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Trajano: "Comunicado do São Paulo bancando Crespo foi um tiro no pé"

Do UOL, em São Paulo

16/09/2021 04h00

Classificação e Jogos

Hernán Crespo ganhou prestígio no São Paulo ao encerrar o longo jejum de títulos do clube e levá-lo à conquista do Paulistão. O treinador, porém, vive uma situação bem diferente após as eliminações na Libertadores (para o Palmeiras) e na Copa do Brasil (para o Fortaleza), além da situação delicada do time no Brasileirão - o time está em 16º lugar, a um ponto da zona de rebaixamento. O crédito do argentino está perto de acabar?

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte - com os jornalistas Isabella Ayami, Renato Maurício Prado, Marluci Martins e José Trajano - a situação de Crespo no comando do Tricolor foi um dos temas em discussão. Para os comentaristas, o treinador argentino não é o único culpado pelo momento ruim da equipe, mas os próximos jogos serão decisivos para definir qual será seu futuro à frente do time.

"Se há um problema físico, a responsabilidade é da comissão técnica do Crespo. Ele é o chefe dessa equipe. O comunicado da diretoria foi um tiro no pé, talvez um reconhecimento de que o Fortaleza fosse aprontar para cima do São Paulo. Foi uma confissão de culpa. Crespo está prestigiado até a segunda página. Tomar de 3 a 1 é muito sério. Um time como o São Paulo tem que ter como objetivo ganhar mais e, se não ganhar, não fazer papelão. A fase atual do São Paulo é fugir do papelão", analisou Trajano.

Marluci lembrou que, antes da partida contra o Fortaleza, a diretoria do São Paulo havia bancado a permanência de Crespo, qualquer que fosse o resultado. "Achei interessante dar essa tranquilidade para o treinador, mas agora não sei se foi um gol contra. Eles vão sofrer uma pressão tremenda para manter a palavra em dia. Acho que vai haver uma pressão muito forte por parte da torcida. Quando digo que ele tem que ser cobrado é porque acho que a gente pega muito leve. Talvez estejamos deixando passar tudo o que acontece de errado ali", comentou.

Renato acha que a diretoria são-paulina precisa ficar atenta ao desempenho da equipe nas próximas partidas e até cogitar mudanças caso não haja uma reação. "A sensação que eu tenho é de que, quando há alguma coisa errada assim e você passa a estar em uma situação preocupante, precisa fazer alguma coisa. Não acredito que o Crespo será demitido agora, mas passarem três, quatro rodadas e o São Paulo continuar lá, limítrofe à zona do rebaixamento, aí é hora de fazer alguma coisa", avaliou o colunista.

Para Marluci, os próximos dias serão de muita turbulência no Morumbi, o que pode respingar no técnico. "Não é só bancar treinador. É tentar entender o que está acontecendo para que não continue se repetindo. Tem que haver um puxão de orelha no Crespo, mas o trabalho dele foi bom até o Paulista, sem dúvida. Agora não está acertando. Alguma coisa tem que ser feita e será mais difícil com a pressão que com certeza vai vir de oposição e da torcida. Vejo uma semana muito quente para o São Paulo e para o Crespo. Vai ser difícil a diretoria manter a sua palavra e bancar de novo o treinador", opinou.

Renato reforçou que a diretoria do São Paulo deve pensar em mudanças caso o time continue ma no Brasileirão. "Quando as coisas começam a não andar muito bem, vai todo mundo perdendo confiança e a coisa começa a degringolar. É a situação do São Paulo hoje em dia, para mim. Talvez a única saída seja haver uma mudança maior de comissão técnica, goleiro e outras coisas. Acho que, se o São Paulo não se afastar logo do rebaixamento, isso vai acabar acontecendo", enfatizou.

Trajano comparou os resultados obtidos por Crespo e Vojovda, com vantagem para o treinador do Fortaleza. "Não adianta botar terno à beira do campo, ser simpático e aprender português porque o Vojvoda tem um elenco mais limitado e está fazendo uma campanha muito superior não só no Brasileiro, mas também na Copa do Brasil. Técnico tem que dar resultado. Eu sempre me perguntei qual é a hora de mandar um técnico embora. Essa pergunta cabe lá para os lados do Morumbi", concluiu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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