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Documentário oficial inédito humaniza bi do Palmeiras na Libertadores

Diego Iwata Lima

De São Paulo

16/09/2021 04h00

Classificação e Jogos

"Vai ser histórico, mas pode ser eterno". Esta foi uma das frases de Abel Ferreira aos seus jogadores pouco antes do pontapé inicial da final da Copa Libertadores de 2020, em 30 de janeiro de 2021, no Maracanã. Foi neste dia que o Palmeiras bateu o Santos, por 1 a 0, com um improvável gol de Breno Lopes. Que como previra Abel, selou a passagem daquele grupo para a eternidade do Alviverde e do futebol.

Poucos minutos de filmes bastarão para que os palmeirenses mais emotivos não consigam se manter neutros diante de "A Glória eterna, Alma e Coração!", documentário sobre o bicampeonato do clube na competição, que será lançado nesta quinta-feira (16). O UOL foi o único veículo de imprensa a assistir com antecedência aos quatro episódios da obra produzida em parceria pela Conmebol, com as produtoras FC Diez Media e Gutierre Filmes, e a TV Palmeiras.

A série documental será exibido pelo SBT, em seu canal no YouTube, e entrará na grade de programação de FOX e ESPN, além de ir para o catálogo do Star+. A Conmebol e o Palmeiras também farão exibições da obra em suas plataformas. O perfil de Facebook da confederação (Facebook/CopaLibertadores) exibe o primeiro capítulo às 20h20 desta quinta (16).

Documentário é uma obra maiúscula

"A Glória eterna, Alma e Coração!" é cinema, indo muito além de um produto feito só para agradar torcedores ufanistas. Quem assistir às quase duas horas de filmagens, divididas em quatro capítulos, estará diante de uma peça realizada com muita qualidade, da captação à edição e finalização. O roteiro do jornalista Thiago Salata, que também dirige o documentário com mão segura, soube mesclar lágrimas com risos, consternação com alívio, para entregar ao espectador uma obra emocionante, sem apelação.

Cada episódio tem uma entrevista principal, pós-conquista, como fio condutor. Além de Abel Ferreira, cuja entrevista guia o terceiro episódio, os três jogadores responsáveis pelo gol consagrador são os narradores de suas histórias até o momento da apoteose.

A periferia da Salvador do volante Danilo aparece no primeiro, intitulado "Alma". A infância de Rony no paupérrimo interior paraense é retratada no segundo, "Coração". O episódio com Abel tem o nome de "Libertadores". E o quarto, que vai ao subúrbio de Belo Horizonte, conta como Breno Lopes saiu de um perigoso distrito da capital mineira para o olimpo palmeirense, no capítulo "Obsessão".

Sim, os títulos dos quatro capítulos foram pinçados de versos da música mais famosa da torcida palmeirense: "A Taça Libertadores, obsessão/ Tem que jogar com a alma e o coração". Que, por sua vez, foi adaptada de uma canção da torcida do Boca Juniors (ARG).

Ao longo do filme, imagens exclusivas de bastidores em hotéis, ônibus, centro de treinamento e aeroportos vão construindo a conquista, entremeadas com lances de jogo e arquivo, além de outros depoimentos. Como os do auxiliar Cebola e de outros jogadores, além de funcionários "anônimos" do clube, como o supervisor Leonardo Piffer, o massagista Alan Wagner e o zelador da Academia de Futebol há 30 anos, Alcides da Silva.

Mas os torcedores não ficam fora, e são bem representados por Marcos Costi, o locutor do Allianz Parque, e Luiz Gonzaga Belluzzo. O ex-presidente do clube, aliás, é peça importante para contar a história do Palmeiras na competição, já que viu, in loco, as duas primeiras finais do Palmeiras no torneio, em 1961 e 1968. César Sampaio, capitão da conquista de 1999, também narra um pouco daquele título.

Filme mostra que uma conquista é feita de momentos corriqueiros

Algumas cenas, como instruções de Vanderlei Luxemburgo, Ramires e Bruno Henrique em campo, Rony sofrendo para balançar a rede e Luiz Adriano fazendo gols dão a impressão de que tudo aquilo aconteceu há muito tempo. Mas não. Foi já neste ano que o Palmeiras se consagrou, algo de que sua exigente torcida nem sempre parece se lembrar.

Os capítulos mostram conversas e declarações premonitórias de alguns personagens. Tal qual a de Abel para Breno Lopes, dizendo que ele faria o gol daquele título. E tantas outras, que este texto não vai contar, porque o espectador merece se surpreender com elas ao assistir ao documentário.

Os quatro capítulos de "A Glória Eterna" dão dimensão humana à façanha do Palmeiras. Mostram que histórias e vidas aparentemente dissonantes precisaram se entrelaçar para que a conquista acontecesse. Muitas atitudes e decisões poderiam ter retirado ou colocado personagens neste roteiro, que trariam resultados completamente imprevisíveis e certamente diferentes.

E se Danilo não tivesse treinado com os profissionais numa tarde qualquer, quando foi notado por Luxemburgo? E se Breno Lopes tivesse desistido de jogar futebol? E se Rony tivesse sucumbido à fome que permeou sua infância?

"A Glória eterna, Alma e Coração!" não tem como, nem quer responder esses questionamentos. Mas mostra como um time fadado a se tornar histórico vai se montando a partir de momentos que parecem irrelevantes e corriqueiros, mas que no fundo, já carregam de antemão, ainda que não se saiba, prenúncios de uma epopeia.

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