes mais importantes da história do Palmeiras são uruguaios. O país celeste, aliás, tem no Alviverde o clube brasileiro que mais acolheu seus filhos, desde os tempos do Palestra Itália, com 13 ao todo —um deles, o lateral Joaquín Piquerez, é nome certo na final da Copa Libertadores contra o Flamengo, amanhã (27), em Montevidéu.

Mas dois dos maiores entre os uruguaios da história palmeirense passam longe de ter em em seu país o valor que lhes é dado na Vila Pompeia, bairro onde fica a sede social do clube, na zona oeste de São Paulo. O Uruguai sabe pouco sobre Segundo Villadoniga e Ventura Cambón. E há poucos traços deles pela literatura esportiva do país.

O palmeirense mais jovem ou menos afeito à história talvez também não saiba de quem se trata a dupla. Mas certamente conhece seus feitos. Cambón foi jogador do Palestra e treinador do Palmeiras campeão da Copa Rio em 1951. E Villadoniga foi um dos 11 que carregaram a bandeira do Brasil no campo do Pacaembu no dia em que o Palestra jogou pela primeira vez como Palmeiras, em 20 de setembro de 1942.

Em solo uruguaio, o UOL Esporte saiu em busca da família de Villadoniga. Nem o clube e seu cuidadoso departamento de história souberam indicar uma direção. Villadoniga não tinha família no Brasil quando morreu, em 2006. No seu velório, apenas o amigo e ex-colega de time Oberdan Cattani e mais alguns estiveram por ali, conforme o próprio Oberdan relatava.

No catálogo telefônico de Montevidéu, cidade onde Segundo nasceu, havia sete famílias Villadoniga listadas sob o nome. Apenas um deles, Jose Luis Villadoniga, 56, morador do bairro de Pocitos, sabia ter o nome de um ex-jogador de Futebol. Mas tampouco sabia que ele jogara no Peñarol antes de se transferir para um clube do Brasil. "Sei que é o nome de um ex-jogador, mas não conheço a sua história", disse.

Villadoniga, que depois de se aposentar como jogador, em 1946, passou a ser um frequentador do clube, foi aos poucos se tornando um anônimo no Palmeiras. Participou também da vida esportiva alviverde como jogador de bocha, quando mais velho. E morava em um dos prédios de cuja janela era possível enxergar o campo do velho Parque Antárctica. Adquirido ali não por acaso.

Villadoniga morreu sem familiares sanguíneos próximos, mas foi enterrado no seio da família que escolhera, do clube que visitava religiosamente. Seus restos mortais estão depositados no túmulo oficial do Palmeiras, no Cemitério do Araçá, nas proximidades do Estádio do Pacaembu.

"Falso" Penãrol deu um comandante ao Palmeiras

Muito antes de levar o Palmeiras à conquista mundial de 1951, Ventura Cambón (1904-1957) desembarcou no Brasil aos 26 anos, em 1930, como parte de uma equipe chamada "Peñarol Universitário". E embora tivesse o nome do popular clube e a alcunha estudantil, não era nem ligado aos carboneros, tampouco atrelado a qualquer instituição de ensino.

"Era uma equipe de exibição, que veio ao Brasil também com o objetivo de ampliar mercado para os atletas", explicou Fernando Galuppo, historiador do Palmeiras. A equipe uruguaia empatou com o Palestra Itália em 2 a 2. E o Alviverde decidiu ficar com aquele meia-esquerda.

Cambón se destacou, conquistando o tricampeonato paulista nos anos de 1932, 1933 e 1934, além de ter participado de alguns jogos do título do Torneio Rio-São Paulo de 1933.

Em 1935, logo após aposentar-se dos gramados, Cambón começou como técnico no próprio Palestra. Em 1944, num estadual no qual dividiu o posto de técnico com o também ex-jogador Bianco, o uruguaio conquistou seu primeiro título pelo clube.

Em 1950, após reassumir o comando do Verdão na reta final de um Campeonato Paulista praticamente ganho pelo São Paulo, Cambón surpreendeu a todos ao conquistar o título. No ano seguinte, vieram a Copa Rio e um Torneio Rio-São Paulo.

Com 294 jogos, é o quarto técnico que mais vezes dirigiu o Palmeiras, liderando entre os estrangeiros.

Também não há muito registro de Cambón no Uruguai, especialmente como jogador. Num texto sobre "técnicos uruguaios que fazem sucesso nos outros países", Cambón aparece no rodapé de uma reportagem do El Observador, que pode ser lida pela internet, de 2012. Na Wikipedia, o verbete dedicado a ele só aparece em português.

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