PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Brenno fala de drama no Z4 e vê Grêmio "mais leve" após saída de Felipão

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

22/10/2021 04h00

Classificação e Jogos

Brenno, goleiro do Grêmio, admite que adquiriu o hábito de torcer contra os times que também estão na parte debaixo da tabela do Campeonato Brasileiro. A declaração, em tom de confissão, resume o drama vivido pelo clube gaúcho. Em entrevista ao UOL Esporte, o camisa 20 do time gremista fala sobre a temporada de "batismo" como profissional, os Jogos Olímpicos de Tóquio e a reserva em Porto Alegre depois da viagem ao Japão. Revela surpresa com Felipão e relata um ambiente mais leve nos últimos dias.

O Grêmio tem 26 pontos e é penúltimo colocado no Brasileirão. Três rodadas atrás, Brenno protagonizou cena que viralizou: o goleiro saiu da Vila Belmiro aos prantos depois da derrota para o Santos, por 1 a 0, graças ao gol nos acréscimos do time da casa.

"A gente brinca, o Gabriel Chapecó e eu, que depois dessa primeira temporada jogando no profissional a gente vai sair com muita experiência. Muita casca. Por tudo que a gente está vivendo", disse Brenno.

O ano nem terminou e os dois goleiros formados na base do Grêmio já tem muita história para contar. Brenno saltou de quarto na hierarquia para titular, em menos de um mês. Ganhou sequência, mesmo com a diretoria de olho em um reforço para função. Foi tão bem que fez o clube desistir de contratar outro jogador. Foi chamado para a seleção olímpica, viajou com o time já na zona de rebaixamento e voltou do outro lado do mundo com a medalha de ouro na bagagem. Mas uma dor de cabeça que não era do fuso horário.

"Na seleção foi maravilhoso, né? Vivi dias incríveis lá. Vivenciar uma competição de alto nível foi muito, muito legal. Mas eu ficava com a cabeça meio ruim pelo Grêmio, né? Eu não consegui assistir aos jogos, então fui acompanhando os resultados. Por esse lado, foi difícil. Bem difícil", contou.

Na volta do Japão, o treinador do Grêmio não era mais Tiago Nunes. Luiz Felipe Scolari assumiu o comando do time e fixou Gabriel Chapecó como titular. A troca no gol passou de circunstancial para fixa. Brenno, que saiu do Brasil como um dos destaques do time, voltou e foi parar no banco de reservas.

"Não posso ser hipócrita e dizer que fiquei feliz, contente. Respeitei a decisão dele. Fiquei muito feliz pelo Chapecó, a gente vem da base e eu sei o tanto que a gente passa e os desafios para chegar até aqui. A gente é bem próximo e torce muito um pelo outro. Eu soube entender, soube aceitar. Conversei muito com a minha esposa, meus pais e orei muito para entender o momento, o que Ele queria de mim no momento. Tive muita força e fé para entender tudo isso", comentou o goleiro do Grêmio.

O que surpreendeu Brenno, de novo, foi a sequência de fatos. Felipão, em entrevista, chegou a dizer que daria sequência ao ex-titular. Contra o Flamengo, na Copa do Brasil, o camisa 20 foi escalado. Três dias depois, soube em cima da hora que não ia continuar.

"Eu imaginava (que iria jogar contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã). Fiquei sabendo na preleção (que estava fora do time), mas paciência, né? No fim, acabei entrando no jogo", relembrou.

Brenno e Felipão tiveram uma conversa sobre a situação, segundo o goleiro. Foi quase um mês depois do retorno do Japão e só. Nos últimos dois jogos de Scolari na atual passagem, Chapecó ficou fora e Brenno voltou a atuar. Mas o clima mudou mesmo foi após a mudança na comissão técnica. E vitória contra o Juventude, já sob comando de Vagner Mancini.

"Tudo melhora depois de uma vitória, né? A gente estava precisando? Os últimos dias estão sendo bons, os trabalhos com o professor Mancini tem sido muito bons. Trouxe uma motivação nova, o clima tem sido bem melhor agora", revelou Brenno.

O placar de 3 a 2 no domingo não fez o Grêmio subir na tabela, mas deu novo fôlego para brigar contra o rebaixamento em uma matemática que está presente dentro do vestiário.

"A gente faz (contas), sim. A gente dá uma secada em quem está ali com a gente, os times que estão perto. Mas o campeonato não está ajudando. Às vezes é melhor nem olhar, sabe? Pensar só na quantidade de vitórias que a gente precisa fazer para tirar essa assombração que está perto da gente", declarou.

Entre treinos e jogos, outro assunto frequente dos jogadores é a busca por um diagnóstico sobre a situação que levou o Grêmio a sair da final da Copa do Brasil de 2020 para a luta contra o rebaixamento.

"A gente pensa, a gente conversa entre a gente. Mas? Isso é? Tem muitos fatores para a gente passar pelo o que estamos passando. Mas a gente vai seguir. Agora com o professor Mancini os treinos têm sido muito bons, muito bons mesmo. E a gente está bem feliz, o ambiente mudou muito e agora a gente vai em busca das vitórias para alcançar o objetivo", decretou Brenno.

O objetivo do goleiro é simples, mas não necessariamente fácil. O Grêmio, nos cálculos preliminares, precisa de mais cinco vitórias em 13 rodadas. "Meu sonho para 2022 é o Grêmio na Série A e a gente fazer um ano novo muito melhor do que este", finalizou Brenno.

A próxima temporada passa pelo jogo contra o Atlético-GO, segunda-feira (25), em Goiânia. Brenno estará lá. Como titular.

Futebol