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ONG organiza denúncia de tráfico humano contra Maradona, diz TV

Mavys Álvarez teve um relacionamento com Maradona quando tinha 16 anos - Reprodução/América Tevé
Mavys Álvarez teve um relacionamento com Maradona quando tinha 16 anos Imagem: Reprodução/América Tevé

Colaboração para o UOL, de São Paulo

24/10/2021 21h05

Diego Armando Maradona, que morreu há cerca de um ano, pode ser indiciado por crime de tráfico humano segundo reportagem exibida pela Record na noite de hoje (24). A denúncia é consequência de um suposto caso que o craque argentino teria tido com uma menor de idade há mais de 20 anos.

A história foi revelada há um mês em uma emissora norte-americana voltada ao público latino. A cubana Mavys Álvarez, hoje com 37 anos, diz que se relacionou com Maradona quando tinha 16 anos, durante estadia do jogador em Havana. Ela afirma que usou drogas durante essa fase e viajou com ele para a Argentina para realizar uma cirurgia de implante mamário, sem autorização dos seus pais.

Fernando Miguez, presidente de uma ONG na Argentina chamada Fundación por la Paz y el Cambio Climático, foi entrevistado pela reportagem da Record e confirmou a denúncia:

"Nós indiciamos cinco pessoas. Não só por tráfico humano, mas também por iniciarem uma menor nas drogas. Além disso, devido à imposição de Maradona, Mavys, na Argentina, fez uma operação de aumento de mamas, e a mantiveram em cativeiro na Argentina. Estamos falando de uma verdadeira gangue que cometeu uma série de crimes", afirmou Fernando.

A reportagem também entrou em contato com Gastón Marano, advogado que assumiu o caso de Mavys após a repercussão da entrevista. Segundo ele, a cubana, que hoje mora em Miami com seu marido e dois filhos, teve muita dificuldade para revelar a história por conta do medo que tinha tanto de Maradona quanto de Fidel Castro, falecido líder da ilha.

"Ela ainda morava em Cuba, sua família está lá até hoje. Mas agora se sente encorajada a falar, denunciar e exigir justiça", disse.

Gastón acredita que toda a operação que permitiu a entrada de Mavys na Argentina ainda menor de idade para uma cirurgia estética deve ter envolvido dezenas de pessoas: "Alguém coordenou tudo isso com a Direção Nacional de Migração. Além disso, por dois meses e meio ela ficou em um hotel. Ali, um médico fez nela uma operação de busto. E então a jovem deixa o país nas mesmas condições".

"O que quero dizer é que podemos praticamente ler todo o Código Penal argentino e vamos ter que parar a cada quatro, cinco páginas, nesse caso, porque foram muitos anos de abusos e muitas coisas ilegais feitas nesse período", declarou o advogado, à Record.

Na entrevista em que revelou a história, Mavys relatou que conheceu Maradona após ser abordada por um amigo do jogador em Havana. Na época, o argentino fazia uma estadia na capital cubana para supostamente cuidar do vício de drogas.

Maradona faleceu em 25 de novembro de 2020, vítima de insuficiência cardíaca. Há suspeita de negligência médica com o ex-jogador.

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