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João Guilherme encara birra palmeirense em sua 7ª final de Libertadores

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

25/11/2021 04h00

Classificação e Jogos

João Guilherme é um dos maiores narradores do Brasil. Prova disso é que ele narrará neste sábado (27) nada menos do que sua sétima final de Copa Libertadores. O duelo entre Palmeiras e Flamengo é considerado por ele a maior final da competição envolvendo times brasileiros —essa é a quarta da história. Mas nem tudo são flores. O narrador e apresentador da ESPN e Fox Sports tem encarado uma certa resistência dos torcedores paulistas já que tem sua imagem muito ligada ao Rubro-Negro.

A forma como João Guilherme trata o assunto não poderia ser mais natural. Para o narrador, há uma explicação bem simples sobre toda essa celeuma. Nos últimos anos, ele foi bastante escalado para fazer jogos do Flamengo por ser carioca, o que criou uma identificação com os rubro-negros.

João Guilherme perdeu 40 quilos - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

"O último jogo do Palmeiras que narrei foi em maio de 2013. Um jogo no Pacaembu contra o Tijuana pela Libertadores. De lá para cá, se vão mais de 8 anos e nunca mais narrei jogos do Palmeiras por questões de escala... No Fox Sports, onde trabalhei nesse período, pelo fato de ser carioca a direção entendia que devia narrar jogos dos cariocas. Fiz muito jogos no Rio e a maioria foi do Flamengo. Então, obviamente, tenho mais identificação com a torcida do Flamengo por isso", disse ao UOL Esporte.

"É uma responsabilidade enorme. Fui escalado pela Disney para fazer uma final de Libertadores deste porte. Então, não cabe nenhum tipo de atitude que não seja profissional. Estou ali para fazer o melhor para mim e para a empresa que eu represento, para a camisa que visto, que é a do grupo Disney. Mas é claro, o torcedor é movido pela emoção, pela paixão. E ele não tem a menor obrigação de entender isso. E eu já tenho 33 anos de carreira, comecei a narrar futebol antes das redes sociais e, agora, estou no período delas. Entendo completamente todas essas manifestações, sei que são movidas pela emoção, seja para o bem ou mal", completou.

Apesar de entender, João deixa claro que não concorda. E que o debate sobre o assunto também não é o melhor caminho. Para ele, a compreensão da situação e o respeito já são o suficiente para contornar o "problema". O narrador reitera seu profissionalismo e diz que quem o acompanhar no Fox Sports não se arrependerá.

"Entendo as manifestações. Se não quiserem aceitar também, tudo bem da mesma forma. Existe a liberdade, as escolhas. Você pode escolher o caminho que quiser, que mais te agradar. Podem ficar à vontade. Agora, uma coisa você pode ter certeza: faremos uma transmissão dando o melhor de nós, será algo muito marcante. Eu, sinceramente, levo tudo isso numa boa. Muita gente fica 'ah e tal', mas eu entendo o torcedor. Eu entendo o torcedor, cara. Até porque ele não está na razão, mas movido pela emoção. E quando isso acontece, a razão fica de lado. Não dá para discutir, dá para entender, relevar e fazer o nosso trabalho da melhor maneira. Até porque se for pensar muito nisso acaba não trabalhando. Estamos nisso há muito tempo e conhecemos como funciona. Faz parte", concluiu.

Montagens torcidas Palmeiras e Flamengo - Montagem/UOL - Montagem/UOL
Imagem: Montagem/UOL

Medo de guerra, maior final entre brasileiros e sem favoritos

Outra questão que incomoda João Guilherme é o excesso de rivalidade entre os clubes. Dentro de campo, tudo é maravilhoso e faz com que ele defina o duelo como a maior final da Libertadores entre times brasileiros. Porém, há um receio de que alguns baderneiros estejam com outras motivações que não acompanhar uma partida de futebol.

"Essa é minha grande preocupação e temo que isso, de alguma forma, possa manchar esse evento que tem tudo para ser uma grande festa de futebol. Haverá um grande jogo, com dois grandes times e um deles será campeão. Mas acho que nada justifica briga, violência... Infelizmente as informações dão conta de que tem muita gente que planeja ir lá para arranjar confusão. A polícia uruguaia já está ciente desse fato, mas essa é minha grande preocupação com o jogo. Faço até um apelo aqui. Pelo amor de Deus, gente, quem for para lá tem que aproveitar aquele momento. Estar em uma cidade muito legal que é Montevidéu, ter a chance de ir em um estádio histórico, construído para receber a primeira Copa do Mundo. Já recebeu 20 finais de Libertadores, quatro Copas Américas foram decididas lá. É um lugar maravilhoso, um jogo especial. Então para que isso de briga e violência? Não leva a nada", pediu.

Narrador João Guilherme, do Grupo Disney, adotou o bordão "Malvadão" nos jogos do Fla e torcida abraçou - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Para João Guilherme, a partida não tem favoritos. "Desde que a final foi confirmada, há aproximadamente dois meses, as equipes alternaram. Em determinado momento, o Flamengo estava muito bem e o Palmeiras muito mal. O Palmeiras tem um conjunto muito forte comandado pelo Abel Ferreira. E o Flamengo tem uma parte individual mais forte. O Flamengo tem mais jogadores que podem desequilibrar. São times com estratégia de jogo diferente. Com peso muito grande. Flamengo chegou a duas finais de Libertadores e venceu as duas. O Palmeiras está indo para a sexta final: venceu duas e perdeu três. São camisas muito pesadas", afirmou.

"Outro ponto. É um jogo só. Se fosse ida e volta poderia mudar um pouco a análise. Mas é só uma partida e já vimos o que aconteceu nas duas finais de jogo único. Foram duas finais decididas no último momento. O Flamengo com aquela virada histórica sobre o River Plate. O Palmeiras com gol do Breno Lopes no último minuto venceu o Santos, no Maracanã. Então o fato de ser uma partida coloca ainda mais emoção e imprevisibilidade nessa decisão", completou.

Por fim, João Guilherme definiu o duelo como a maior fina da Libertadores entre clubes brasileiros. "Por ser uma final de Libertadores e por ser uma final de brasileiros muito especial, com dimensão muito grande envolvendo Flamengo e Palmeiras, que vêm disputando o topo do futebol brasileiro nos últimos anos, os clubes mais ricos, que veem ganhando título. Aquela velha rivalidade entre Rio e SP. Mexe também com as outras torcidas. Corintiano, são-paulino e santista, na sua maioria, torcerá pelo Fla. Mas vascaíno, botafoguense e tricolor vão torcer pro Palmeiras. Então é algo que mexe com todo universo do nosso futebol. Muito interessante", finalizou.

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