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Como Tiago Nunes fez o Corinthians alterar a rota em seu projeto de 2020

Tiago Nunes acompanha a partida entre Corinthians e Palmeiras - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Tiago Nunes acompanha a partida entre Corinthians e Palmeiras Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

25/11/2021 04h00

Classificação e Jogos

Hoje (25), às 20h (horário de Brasília), no Castelão, o Corinthians visita o Ceará e reencontra Tiago Nunes pela primeira vez desde que o demitiu, em setembro do ano passado. A passagem do treinador pelo CT Joaquim Grava foi marcada por polêmicas nos bastidores, e o fracasso do projeto em montar um time ofensivo também contribuiu para a diretoria alterar a rota e voltar a procurar técnicos com estilos mais equilibrados, que priorizem a eficiência defensiva.

A chegada de Tiago Nunes ao Corinthians aconteceu no fim de 2019, semanas depois de o treinador ter sido campeão da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana com o Athletico-PR. No Parque São Jorge, o comandante assumia a missão de acabar com o estigma do clube em montar equipes conservadoras. Algo que vem basicamente desde 2008, com Mano Menezes. A imagem só foi reforçada após a promoção de Fábio Carille, a partir de 2017.

O plano falhou por vários motivos. A diretoria não conseguiu montar o elenco pedido por Tiago Nunes: a maior frustração no mercado da bola foi com o atacante Michael, que optou pelo Flamengo ao invés do Corinthians, mesmo sendo reserva na Gávea. O volante Cantillo e o meia Luan foram as grandes contratações do período, que ainda teve Yony González, Sidcley, Matheus Davó e Ederson.

No CT Joaquim Grava, a rotina de trabalho não agradou a quase ninguém. O treinador determinou que as refeições deveriam acontecer com todos os jogadores presentes e proibiu o uso de aparelhos celulares no refeitório. Além disso, restringiu a presença de amigos e familiares nos dias de treinamento e aplicou trabalhos com bola no campo nas horas antes das partidas.

Há relatos de que Tiago Nunes centralizava as decisões do futebol e dava pouco espaço para os membros fixos da comissão técnica opinar sobre o trabalho, sem autonomia em suas funções. Em uma entrevista na televisão, o treinador fez críticas públicas ao trabalho que vinha sendo feito no Cifut (Centro de Inteligência do Futebol) e no Lab R9, local de trabalho dos fisioterapeutas do clube.

O relacionamento ruim até poderia ser contornado caso os resultados em campo estivessem aparecendo. O Corinthians, no entanto, chegou a flertar com a possibilidade de rebaixamento no Campeonato Paulista, perdeu o estadual para o rival Palmeiras e teve um início ruim no Brasileirão. Tiago Nunes foi demitido e não deixou saudades no CT Joaquim Grava.

A experiência com o treinador fez a diretoria pisar no freio e rever suas pretensões. Para tapar o buraco e sob o discurso de não interferir nas eleições, Andrés Sanchez — o presidente em exercício — deixou Dyego Coelho no comando até onde pôde. Quando o Corinthians voltou a flertar com a possibilidade de rebaixamento, o clube fechou com Vagner Mancini para salvar a equipe de mais uma queda no Brasileirão.

Atualmente, há o entendimento de que o time precisa ter o 'DNA Corinthians'. Por isso, logo em seu primeiro dia de trabalho, Sylvinho fez questão de frisar esse caráter brigador e competitivo e deixar claro que adotaria um sistema pautado na construção de uma solidez defensiva — lições aprendidas com Tite e Mano Menezes em seus anos como auxiliar técnico.

Hoje, pela primeira vez desde que viu o projeto Tiago Nunes ruir, o Corinthians revê seu antigo comandante e, no Castelão, coloca seu estilo de jogo mais uma vez à prova. O Timão soma 53 pontos, está na quarta colocação da Série A e uma vitória diante do Ceará, pela 35ª rodada do Brasileirão, pode praticamente selar a classificação para a Copa Libertadores. O Vozão tem sete pontos a menos, mas ainda sonha com a possibilidade de um G7.

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