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Chapa de Leila Pereira no Palmeiras mostra habilidade política e ataca tabu

Leila Pereira celebra o bicampeonato da Copa Libertadores - Reprodução
Leila Pereira celebra o bicampeonato da Copa Libertadores Imagem: Reprodução

Diego Iwata Lima

De São Paulo

22/09/2021 18h04

A composição da chapa de Leila Pereira à presidência do Palmeiras chega para quebrar um tabu tão antigo quanto a história do clube. Se eleita, será a primeira vez que o Palmeiras terá, além de uma presidenta, duas vice-presidentas. Em 107 anos de existência, apenas homens ocuparam os cinco cargos de presidência da diretoria no clube —cada presidente tem quatro vices.

Conforme já era de conhecimento geral, Paulo Buosi, atual 1º vice-presidente de Mauricio Galiotte, seguirá na função caso Leila seja eleita. A 2ª vice da chapa da proprietária da Crefisa é Maria Tereza Ambrósio Bellangero. A 3ª, Neive Conceição Bulla de Andrade. E Tarso Luiz Furtado Gouveia completa a chapa, como 4º vice.

Tarso, Diretor do Departamento de Interior nas gestões Paulo Nobre e Mauricio Galiotte é também muito ligado à Mancha Alviverde. Sua inclusão na chapa é, desse modo, um aceno à torcida organizada, aliada de Leila, e também inclui na cédula a UVB (União Verde Branca), à qual ele é filiado.

A UVB é um dos grupos mais tradicionais do clube, surgido em 1995 e capitaneado por Wlademir Pescarmona, tendo como um de seus membros o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo.

Indicações causam estranhamento e demonstram habilidade

As duas mulheres que fazem parte da chapa são muito atuantes no clube. Maria Tereza Bellangero é diretora estatutária da Patinação, departamento com muita tradição no clube, por conta dos fortes times de hóquei e do tradicionalíssimo espetáculo de patinação artística alviverde "Periquitos em Revista". Já Neive é membro do COF, uma espécie de "senado" do Palmeiras.

O fato de ambas serem muito atuantes socialmente, entretanto, não impediu que suas indicações causassem estranhamento, pelo simples fato de se tratar de um movimento inédito de inclusão de representatividade feminina. Nada, até o momento, que tenha descambado para declarações e atitudes machistas ou misóginas públicas.

Pessoas ouvidas pela reportagem entendem que Leila foi muito hábil na composição de sua chapa. Há muitas mulheres associadas ao clube que nunca tiveram uma igual como interlocutora em cargo tão alto na administração. Acredita-se que elas possam trazer um outro tipo de olhar à gestão, além de atrair votos.

E pela forte atuação de ambas em problemas atinentes exclusivamente ao clube social, acredita-se que elas ajudarão Leila a angariar a simpatia de associados mais preocupados com questões mais internas do dia-a-dia da sede social, como os aparelhos de lazer e os departamentos amadores, por exemplo, do que com o futebol profissional, carro-chefe e porta de entrada da influência de Leila no Palmeiras.

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