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'Torcida merece esse momento', diz autor do gol do título do Botafogo

Diego Gonaçalves celebra gol contra o Brasil de Pelotas, pela Série B do Campeonato Brasileiro - Vitor Silva/Botafogo
Diego Gonaçalves celebra gol contra o Brasil de Pelotas, pela Série B do Campeonato Brasileiro Imagem: Vitor Silva/Botafogo

Alexandre Araújo e Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

25/11/2021 04h00

"Todo o esforço e trabalho foram recompensados". Foi assim que Diego Gonçalves classificou o que passou pela cabeça ao balançar a rede contra o Brasil de Pelotas e garantir o título ao Botafogo na Série B do Campeonato Brasileiro. Após um 2020 desastroso, com rebaixamento antecipado, e um começo de segunda divisão cambaleante, o time engrenou e conseguiu assegurar o retorno à elite com autoridade.

O atacante desembarcou em General Severiano em junho, após ter defendido do Mirassol no Paulista. Ele, inclusive, quase foi contratado pela Chapecoense, mas as tratativas tiveram uma reviravolta. Meses depois, foi ele o autor do gol que provocou alívio e alegria aos alvinegros, enquanto a equipe catarinense já está rebaixada para a Série B de 2022.

"Sensação única. Passa um filme de tudo o que ocorreu neste ano. Todo o esforço, empenho e trabalho foram recompensados. Claro que o lance acaba ganhando um simbolismo, por marcar a vitória que confirma um título. Mas o sentimento que aquele gol não foi apenas meu. É um grupo de trabalho que, no primeiro momento, tinha uma missão mais importante: o acesso. Conseguimos cumprir com antecedência. O título é apenas a cereja de um grande trabalho desenvolvido", disse, ao UOL Esporte.

Diego está suspenso para a rodada final, quando o Glorioso encara o Guarani, em casa, em jogo que promete ter grande festa na arquibancada. Afinal, após os objetivos terem sido alcançados, será a despedida entre time e torcida. A promessa é de um Nilton Santos cheio.

"A torcida do Botafogo merece esse momento. No início da temporada, antes mesmo da minha chegada, muitos apontavam que o clube dificilmente subiria. A diretoria tem méritos pela montagem do elenco. Um grupo unido, trabalhador, sem vaidades. Então é uma festa merecida para todos nós. Exaltar uma vitória do Botafogo é sempre uma satisfação. Estou preparado para festejar bastante com eles e torcer por quem for jogar para fechar essa Série B com mais uma vitória", afirma.

No começo na Série B, porém, a relação entre time e arquibancada não foi tão amistosa. Com resultados aquém do esperado, houve protestos, reunião com diretoria e pedido por mudanças. A arrancada e a estabilidade na competição vieram após a chegada de Enderson Moreira, que ocupou a vaga do demitido Marcelo Chamusca, um dos principais alvos dos alvinegros.

Jogadores do Botafogo jogam o técnico Enderson Moreira para o alto após vitória sobre o Brasil de Pelotas, na Série B do Brasileiro - Vitor Silva/Botafogo - Vitor Silva/Botafogo
Imagem: Vitor Silva/Botafogo

"É claro que o Enderson teve grande mérito nesta campanha. A chegada dele trouxe, em um momento chave, a estabilidade que a gente não estava conseguindo no início da Série B. A filosofia de trabalho dele rapidamente foi absorvida pelo elenco, os resultados imediatos foram excelentes, e isso nos trouxe novamente confiança. Com o tempo, o trabalho só se solidificou. Mas o Chamusca também tem sua parcela nesse acesso e no título. Remontar quase que um elenco todo, entrosar, com uma temporada atropelando a outra, não é simples. E o futebol brasileiro é imediatista", indicou.

Veja o bate-papo do UOL Esporte com Diego Gonçalves

UOL Esporte: Como foi o trabalho com o Enderson Moreira? Qual o segredo para que o Alvinegro se tornasse o time mais consistente da Série B?

"O Enderson é um grande treinador, tem experiência, acessos no currículo, passou por grandes clubes. A chegada dele foi importante para que a gente retomasse a confiança. E, inicialmente, vencemos os quatro primeiros jogos com ele. Nos seis primeiros foram cinco vitórias e uma derrota. Esse tipo de estabilidade, em uma Série B que é disputada, onde é difícil de se conseguir uma sequência muito grandes de vitórias, foi o diferencial. Nosso grupo é muito homogêneo. Nos fechamos dentro da filosofia de jogo dele, dentro de um objetivo maior, que era o acesso, não importasse as dificuldades que enfrentaríamos. Acho que essa união, esse casamento, foi determinante para que a gente se estabelecesse no G4, e tivesse tranquilidade para, no primeiro momento, conseguir um ritmo que nos garantisse o acesso sem grandes sustos. O título veio como premiação pela nossa luta".

