PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Time jovem é visto como fundamental para o RB Bragantino seguir competitivo

Do UOL, em São Paulo

23/10/2021 04h00

Classificação e Jogos

O Red Bull Bragantino conta com um elenco jovem, com média de idade de 23,9 anos. Vários atletas na faixa dos 20 anos estavam em grandes clubes brasileiros, como o zagueiro Natan (emprestado pelo Flamengo com compra dos direitos fixada) Alerrandro (ex-Atlético-MG), Helinho (São Paulo), Artur (ex-Palmeiras) e Praxedes (ex-Inter), entre outros.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do Canal UOL, o diretor executivo de futebol Thiago Scuro explica o quanto a estratégia de contratar jogadores jovens está ligada ao perfil da marca Red Bull e como é fundamental para que o clube possa ser competitivo com investimentos menores que os de adversários, como Flamengo e Palmeiras.

"O primeiro aspecto é o DNA da marca, a Red Bull tem esse perfil em tudo o que ela faz, então a Red Bull historicamente tem os pilotos de Fórmula 1 mais jovens, todos os atletas patrocinados pela marca, eles são patrocinados desde a base para chegar no alto nível, então é uma marca que se propõe a criar condições para que o atleta atinja o topo e não simplesmente contratá-lo quando está no topo", explica o dirigente do clube finalista da Copa Sul-Americana e atual quinto colocado do Brasileirão.

"Quando a gente traz isso para o futebol, a gente tem vários outros aspectos que tornam essa estratégia mais inteligente, que é o fato de um modelo de jogo mais agressivo, mais intenso, isso tem sido o nosso grande ativo dentro do campeonato, nós somos uma equipe muito intensa, que o tempo inteiro incomoda o adversário com a bola ou sem, então, para desenvolver esse jogo do ponto de vista físico e mental, o jovem tem uma facilidade maior, porque ele ainda está em formação, a gente consegue influenciá-lo mais com relação ao comportamento dentro do jogo", completa.

Isto explica o fato de o clube não fazer como os atuais líderes do Brasileirão. O Atlético-MG contratou recentemente Hulk e Diego Costa, enquanto o Flamengo repatriou o zagueiro David Luiz e o meia Andreas Pereira. Já o Corinthians passou a contar com Giuliano, Renato Augusto e Willian.

"Se nós contratarmos um jogador historicamente bem-sucedido, vencedor, com 30 e poucos anos, é muito mais desafiador mudar a forma como ele enxerga o jogo, então esse é um aspecto e aí isso vai desdobrando em vários outros pontos para que a equipe possa atingir a competitividade que busca, inclusive o financeiro. Hoje, apesar de estar ali em quinto colocado, o Red Bull Bragantino deve ter a 13ª, 14ª folha da Série A do Brasileiro", afirma Scuro.

O clube tem o objetivo de formar os próprios jogadores e até já tem alguns da base ganhando espaço entre os profissionais, mas por enquanto segue investindo em jovens revelados de outras equipes para lapidá-los, mesmo que o custo inicial seja alto, mas que no médio e longo prazo se torna mais vantajoso.

"Os jogadores jovens exigem sim neste momento, neste primeiro ciclo do clube, um investimento importante nas contratações. Mas quando a gente olha o pacote dos cinco anos desse jogador, ele custa menos do que muitos atletas que são considerados livres pela imprensa [sem vínculo contratual ]. 'Tal atleta veio, mas ele é livre'. Só que esse atleta vai custar R$ 1,5 milhão por mês, mais encargos, mais impostos. Em três anos, ele custou duas vezes mais do que um jovem promissor com salário e transferência", explica.

Thiago Scuro afirma que sem um time com a base jovem como o Red Bull Bragantino tem hoje, seria inviável competir em alto nível com os principais clubes brasileiros, que são mais populares e faturam mais.

"Há essa lógica também financeira, há essa lógica do jovem, do desenvolvimento, esses atletas estão se tornando grandes jogadores dentro do Red Bull Bragantino, essa é uma ambição da matriz sim. O Claudinho se tornou um atleta de ponta aqui, o Artur está no mesmo caminho, o Natan, sem dúvida nenhuma, vai ser outro, o Praxedes, Jadsom, Helinho e tantos outros jovens que estão crescendo dentro do nosso trabalho, e isso é o que vai nos possibilitar competir no topo do Campeonato Brasileiro", diz o dirigente.

"Nós não vamos conseguir competir financeiramente no topo, porque nós já estamos falando de equipes aí na casa dos R$ 500/ 600 milhões de faturamento, eles sempre vão ter mais dinheiro em campo do que nós, então a nossa estratégia é que, através do desenvolvimento de jovens talentos, a gente consiga ser competitivo", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

Futebol