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Nos pés, o que mudou para Neymar com a troca da Nike pela Puma?

Nova chuteira da Puma usada por Neymar, Future Z Spectra Pack Imagem: Divulgação/Puma

Flavio Latif e Rodolfo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo (SP)

16/10/2021 04h00

Camisa 10 do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira, Neymar trocou o patrocínio que tinha com a Nike pela Puma —em agosto de 2020, o atleta rompeu com a americana alegando falta de acordo sobre valores para uma renovação. Já são 50 jogos usando chuteiras da marca alemã. Falando apenas do calçado, o que mudou para o brasileiro?

O primeiro jogo com uma chuteira alemã foi no dia 13 de setembro, na derrota por 1 a 0 para o Olympique de Marselha, pelo Campeonato Francês. Naquele dia, o astro brasileiro foi expulso após empurrar o zagueiro espanhol Álvaro González, que teria sido racista com Neymar durante o jogo. No pé de Neymar estava uma versão atualizada da Puma King —linha clássica da empresa, usada por Pelé e Maradona, além do português Eusébio, do holandês Cruijff e do alemão Matthäus.

Neymar deixa o campo após ser expulso no clássico PSG x Olympique de Marselha Imagem: Xavier Laine/Getty Images

Era uma revolução em relação às antigas chuteiras da Nike — ele era um dos garotos-propaganda da Mercurial, coloridas e com cabedal em tecido. Primeiro, o visual. A King é preta e branca, com o mesmo visual das usadas por Pelé nos anos 60 e 70. E o cabedal era em couro de canguru —desde os anos 90, material preferido pelas empresas para quem insiste em usar couro. O solado era especial para Neymar, usando a configuração de outra linha de chuteiras da marca, com dentes (a King original usa o solado de travas tradicional).

"Quando o Neymar foi para Puma e foi anunciado como o jogador da Puma King, era muito óbvio que era apenas uma jogada de marketing, já que foi a mesma chuteira que o Rei Pelé usou. Era uma chuteira que não tinha nada a ver com o estilo do Neymar. Uma chuteira pesada, de couro [a primeira vez que ele estava usando oficialmente uma chuteira de couro] e o principal: era uma chuteira discreta, o oposto da Mercurial que sempre teve cores e designs extravagantes", explica o youtuber Felipe Vargas, do canal "FutLiga", especialista no assunto.

Neymar durante treinamento da seleção brasileira com a Future Z Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

A saída da linha King aconteceu em dezembro de 2020, quando Neymar se tornou a cara da linha Future Z. E é aí que começa a diferença: pela primeira vez desde a mudança de patrocinador, o brasileiro ganhou uma chuteira desenvolvida para suas características de jogo. "O Neymar muda muito de direção quando está correndo ou driblando e, para o pé dele não ficar instável dentro da chuteira, criaram um material novo e o colocaram em uma faixa no meio da chuteira. Assim, a chuteira fica muito ajustada e o pé muito estável mesmo com as diversas mudanças de direção", explica Vargas, sobre a Future Z.

Segundo o youtuber, o desenvolvimento do solado também levou em consideração as características do jogador. "O solado também foi pensado no estilo de jogo do Neymar, nas arrancadas e dribles. Não é um solado separado, como era da Mercurial. A Future Z também tem uma 'botinha' não muito alta, também para dar estabilidade. A Mercurial Vapor não tinha nenhuma 'botinha'. Por não ser uma chuteira de velocidade, ela [a Future Z] é mais pesada que o modelo da Nike. A Puma investiu muito na contratação do Neymar e por isso não poderia fazer uma chuteira 'qualquer'. Então, resumindo, a principal diferença é o conceito: uma pensa muito em velocidade e a outra em ajuste e estabilidade. E com isso, cada uma cria tecnologias voltadas pro seu conceito."

Esses conceitos a que Vargas se refere têm origem na Mercurial: a linha, desenvolvida originalmente para Ronaldo Fenômeno, se transformou na chuteira de Cristiano Ronaldo. Desde 2010, toda a evolução do calçado foi pensada para as características do português: "A Mercurial Vapor 13, a última que o Neymar usou, tem o conceito de velocidade. Por isso fazem de tudo para que a chuteira seja a mais leve possível. Tinha um material diferente, mas era um diferente muito bom. E o solado também foi modificado, a parte da frente e a parte do calcanhar não possuem ligação, são solados 'separados'", explica.

Chuteira de Neymar na Copa do Mundo de 2014: primeira geração da Hypervenom Imagem: Buda Mendes/Getty Images
Chuteira de Neymar na Copa do Mundo de 2018: de volta para a Mercurial Imagem: Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images

É bom lembrar que Neymar já contou com uma chuteira própria na Nike: entre 2013 e 2017, ele foi a cara da Hipervenon, linha que tinha como objetivo justamente a agilidade. O modelo original foi um sucesso, mas a segunda geração, quando as "botinhas" ganharam mais importância, teve problemas e toda a linha passou por mudanças. Em 2017, Neymar voltou para a Mercurial e, em 2019, a Hipervenon mudou de nome (e conceito) para Phantom.

Em campo, a mudança ainda é recente. Desde que passou a usar a Future Z, Neymar não teve lesões graves —em apenas dez meses, porém, ainda não é possível relacionar os fatos. Desde a mudança para a Puma, também existe uma queda ligeira no número de gols marcados. Neymar tem média de 0,50 gol por jogo com chuteiras da marca alemã. Na Nike, que usou dos 13 aos 28 anos, a média era de 0,62 gol por jogo (veja o números detalhados no fim desta matéria). De novo, é pouco tempo para fazer comparações.

Neste levantamento, só foram considerados os gols marcados em partidas oficiais. Com a Puma, foram contabilizados os gols feitos pelo PSG e pela seleção brasileira. Já com a Nike, foram considerados os gols com as camisas do Santos, Barcelona e do time francês.

Veja os números de Neymar com cada patrocinador

Com a Puma

50 jogos
25 gols

Com a Nike

614 jogos
385 gols

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