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Após greve de atletas, Cruzeiro pagará menos de 50% dos salários atrasados

Cruzeiro segue com enorme dificuldade de honrar compromissos básicos e vive drama financeiro  - Bruno Haddad/Cruzeiro
Cruzeiro segue com enorme dificuldade de honrar compromissos básicos e vive drama financeiro Imagem: Bruno Haddad/Cruzeiro

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

21/10/2021 04h00Atualizada em 21/10/2021 08h01

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A situação financeira do Cruzeiro segue crítica e o clube continua com enorme dificuldade de arcar com compromissos básicos, como o salário de atletas e funcionários administrativos. Com um montante aproximado de R$ 9 milhões de atrasos salariais em 2021, o clube não conseguirá extinguir toda essa dívida com membros do departamento de futebol e demais colaboradores. Menos da metade desse valor foi angariado por meio de empréstimo com torcedores ricos, os mecenas que têm ajudado a Raposa, dentre esses Pedro Lourenço (dono dos Supermercados BH) e o empreiteiro Régis Campos (dono da construtora Emccamp).

Segundo apurou o UOL Esporte serão aportados em torno de R$ 4 milhões para minimizar os salários atrasados —pendências que motivaram a paralisação dos jogadores na última semana. O valor repassado pelos milionários cruzeirenses em forma de empréstimo será liberado após o clube dar garantias de pagamento. Apenas atletas e comissão técnica serão contemplados nesse primeiro momento. Já os trabalhadores administrativos e dos centros de treinamento Toca I e Toca II ainda não teriam garantia de receberem.

"A dívida é de R$ 9 milhões. Quitar tudo, eu acho difícil, mas a ideia é amenizar uma boa parte agora. Algumas pessoas comentaram que chegou a seis meses de atraso, mas isso não teve, teve problema parcial. A gente espera resolver parcialmente essa semana para tentar fazer isso o quanto antes", afirmou o presidente Sérgio Santos Rodrigues em entrevista ao jornal mineiro O Tempo.

De acordo com uma fonte ligada à Toca II, centro de treinamento onde os jogadores do time principal treinam, o pagamento fracionado não contemplando todos os funcionários desagrada. Por isso não estão descartados outros movimentos dos atletas. A reportagem procurou a diretoria do Cruzeiro, que afirmou que o assunto é tratado internamente.

"Não cabe a um, dois, três, quatro ou cinco jogadores [decidir por movimento grevista]. Isso é sempre uma decisão do grupo. Mas a gente tem fé e esperança que uma solução vai ser encontrada para que todos fiquem contentes. O intuito de todos foi para que isso [atraso salarial] seja solucionado, e que todos que fazem parte do Cruzeiro, desde o alto até o último empregado que chegou, possam ficar satisfeitos", disse o volante Rômulo, uma das lideranças da equipe.

Déficit

Sem uma fonte importante de receitas, o Cruzeiro vive uma onda de dúvidas quanto aos próximos pagamentos. O clube tem sobrevivido com dinheiro de mecenas, pois não consegue arrecadar mais do que gasta. No primeiro semestre de 2021 apresentou déficit de R$ 68 milhões. Número menor do que o apresentado na última temporada, mas que ainda assusta. A dívida global da Raposa está cada vez mais perto de R$ 1 bilhão e, fatalmente, deve ultrapassar esse montante até o fim da temporada. A expectativa é que até o fim do ano o déficit chegue próximo —ou ultrapasse— os R$ 100 milhões.

Nesta semana, o Cruzeiro divulgou em seu site oficial o balanço patrimonial do primeiro semestre de 2021 e destacou déficit quase seis vezes menor do que o real. O clube preferiu apontar rombo de apenas R$ 12,5 milhões, desconsiderando algumas despesas de depreciação, acordos trabalhistas e outros, mostrando representação de "efeito de caixa" no período representado, o que consta no próprio balancete. O que pode gerar uma falsa impressão de otimismo.

"O resultado foi um déficit de R$ 12 milhões aproximadamente, no resultado ajustado, mas bem melhor do que o déficit de R$ 53 milhões do mesmo período do ano anterior. Isso demonstra que a gente está no caminho certo de ajuste, de austeridade, otimização de pessoas, de estrutura (...) torcer para que o trabalho continue melhorando cada vez mais", disse o CEO cruzeirense, Paulo Assis.

"A ideia é terminar o ano em dia, manter é difícil. A gente fazendo o pagamento parcial vai tapar um pouco o que tem para trás. A gente tem questões em andamento de marketing. A gente espera que até o fim do ano consiga entrar com tudo limpo para não ter dívidas na SAF [Sociedade Anônima do Futebol]", também disse o mandatário cruzeirense a O Tempo.

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