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"Me senti no começo do século", diz Mauro Cezar sobre coletiva de Renato

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/09/2021 18h07

Nesta quarta-feira (22), às 21h30, o Flamengo começa a decidir a classificação à final da Libertadores contra o Barcelona-EQU. Mas, no último domingo (19), a equipe teve uma atuação fraca e perdeu, no Maracanã, para o Grêmio por 1 a 0, pelo Brasileirão. O revés em casa liga o alerta da equipe antes da competição continental.

No Fim de Papo Libertadores, live do UOL Esporte - com os jornalistas Julio Gomes, Mauro Cezar Pereira e Rafael Oliveira - os comentaristas abordaram a atuação de Renato Gaúcho na derrota do Rubro-Negro. As falas do treinador na coletiva também foram alvo de críticas dos analistas.

Mauro Cezar disse acreditar que o treinador "beirou a maluquice" e o fez lembrar do começo do século.

"O Grêmio, com o [Luiz Felipe] Scolari, com as mesmas ideias de décadas atrás, e o Renato fazendo algo parecido com o que fez anos atrás. Me senti no começo do século com a coletiva dele, quando ele ainda passava por Fluminense, Vasco e vários clubes. O time era um bando, uma bagunça total. Quando colocou o Tiago Maia, tirou o Andreas, era um 4-2-4 descabido. Na coletiva, disse 'se eu coloco junto, vocês reclamam que são três volantes [com o Arão]'. Ele dizia isso há uns 20 anos. Ele teve elencos com volantes marcadores, que basicamente desarmam e não criam. O entendimento dele, de que esse trio é um trio de jogadores que são destroem e não constroem, é extremamente equivocado, beira a maluquice", disse.

Além disso, Mauro vê as entradas de Pedro, Kenedy e Bruno Henrique como outra alternativa ruim. "Os argumentos que ele utilizou para colocar atacantes também me chamaram atenção. 'Estou perdendo e preciso fazer gols. Para fazer gols, coloco atacantes'. Mas aí você empilha atacantes. Se fosse automobilismo, era ter um carro com ótimo motor, mas só com três pneus. O carro não vai andar, precisa de quatro pneus. O Flamengo não tinha alguém para fazer a bola chegar ao ataque. Ele ainda disse que Pedro e Gabigol juntos não funcionam. Então por que colocou? Ele foi desastre à beira do campo e na coletiva, minimizou uma derrota que foi importantíssima no campeonato. Isso é muito perigoso para quarta, embora o time mude muito de comportamento. Ele mostrou desconhecimento sobre jogadores e o que fazer", avaliou.

Na visão do colunista do UOL, o comandante está perdido à frente do clube da Gávea e pode abrir mão da disputa do Brasileiro em breve.

"Ele está completamente confuso. Ninguém deve ficar surpreso se o Renato falar que o Brasileiro está difícil e focar no mata-mata. O clube pensa diferente disso. No Grêmio, havia um acordo, um pensamento comum. O Flamengo foi muito mal diante do Grêmio, chutou apenas uma bola no gol. Não criou situações de perigo, não fez a marcação alta. Foi um time de um jogo franco, mais lá e cá dando espaço ao adversário. Quando encaixa, deslancha. A mudança no perfil de jogo foi muito abrupta e vai mostrando dificuldades contra uma equipe mais fechada, como o Grêmio fez", declarou.

Já Rafael Oliveira também disse acreditar que a análise feita por Renato ao final da partida foi muito equivocada. "O Renato nunca foi de falar do lado técnico, ele faz o perfil mais boleiro, para deixar todo mundo a vontade. Ele não gosta de ir por esse caminho, mas foi muito mal nas frases. O Flamengo é capaz de se impor, mas quais os grandes jogadores responsáveis por abrir defesas? Everton Ribeiro e Arracaesta. Sem os dois, você coloca jogadores que precisam de mais velocidade, perde passadores. Sem Diego, sem Felipe Luís, o Flamengo ficou muito frágil para o que fazer com a bola", ponderou.

Para o comentarista, a chance de o Barcelona superar o Flamengo na Libertadores é justamente explorar esse ponto fraco rubro-negro. "Ele vai precisar se segurar, como fez contra o Del Valle, no Campeonato Equatoriano, onde teve apenas 25 % de posse e perdeu com um gol nos acréscimos. É um duelo de uma disparidade grande. Será fundamental se segurar, frustrar o Flamengo e buscar os contra-ataques com o Preciado, que para mim é o principal jogador. O jogo contra o Grêmio serve de alerta", concluiu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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