UOL Esporte: O seu contrato vai até junho de 2023. Qual a expectativa para a próxima temporada? A diretoria já indicou alguma diretriz aos jogadores em relação a 2022?

"A expectativa é a melhor possível. O clube novamente na elite, com uma base boa montada neste ano. Então o desafio é fazer mais uma boa temporada com o Botafogo, buscando os melhores resultados possíveis. A diretoria, tenho certeza, vai fazer um grande planejamento. Não será um ano simples, muitos desafios, mas é algo que eles já devem estar planejando. Nós, jogadores, ainda temos esse último compromisso para fechar o ano. Depois vamos descansar um pouco para, em seguida, pensar e conversar com eles sobre o ano que vem".

UOL Esporte: Em algum momento vocês acharam que não daria certo?

"Nunca deixamos de acreditar. O nosso início foi irregular, mas sabíamos que uma sequência boa seria fundamental. Aconteceu no momento importante. A Série B consegue êxito quem entende a competição. Saber que encaixar algumas sequências de vitórias é fundamental. Mas que vai existir momentos onde você vai oscilar. O mental é muito importante. Apesar das cobranças no início, das dúvidas, e das dificuldades, o nosso grupo nunca deixou de acreditar".

UOL Esporte: Tem algo dos bastidores que tenha marcado?

"A preparação para o jogo do Vasco, no segundo turno, teve umas situações interessantes. Era um clássico que se a gente vencesse o acesso estaria praticamente consolidado, e asseguraria o time deles na Série B. E foi na casa do rival. Então a gente já sabia o que precisava fazer, onde atacar. Tínhamos o mapa para vencer o jogo. E creio que foi uma das melhores atuações que tivemos, apesar do momento mais delicado do Vasco. O início de jogo a gente soube ter paciência, até para não dar brechas. Mas a partir do primeiro gol tudo fluiu muito bem. E fizemos um placar elástico. Contribui com um gol, assim como fiz no primeiro turno. Foi um jogo especial".

UOL Esporte: Qual é a importância do Botafogo em sua carreira?

"O Botafogo é um dos clubes mais importantes do nosso futebol. Revelou ícones, é tradicional e respeitado. Você ajudar em um momento duro do clube, que é um rebaixamento, e poder reconduzir um gigante para a elite é muito gratificante. Quero buscar mais objetivos aqui dentro do clube. Me sinto feliz, adaptado. No dia em que eu parar de jogar o Botafogo, sem dúvidas, será o local que lembrarei com muito carinho e gratidão".

UOL Esporte: Qual a perspectiva que você tinha do Botafogo antes de vir pra cá? E o que mudou agora?

"Um clube grande que tinha uma missão vital: subir e não permanecer na Série B. O Cruzeiro está indo para o terceiro ano, o Vasco também não subiu. Para um clube grande, ainda mais com as dificuldades financeiras, com a grana mais curta, essa permanência é ruim. E atrasa uma recuperação. Então todos que chegaram esse ano ao Botafogo sabiam que esse acesso era de extrema importância para o clube não entrar em um cenário ainda mais complicado. Essa resposta que esse grupo deu dentro de campo foi importante para lembrar que o Botafogo é grande, supera adversidades. Ano que vem sabemos que o desafio não será fácil. Posso garantir da minha parte a mesma entrega, luta".

UOL Esporte: Você havia disputado a Série B com o Internacional. Quais os principais desafios em disputar uma segunda divisão com a camisa de um clube grande?

"A pressão é muito maior, sem dúvidas. Você vira o alvo dos demais clubes por diversos motivos. Os jogadores rivais entram com um gás a mais, pois pode ser um jogo que pode chamar a atenção de um clube com uma possibilidade de trabalho melhor. Mas a Série B evoluiu muito nos últimos anos. Por diferentes motivos. Hoje um grande estar na Segunda Divisão não é algo de outro mundo como era, por exemplo, na década de 1990. E esse ajuste na questão de dinheiro, que mudou mais recentemente, faz com que a missão se torne ainda mais dura, traiçoeira, perigosa. E essa temporada, além dos clubes regionais, tradicionais, você ainda tinha um Cruzeiro, que foi o primeiro grande a cair e não subir em sequência, e agora o Vasco. Prova que a competição não é mais tão simples".

UOL Esporte: Como foi participar de uma campanha que virou série documental? Está ansioso para se ver na série?

"Eu sou um cara bastante reservado, não sou muito de falar (risos). Toda novidade, no início, você pode demorar um pouco para se acostumar. Mas acho que, até mesmo por ter um final feliz, o resultado deve ter ficado bem legal. A torcida vai gostar, com certeza. E isso nos aproxima também mais deles".

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