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Diretor da Anvisa explica por que Willian foi barrado e Andreas Pereira não

Do UOL, em São Paulo

17/09/2021 04h00

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No último fim de semana o meia-atacante Willian foi impedido de fazer sua partida de reestreia no Corinthians após notificação da Anvisa, que o colocou em quarentena devido ao fato de ele ter desembarcado no Brasil oriundo da Inglaterra. No momento, há uma restrição que faz com que os brasileiros que cheguem do Reino Unido tenham de ficar em isolamento, enquanto estrangeiros não podem nem mesmo entrar no país se chegarem na mesma condição.

A decisão gerou questionamentos. Logo se lembrou de Andreas Pereira, meio-campista que chegou também da Inglaterra para o Flamengo, jogou contra o Santos e, notificado, depois foi a campo novamente diante do Palmeiras.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do Canal UOL, o diretor da Anvisa, Alex Campos, explica a situação dos dois jogadores, diz que ambos descumpriram um documento que assinaram se comprometendo a fazer quarentena. Mas detalhou as diferenças em termos de autorização para jogar para um e o isolamento obrigatório para o outro.

"O pecado original é um cidadão brasileiro entrar, dizer que vai fazer quarentena, que se submete às regras do país sob pena inclusive de se submeter ao processo administrativo sanitário e penal, que é o caso que vai acontecer tanto com o Willian, quanto com o Andreas", afirma Campos.

"O Willian preencheu a declaração de saúde do viajante que na cabeça dessa declaração, no formulário, a primeira pergunta, a primeira informação que o viajante tem que preencher é se você vem dessas áreas, você está neste momento assinando um termo livre e esclarecido que deve cumprir quarentena no Brasil. Quando chega no Brasil, o Willian é abordado pela Anvisa —esses brasileiros que vêm nessa condição, a gente consegue identificar previamente, e ele assina um termo de controle sanitário dizendo que vai se auto isolar e diz qual é o endereço. Nessa hora, a Anvisa sai de campo", completa.

De acordo com o diretor, a partir deste estágio, a Anvisa conta com a boa-fé de que a quarentena será cumprida e orienta o órgão estadual a respeito da situação dos cidadãos brasileiros oriundos de países que estão na lista de restrição.

A agência, porém, depois descobriu que os atletas não cumpriram com o acordado. A diferença dos dois casos é que Willian foi abordado antes do fim do período do tempo da quarentena prevista —o que não ocorreu com Andreas. Ambos os jogadores, de todo modo, vão responder legalmente por ignorar a regra sanitária.

"O Andreas jogou, passou por cima da faixa de pedestres, passou pelo sinal vermelho e aí a gente não conseguiu pegar, não tem um policial para cada faixa de pedestres. No momento em que se identifica que ele conseguiu subverter isso, ele vai responder um processo administrativo sanitário e um processo penal também, e o Willian também. Trazendo a metáfora do trânsito, o Willian a gente ainda conseguiu pegar ele dirigindo o carro, interrompeu para que não seguisse cometendo nenhuma infringência", afirma Campos.

"O que a Anvisa fez foi alertar que havia uma situação de risco sanitário, que o Willian não estava cumprindo, que quem deveria ter atuado era a Saúde local e poderia até ter acontecido de o Willian ter jogado, até porque as pessoas enfrentam as normas, como uma pessoa pode continuar dirigindo depois que bebe e aí nem sempre a gente pega alguém que bebe ao volante, tem blitz para isso. Óbvio que a gente atua com inteligência regulatória, a gente tem uma coordenação nacional do viajante. A gente se esforça para atuar em várias frentes, essa é uma delas. Agora, a gente espera do futebol brasileiro, de instituições esportivas de alto gabarito em um plano internacional, a colaboração e, sobretudo, dos nossos ídolos", completa.

Repercussão de argentinos influenciou abordagens a Willian e Andreas

Alex Campos admite que a repercussão nacional e internacional do caso dos jogadores argentinos Buendia, Lo Celso, Martínez e Romero, pivôs da situação envolvendo o jogo entre Brasil e Argentina pelas Eliminatórias Sul-Americanas, foi um fator de influência para que houvesse uma atenção em relação aos brasileiros Andreas Pereira e Willian.

"A Anvisa não precisava, a partir dali a Anvisa se descasaria desta atuação, mas o assunto estava muito aceso, a imprensa internacional cobrando, 'o Willian vai entrar para jogar', como se fosse um deboche, 'o Brasil cuida do argentino, mas o dele pode'. Foi iniciativa minha no sábado. Disse que não seria possível. Na segunda-feira (6), eu fiz um comunicado às vigilâncias locais sobre o caso Willian e do Andreas, só para entender que a gente se esforça para cumprir a nossa parte nesse processo", afirma o diretor.

"A gente comunica à agência local de novo, que entrou um jogador, que ele deveria cumprir quarentena, a gente já tem informação pela mídia que não está cumprindo, então que pedimos que os locais atuem e autuem. Isso vai até o sábado, sem uma autuação, e a gente sendo cobrado injustamente, porque as pessoas não compreendem e não são obrigadas a compreender, por que as pessoas estão descumprindo normas. Ao menos alguém gritou, falou, e a gente vai continuar fazendo isso intempestivamente, sempre que for possível", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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