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Brasileirão - 2021

Sem D'Alessandro e Maicon, Gre-Nal vive fim da 'era dos capitães'

D"Alessandro e Maicon já não defendem mais Inter e Grêmio - Pedro H. Tesch/AGIF
D'Alessandro e Maicon já não defendem mais Inter e Grêmio Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

06/11/2021 04h00

Classificação e Jogos

Será o primeiro Gre-Nal totalmente carente de seus capitães recentes. D'Alessandro e Maicon, nenhum deles segue em Inter e Grêmio para protagonizarem mais um enfrentamento, hoje (6), pela 30ª rodada do Brasileiro, no Beira-Rio. O espaço vago, não nas braçadeiras, que estarão com Taison e Geromel, mas nas lideranças que se destacam em momentos de rivalidade, precisa ser preenchido.

D'Alessandro foi o primeiro a se desligar. No fim do ano passado, o argentino deixou o Colorado e partiu para o Nacional, do Uruguai. Antes, já tinha perdido um pouco a conexão com a presença em Gre-Nais e ficou no banco algumas vezes.

Mas mesmo quando ficou fora, o gringo era muito importante nos dias que antecediam o jogo. Pedia a palavra e motivava o grupo em palestras, mostrava aos mais jovens o comportamento ideal para o sucesso em jogos deste porte, chamava para si a responsabilidade de guiar o Inter em ocasiões especiais.

D'Ale foi figura ímpar nos enfrentamentos entre Inter e Grêmio. Venceu 15 de 39 jogos, empatou 13 e perdeu 11. Marcou nove gols e deu sete assistências contra o Tricolor.

Mesmo que não tenha nem perto da importância que tinha antes, D'Alessandro segue presente nos bastidores do Inter. É muito próximo de Taison, com quem mantém contato frequente. Além disso, conversa com outros ex-colegas, dirigentes do Colorado e acompanha o time mesmo distante. Fatalmente, estará assistindo ao jogo de hoje.

Já Maicon se despediu há pouco. Será o primeiro Gre-Nal sem o capitão da série de conquistas que o Grêmio teve nos últimos anos. Figura importante, tal qual D'Alessandro, não apenas com a bola rolando, mas na gestão do vestiário, na interação com companheiros, na organização do melhor para a equipe.

Em julho, quando Inter e Grêmio jogaram pela última vez, ele ainda fazia parta do elenco tricolor, mas lutava contra algumas lesões. De fora, serviu como esteio para o elenco que via nele um pilar para todos os momentos.

Em agosto, Maicon rescindiu vínculo. Hoje ele mora no Rio de Janeiro, voltará a atuar apenas em 2022 e estará distante do campo de jogo, mas segue acompanhando o Grêmio. O ex-capitão mantém contato com os companheiros através do Whatsapp pois, ainda que não faça parte da equipe no campo, permanece no grupo de mensagens dos tricolores.

Foram 19 clássicos com a camisa azul, branca e preta, nove vitórias, oito empates e duas derrotas. Um gol marcado e uma assistência.

Protagonistas de briga antes da bola rolar

D'Alessandro e Maicon defendiam seus times como quem defende sua família, sua casa, sua vida. Lutavam, de lados opostos, com todas as forças que tinham. E quando se juntavam, às vezes sobrava ímpeto. Tanto que já se estranharam antes do apito inicial do jogo. Maicon falou para D'Alessandro "não apitar o jogo" enquanto o sorteio de quem iniciaria o duelo acontecia. O gringo reagiu e a primeira treta daquela tarde aconteceu antes de a bola rolar.

Maicon e D'Alessandro discutiram antes mesmo do jogo começar  - Jeremias Wernek/UOL - Jeremias Wernek/UOL
Imagem: Jeremias Wernek/UOL

Polêmica nos bastidores

D'Alessandro e Maicon não eram amigos. Após um clássico, em 2018, D'Ale protagonizou um pedido de trégua nas provocações feitas sucessivamente pelos jogadores do Grêmio. Em sua biografia, ele relatou o encontro com os jogadores do rival e criticou Maicon pela conduta, que ao invés de evitar o clima pesado, o tornou ainda mais tenso, na opinião do argentino.

"As ofensas estavam virando briga na rua. Temos filhos que vão aos mesmos colégios, era exagerado. Grohe é uma pessoa bárbara, me acompanhou em ações sociais, com Geromel nunca houve problema. Cinco pessoas entenderam, Maicon não. Saiu dali dizendo que tínhamos pedido para não debocharem. O fotógrafo deles tirou uma foto sem que autorizássemos. Quis fazer média com a torcida que tinha ido protestar uns dias antes. Foi um irresponsável", diz trecho do livro de D'Alessandro.

Maicon, na ocasião, deu a sua versão para os fatos negando qualquer tipo de recuo no ambiente bélico.

"No dia do Gre-Nal que ganhamos de 2 a 1 pelo Gauchão, vivíamos uma situação desconfortável na tabela e diziam que iriam rebaixar a gente. E não foi o que aconteceu, ganhamos deles de 2 a 1. Depois que fizemos dois gols, o D'Alessandro, durante a partida, veio falar comigo e disse que queria conversar. Mas eu falei para ele jogar e deu. No final do jogo, ganhamos e já deu que enfrentaríamos eles duas vezes de novo pelas quartas. Depois desse jogo, o D'Alessandro, o Roger, o Moledo e o Lomba vieram falar com a gente, pedindo para parar com as provocações, com deboche, mas o D'Alessandro esqueceu que ele era a peça principal que fazia os deboches com o Grêmio, ofendendo, pegando caixão. Mas aqui se faz, aqui se paga. Eu disse para os meus companheiros de Grêmio que eles tinham pedido isso, e a resposta do nosso grupo foi que não teria arrego, nada. Vamos ganhar e quando tiver que zoar, vamos zoar. E eles também. Vida que segue", falou em coletiva na época.

Hoje, Inter e Grêmio procuram novos D'Alessandros e Maicons para manter acesa a rivalidade, para guiar e defender seus elencos em campo e fora dele.